Clínicas privadas reclamam do SUS

25/10/2002 - Correio Brasiliense


Ullisses Campbell
Da equipe do Correio

A transferência dos pacientes renais das unidades de hemodiálise dos hospitais públicos para as clínicas particulares se transformou um novo problema. A Associação Brasileira dos Centros de Diálises e Transplantes (ABCDT) alertou ontem que as clínicas estão a um passo de entrar em colapso. Motivo: o valor pago pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é muito baixo. São R$ 103 por sessão. Na rede particular, cada sessão sai R$ 220. Pelo convênio com planos de saúde, a tabela de procedimentos médicos determina que uma sessão custa R$ 160.

Os donos de clínicas particulares reclamam da defasagem dos valores repassados pelo SUS. "As máquinas de hemodiálise e todos os insumos do tratamento são comprados em dólar", justifica o presidente da ABCDT, Washington Luiz Correa, médico nefrologista. No mês passado, a associação dos donos de clínicas pediram ao Ministério da Saúde que o valor da sessão seja reajustado para R$ 160, o mesmo pago por meio de plano de saúde.

O médico Rafael Barbosa tem uma clínica de hemodiálise em Samambaia com 20 máquinas. Até ontem, já havia recebido 17 pacientes transferidos do HRT. Cada paciente que chegava não representava lucro para a clínica. "A hemodiálise é um tratamento muito complexo. A cada 12 sessões a gente tem que trocar o filtro capilar da máquina, que é encarregado de purificar o sangue do paciente", diz o médico. Em 1994, esse filtro custava R$ 15. Hoje, sai a R$ 57.

O médico nefrologista Antônio José Inda Filho, dono de uma clínica em Valparaiso, também endossa que existe uma crise nas clínicas particulares que fazem hemodiálise. Ele mantém 30 máquinas que atendem 39 pacientes e apenas um faz tratamento por plano de saúde. Os 38 recorrem ao SUS, o que complica a situação financeira da clínica. "Não dá prejuízo. Mas também não dá lucro", ressalta Inda Filho. O Ministério da Saúde não tem previsão de quando, e se, fará tal reajuste.

Os pacientes dos hospitais regionais de Taguatinga (HRT) e Sobradinho (HRS) que fazem hemodiálise serão transferidos para os centros privados até o dia 2 de novembro. Em Sobradinho, há seis pacientes que mudarão o local de tratamento de uma só vez. Em Taguatinga, a transferência é gradual. A responsável técnica pelo setor, Ruth Bittar Souto, garante que vai cumprir o prazo estabelecido pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), embora seja muito burocrático fazer a transferência por conta de uma série de documentos exigidos pelo hospital.

Tratamento condenado

A Vigilância Sanitária do governo local fez uma fiscalização nos hospitais regionais de Taguatinga (HRT), Sobradinho e no Hospital Universitário de Brasília (HUB) e descobriu que as unidades de hemodiálise dos três hospitais desrespeitam a portaria 082 do Ministério da Saúde. A Anvisa fez uma inspeção especial e determinou que a unidade do HRT seja interditada imediatamente.

Por conta das irregularidades, o Governo do Distrito Federal (GDF) foi notificado judicialmente no dia sete de outubro à pedido do Ministério Público. Isso porque o tratamento de hemodiálise oferece risco aos pacientes. Com a notificação judicial, o GDF passa a ter ciência do problema e se responsabiliza por qualquer tragédia que venha ocorrer com pacientes de hemodiálise.

Ontem, o HRS e o HRT começaram a transferir os pacientes renais para clínicas particulares. O MP desconfia que 15 pacientes de hemodiálise morreram em 12 meses por conta da precariedade no atendimento.

Os pacientes renais correm risco porque as máquinas de hemodiálise são velhas e viraram sucatas. Além do mais, o ambiente é sujo e o método de tratamento é tão arcaico que os pacientes sentem muitas dores.

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Comentários sobre este conteúdo

  • Everton
    2/10/2012 - 14:16

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