“Se deres as costas a luz, nada mais verás do que a tua própria sombra” - Anonimo
Entrevistas
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Em entrevista ao Diabetenet, o Dr.Marcelo Perosa de Miranda, cirurgião de transplantes de fígado e pancrêas do Hospital Beneficiência Portuguesa, do Hospital Albert Einstein e Hospital São Camilo, fala sobre sua participação no Congresso Internacional de Transplantes em Miami e sobre o período que esteve no Centro de Transplantes de Pancrêas em Maryland.
DiabeteNet: Quais as novidades sobre Transplantes de Pancrêas apresentadas no Congresso de Miami, ocorrido recentemente?
Dr.MP: Acho que as principais referem-se à técnica da drenagem portal e , no tocante à imunossupressão, protocolo de retirada de corticóides.
DiabeteNet: Houve alguma evolução nas técnicas-cirurgicas utilizadas no Transplante de Pancrêas?
Dr.MP: Sim. Em primeiro lugar, utiliza-se, cada vez mais, a drenagem exócrina para o intestino ao invés da bexiga, principalmente nos transplantes duplos. A vantagem da drenagem para o intestino é ser mais fisiológica, isto é, a secreção pancreática normalmente drena para o trato intestinal e não para a bexiga. Esta técnica permite a reabsorção do bicarbonato e das enzimas pancreáticas, evitando sua descarga na bexiga do receptor. Com isso, evita-se a acidose (comumente observada nas drenagens para a bexiga), dispensa-se a necessidade de tomar bicarbonato via oral após o transplante, evitando-se também as complicações genito-urinárias da drenagem vesical (sangramento na urina, uretrites, infecções urinárias de repetição, vaginites, etc). Porém, nos transplantes isolados de pâncreas, como não há o rim para monitorizar a rejeição, o sucesso obtido ainda é maior usando-se a drenagem para a bexiga, pois esta técnica permite mensurar a amilase urinária , grande marcador da rejeição pancreática. Portanto, em linhas gerais, para os transplantes duplos, a preferência recai sobre a drenagem intestinal; para os transplantes de pâncreas isolados e após rim, a preferência continua sendo a drenagem vesical.
Outro aspecto interessante é a drenagem venosa do pâncreas para o sistema porta. Na maioria dos casos, coloca-se o pâncreas com sua veia nos vasos ilíacos do receptor(FIGURA 1). Isto faz com que toda insulina seja descarregada diretamente na circulação sistêmica e circule diretamente para o coração. Este estado gera excesso de insulina na circulação. Aventam-se certos malefícios ( ainda não provados ) deste excesso de insulina na circulação, como, por exemplo, a aterosclerose precoce. Uma técnica mais recente coloca o pâncreas com a drenagem venosa no sistema porta (FIGURA 2) isto é, veia que drena para o fígado e não para a circulação sistêmica. Este estado é mais fisiológico, imita o pâncreas original, onde toda a insulina é drenada para o fígado e este funciona como filtro, impedindo que toda a insulina secretada chegue até a circulação , mas apenas o suficiente para manter a glicemia.
Todavia , não há ainda comprovação de superioridade de uma técnica sobre a outra.
DiabeteNet: Com relação a imunossupressão utilizada nos Transplantes de Pancrêas, foi apresentado alguma novidade?
Dr.MP: O mais utilizado tem sido protocolos específicos de retirada de corticóides. Estes vêm ganhando grande popularidade no transplante de pâncreas e evitam os efeitos colaterais destas drogas a longo prazo.
Outro aspecto sensacional vem sendo iniciado no grupo de Pittsburgh, que é a tentativa da suspensão completa da imunossupressão para todos os tipos de transplante. Em até 50% dos casos testados eles estão conseguindo reduzir significativamente ou até suspender a imunossupressão por completo alguns meses após o transplante. Esta é uma grande porta de esperança para os transplantes sem imunossupressão daqui a algum tempo.
DiabeteNet: Quanto ao Transplante de Ilhotas, o que há de novo?
Dr.MP: Após 2 anos de início do Protocolo Edmonton, o entusiasmo com as Ilhotas continuam, com resultados de 85% de sucesso em 1 ano e 70% após 2 anos, obtendo-se insulino-independência. Porém, em conversas diretas com os grupos, eles acham que o resultado das Ilhotas , se analisado friamente e com muito rigor, deve estar situando-se em torno de 50%. Em outras palavras, o entusiasmo continua, mas há ainda muito o que se progredir para alcançar o sucesso do transplante de ilhotas.
DiabeteNet: Como está atualmente o Brasil em relação a outros paises que realizam o Transplante de Pancrêas?
Dr.MP: O Brasil está numa posição de destaque em atividade de transplante de pâncreas. Já faz mais transplantes do que qualquer país da Europa. Este ano deve completar a marca de 200 transplantes pancreáticos, perdendo apenas para os Estados Unidos, que realizam cerca de 1400/ano.
DiabeteNet: Como o Sr. Avalia o periodo em que esteve no Centro de Transplantes de Pancrêas em Maryland?
Dr.MP: Passei 2 semanas na University of Maryland, que é o centro número 2 do mundo em transplantes pancreáticos. Lá, percebi que não estamos fazendo nada aquém dos serviços norte-americanos, tanto em termos de controle como de sucesso do transplante pancreático. Foi importante também o aprendizado da técnica da drenagem portal, pois , em Maryland, usam esta técnica para todos os casos.
DiabeteNet: No que a experiência deles pode ser benefica para os Transplantes de Pancrêas no Brasil?
Dr.MP: Conhecer grandes centros desenvolvidos sempre traz grande aprendizado e riqueza nas condutas de nossos pacientes aqui no Brasil. Em especial, acho que começaremos a usar a técnica da drenagem portal em casos selecionados de nosso grupo.
gostaria de saber onde fica o seu consultorio para uma possivel consulta
Alessandra 26/2/2009 - 17:07
Boa tarde!
Gostaria do telefone do consultorio para marcar consulta
Flavia 17/12/2009 - 10:58
Olá, um amigo meu fez o transplante com o Dr. Marcelo Perosa e me deu o telefone de seu consultório para que eu possa levar meu irmão para uma consulta.
Não consigo ligar (11 37989136 e 11 37980373) qual é o número correto?
Muito obrigada e fico no aguardo
Abraços
Paulo de Tarso 25/1/2010 - 19:23
Procura no Site da "HEPATO" transplantes e marca uma consulta com ele. pega os telefones da HEPATO é lá que marca a consulta. Principalmente com a secretaria dele a JOYCE
cilesia 16/6/2010 - 13:04
Fiz transplante duplo pancreas/rim em julho de 2009 com o DR.Marcelo Perosa,um anjo enviado por Deus,estou ,nao tenho diabetes e nem insuficiencia renal.Obrigada Dr.Marcelo e equipe;