Mulheres são as mais atingidas pelo diabetes - Diabetes, Vida e Comunidade

Mulheres são as mais atingidas pelo diabetes

01/08/2018 - http://www.folhadaregiao.com.br/2018/07/24/mulheres-sao-as-m


Diabetes é uma doença crônica em que o corpo não consegue produzir insulina ou empregar adequadamente a insulina produzida. A insulina é o hormônio que controla a quantidade de glicose no sangue. Quando a pessoa tem diabetes, o organismo não fabrica a insulina e não consegue utilizar a glicose adequadamente.

Atualmente, no Brasil, mais de 13 milhões de pessoas convivem com o diabetes, e, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), 8% das mulheres são portadoras em todo o mundo.

O médico endocrinologista, Antonio Mendes Fontanelli, é formado em medicina pela USP (Universidade Pública de São Paulo) e é especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, explica mais sobre a doença.

“As principais causas são o ganho de peso, a obesidade abdominal e o sedentarismo, além de fatores genéticos. A mudança no estilo de vida tem um efeito protetor. A prática de atividade física durante 30 minutos por dia, manutenção do peso e de um padrão alimentar saudável contribuem para reduzir em 91% o risco de desenvolver diabetes”, explica.

Segundo o médico, a incidência dos casos em mulheres se dá pelo fato de serem mais sedentárias do que os homens, e também que, na última década, o número de pessoas diabéticas cresceu 61,98%.

TIPOS

Os diabetes são classificadas por tipos. Em algumas pessoas, o sistema imunológico ataca as células beta (células endócrinas, responsáveis por sintetizar e secretar o hormônio insulina), ficando pouca ou nenhuma insulina no corpo. Como resultado, a glicose fica no sangue, em vez de ser usada como energia. Esse é o processo que caracteriza o Tipo 1 do diabetes, que atinge entre 5% e 10% do total de pessoas acometidas pela doença. Geralmente, o Tipo 1, aparece na infância ou na adolescência, mas pode ser diagnosticado em adultos também.

O Tipo 2 aparece quando o organismo não consegue usar adequadamente a insulina que produz. Cerca de 90% das pessoas com diabetes têm o Tipo 2. Ele se manifesta mais em adultos, porém crianças também podem ser afetadas. Dependendo da gravidade, ele pode ser controlado com atividade física e planejamento alimentar.

Durante a gravidez, para permitir o desenvolvimento do bebê, a mulher passa por mudanças em seu equilíbrio hormonal. Porém, em algumas mulheres, o processo de redução da insulina, feito pela placenta e consequentemente a ação do pâncreas, para compensar esse quadro, não ocorre, e elas desenvolvem o diabetes gestacional.

Quando o bebê é exposto a grandes quantidades de glicose, ainda no ambiente intrauterino, há um grande risco de crescimento excessivo (macrossomia fetal) e, partos traumáticos, hipoglicemia neonatal e uma possível obesidade e diabetes na vida adulta.

O médico ressalta que pessoas em qualquer idade podem ser atingidas pela doença, porém, a incidência aumenta com o decorrer dos anos, atingindo 27,2% da população de 65 anos de idade. “Isso ocorre devido ao aumento da resistência à insulina, obesidade, redução da massa magra e doenças crônicas coexistentes associadas à redução de atividades físicas e ao maior uso de medicamentos nessa faixa etária. Além disso, os diabéticos têm uma maior propensão a desenvolver Alzheimer e doença de Parkinson, por alterações na sinalização da insulina”, destaca.

SINTOMAS

Por se tratar de uma doença silenciosa, na maioria das vezes, os sintomas só aparecem quando a doença já está avançada. “A maioria dos pacientes, quando são diagnosticados, já apresenta pelo menos duas complicações crônicas. Se o indivíduo for sedentário e obeso é importante fazer o teste de glicemia para o diagnóstico precoce. Estudos recentes revelam que quanto mais precoce for o diagnóstico e mais assertivo o tratamento, menores serão as complicações a longo prazo”, acrescenta.

Apesar de ser uma doença silenciosa, é possível ficar atento para algumas alterações, como urinar várias vezes por dia, sede excessiva, cansaço, perda de peso, aumento de apetite, visão embaçada, infecções e cetoacidose diabética (problema que ocorre quando não há insulina suficiente no corpo. Pode ser desencadeado por uma infecção ou outras doenças.

Os sintomas incluem sede, micção frequente, náuseas, dor abdominal, fraqueza, hálito cetônico [odor característico, similar ao de frutas envelhecidas] e confusão mental).

CAUSAS

É importante ressaltar que um grande fator de risco é o sedentarismo. Ele associado, a uma dieta pobre em fibras, rica em açúcares, gorduras saturadas e trans, é a principal causa de diabetes. “Uma alimentação saudável deve conter frutas, saladas e legumes, azeite de oliva, castanhas oleaginosas (nozes, amêndoas, castanhas-do-pará etc) e alimentos com baixo índice glicêmico, como cereais integrais, aveia e granola”, destaca. Vale ressaltar que, no geral, já foram identificadas características genéricas, hereditárias, étnicas e relacionadas ao ambiente, que podem, também, desencadear o diabetes.

DIAGNÓSTICO

O endocrinologista conta que o diagnóstico é simples, por meio de exame de sangue, pelo teste de glicemia. “Os níveis normais são de 70 a 99mg/dl. Pré-diabetes de 100 a 125mg/dl, diabetes 126mg/dl, gestacional acima de 92mg/dl e hemoglobina glicosilada 6,5”, explica.

Qualquer médico pode fazer o diagnóstico de diabetes, porém o tratamento deve ser feito por um médico endocrinologista. “O grande problema no Brasil é que os médicos demoram para encaminhar a um especialista, que faz o tratamento o assertivo e eficaz, evitando as complicações a longo prazo. Os estudos mostram que, quanto mais precoce e individualizado o tratamento, menores as complicações a longo prazo.

Além do controle glicêmico, é importante regular a pressão arterial, o perfil lipídico (colesterol), obesidade e fazer as proteções renal, cardiovascular e cerebral. Em alguns casos, fazer a reposição hormonal (masculina ou feminina), tratamento da disfunção erétil, depressão, ansiedade e insônia, que são comorbidades bastante frequentes”, diz.

“Existem várias complicações que podem ser evitadas com o tratamento adequado. Entre elas, há as complicações microvasculares (insuficiência renal, cegueira e neuropatia diabética) e as macrovasculares (infarto, derrame e até amputações de membros). O risco relativo de doenças cardiovasculares é três vezes maior em diabéticos. Tem-se ainda a disfunção erétil e o acúmulo de gordura no fígado”, explica Fontanelli.

TRATAMENTO

“O diabetes não tem cura, porém existem pesquisas no diabetes Tipo 1 que levaram à remissão da doença. O paciente deve ter um diagnóstico precoce, com no máximo 3 meses de doença e deve ser encaminhado para Ribeirão Preto no serviço do Dr. Barra Couri, que é pioneiro nesse tratamento no mundo. No último congresso da American Diabetes Association houve a apresentação de um trabalho com homens diabéticos tipo 2 com baixa testosterona, que foram tratados com reposição hormonal e houve remissão de 22% do diabetes. A cirurgia bariátrica, quando bem indicada, também pode levar à remissão do diabetes tipo 2”, destaca.

Uma das coisas importantes é controlar o nível de glicose no sangue, para evitar complicações. A medição pode ser feita por meio de um monitor de glicemia ou por meio de bombas de insulina. É necessário seguir as orientações para que as medições sejam feitas nos horários corretos, nas situações corretas e com a frequência ideal.

Apesar de não existir uma cura, é possível fazer o tratamento para que o quadro não se agrave. Hoje, no mercado, há medicamentos que, além de regular a glicemia, diminuem o peso, reduzem a pressão arterial e evitam as complicações renais e cardiovasculares. “Infelizmente, poucos pacientes são tratados com esses tipos de medicamentos, devido ao alto custo e ao desconhecimento dos médicos não especializados. A reeducação alimentar e atividade física são ferramentas essenciais para o bom controle do diabetes”, explica.

Para Fontanelli, a alimentação saudável é algo necessário não só para diabéticos. Manter o peso saudável ajuda no controle da doença. Os exercícios feitos regularmente ajudam a baixar as taxas de glicemia. Quando se gasta energia, o organismo usa o açúcar do sangue em velocidade maior.

De fato, a convivência com a doença pode significar uma mudança brusca na rotina do paciente. Segundo o médico, mudanças no estilo de vida, medicamentos (às vezes injetáveis) todos os dias e durante toda a vida, pode desencadear frustrações, angústias e depressão. “Por isso, é de suma importância um tratamento humanizado por especialistas de diabetes”, afirma.

“O melhor tratamento para diabetes é, sem dúvida, a prevenção, que deve ser feita com atividade física regular e alimentação saudável”, conclui.

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