Ciência busca descobrir se terapia em grupo ajuda diabéticos - Diabetes, Vida e Comunidade

Ciência busca descobrir se terapia em grupo ajuda diabéticos

14/09/2017 - http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-s


Quando o assunto é prevenir a recuperação de peso depois da dieta em pacientes com diabetes 2, a terapia cognitivo-comportamental em grupo não é melhor do que a abordagem padrão, segundo pesquisa apresentada no Encontro Anual da Associação Europeia de Estudos sobre Diabetes (EASD). A Federação Internacional de Diabetes aponta que 80% das pessoas com essa doença crônica estão acima do peso ou obesas no momento do diagnóstico. Emagrecer, portanto, pode reduzir o risco de problemas cardiovasculares a longo prazo e até de morte.

No entanto, os programas atuais de perda de peso para essas pessoas não se mostraram efetivos a longo prazo. A CBGT, terapia que visa mudar padrões de pensamento e comportamentos, é um tratamento eficaz para ansiedade e depressão, sendo útil para outras condições mentais e físicas, como transtornos alimentares.

No estudo atual, Kirsten Berk, pesquisadora do Centro Médico Erasmus de Roterdã, na Holanda, investigou se a intervenção psicológica poderia ajudar as pessoas com diabetes tipo 2 a manter o peso após uma dieta. O teste de Prevenção de Recuperação de Peso (POWER) recrutou 206 adultos com sobrepeso ou obesidade (IMC acima de 27) e diabéticos. Todos os participantes foram submetidos a uma dieta de baixa caloria. Após oito semanas, 158 perderam ao menos 5% do peso inicial e foram divididos aleatoriamente para continuar o tratamento indicado pelo médico ou entrar no grupo de terapia (17 sessões em 18 meses), aliada aos cuidados habituais.

Reganho

A terapia em grupo envolveu um terapeuta com experiência na área. Os pesquisadores compararam a diferença de peso corporal, recuperação de peso, glicemia, dose de insulina, depressão e ansiedade, entre outros fatores, ao longo de dois anos. Ao fim desse período, o reganho de peso foi semelhante. O primeiro grupo recuperou uma média de 4,7kg, e o segundo, 4kg. Os dados também mostraram que a terapia não foi superior no sentido de melhorar os fatores de risco cardiovascular ou o bem-estar psicológico dos pacientes.

“Resultados negativos são importantes porque nos mostram o que não funciona, que é tão importante quanto o que funciona”, escreveram os autores. “Nossos resultados indicam que não há justificativa científica para se oferecer terapia cognitivo-comportamental de grupo para otimizar o efeito da perda de peso em pacientes obesos com diabetes tipo 2. Precisamos urgentemente identificar melhores abordagens para emagrecimento e manutenção de peso a longo prazo em pacientes dessa doença.”

“Não há justificativa científica para se oferecer terapia cognitivo-comportamental de grupo para otimizar o efeito da perda de peso em pacientes obesos com diabetes tipo 2. Precisamos urgentemente identificar melhores abordagens para emagrecimento”

Trecho do estudo apresentado no Encontro Anual da Associação Europeia de Estudos sobre Diabetes
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