Horácio Luz - Diabetes, Vida e Comunidade

Horácio Luz

17/01/2003 - Comunidade DiabeteNet.Com.Br

Foto Depoimentos: Horácio Luz

Eu me chamo Horácio Luz, sou Administrador de Empresas, e moro em Lagoa Santa (Grande BH) MG.
Diabético dos 12 aos 38 anos de idade, portanto praticamente durante 26 anos, acabei conseguindo a paz e o controle total da minha glicemia através do Transplante Isolado de Pâncreas (TIP). Antes disso, apesar de todos os meus esforços (e acredito que todos os diabéticos tipo 1 em algum momento se sentem assim) era impossível “domar” a glicemia. Sentia-me como um guerreiro que não tinha as armas apropriadas para conter o inimigo bem mais forte e poderoso. Notava que a insulina injetada não passava de uma forma de apenas atrasar um pouco a chegada deste inimigo que avançava impiedosamente trazendo várias complicações na minha saúde como um todo. Resumindo, eu tinha a sensação de que a minha vida era andar sobre um muro bastante estreito (glicemia normal), sendo que do lado esquerdo havia cobras (hipoglicemia) e, do lado direito escorpiões (hiperglicemia). Invariavelmente, ao longo do dia, eu ficava de um lado para o outro do muro. De vez em quando eu me equilibrava no meio dele. Era terrível e desgastante viver daquela maneira.
Procurei a cura, ou melhor dizendo, uma solução para normalizar os meus altos e baixos glicêmicos de todas as maneiras possíveis. Sempre enxergava a possibilidade de se conseguir isso por meio de algum novo avanço científico, tais como um pâncreas totalmente artificial, ou mesmo uma sonhada clonagem de órgãos geneticamente idênticos. Coisas desse tipo. Minha ânsia de ficar livre das variações de glicose no sangue e das suas conseqüências assombrosas não me fizeram pensar duas vezes quando surgiu a possibilidade de me submeter a uma cirurgia de transplante de pâncreas, da qual fui informado inicialmente, por um artigo que li numa edição da Revista BD Bom Dia no final do ano 2000. Claro que, dai ao transplante em si, muitas dúvidas, anseios e medos permearam a minha mente.
Fui em busca dessas informações primeiramente no Hospital da Beneficência Portuguesa em São Paulo, até então o único centro do qual eu havia ouvido falar que realizava Transplante Isolado de Pâncreas no Brasil. Fui muito bem recebido pela equipe e sobretudo pelos associados pós-transplantados do Diabetnet que faziam uma reunião nesse mesmo hospital. Lá , conheci muita gente vivenciando o mesmo problema e fiquei muito amigo da Srta. Miriam Kunis que, naquele momento, já havia completado um ano de TIP. Ela me orientou muito e me informou sobre toda a sua vivência acerca do transplante. Foi muito esclarecedor, útil e encorajador. Através dela conheci outro transplantado pela equipe da Beneficência que se tornou um grande amigo-irmão e meu maior incetivador em fazer a cirurgia, o Ernani Garcia, que teve a sensibilidade e nobreza de perceber as minhas dificuldades e angústias, visitando-me quando (sem sabermos, é claro) faltavam apenas 5 dias para eu ser transplantado. Situações estas marcantes nos momentos que antecederam ao meu transplante, sem dúvida. Acho que tive muita sorte com a chegada desses meus anjos da guarda. Obtive muita ajuda e apoio da minha querida e companheira esposa Audrey que com toda a certeza foi o meu maior suporte em todo o processo. Ela então, sabia pronfudamente o que eu passava e como era importante mudar. Não teve nenhum receio, incentivando-me e tomando conta de mim o tempo todo.
O meu TIP aconteceu no dia 19 de outubro de 2001. Esta data se tornou muito especial e bastante comemorada, visto que tudo deu muito certo fazendo-me descer do meu “muro estreito” e pisar firme numa superfície bem mais segura do que antes. Fui operado no Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte, MG, pelo extraordinário médico Dr. José Maria Gross Figueiró e sua qualificada e simpática equipe. Juntamente com o Dr Figueiró, sou muito grato ao Dr. Cristiano Xavier (cirurgião de transplantes), à atenciosa e empenhada Dra. Sandra Vilaça (nefrologista) e às competentes e dedicadas enfermeiras Poliana e Cláudia. Quando estou perto deles, sinto que faço parte de uma família e me sinto em casa.
Um ano depois da cirurgia, meu metabolismo está perfeito. O meu corpo (abdômen) já está quase todo no lugar e muito raramente eu me lembro de ter feito um transplante. Posso comer e beber de tudo, faço qualquer tipo de exercício físico e até corridas eu já consigo fazer bem. A minha visão se estabilizou (não tenho mais a famosa visão turva) e meus rins estão funcionando com muita eficiência.
Muitos médicos apontam os inconvenientes do transplante, como por exemplo ficar tomando comprimidos pelo resto da vida e ficar com o organismo mais imunossuprimido (sujeito a infecções) do que as outras pessoas. Ora, é claro que não existe piquenique sem formiga, mas eu não vejo isso como desvantagem. Primeiro porque tomar comprimidos no lugar das injeções de insulina é barbada para um diabético; segundo porque desde a minha cirurgia eu nunca mais fiquei gripado, apesar de vários amigos e parentes desfilarem espirrando na minha frente, expondo-me ao vírus da gripe. Acho que depois de seis meses de transplante a vida se normaliza bastante. E, sem o diabetes, mesmo estando imunossuprimido, a saúde é bem melhor e adoeço bem menos do que quando era diabético.
Pois é, o refrão de uma música do Gabriel -O Pensador, cantada em conjunto com a Sandra de Sá reflete bem o meu estado de espírito atual:

“Estou dançando com a vida
de rosto colado
abraçando apertado
que delícia é viver” .

Legal, né? Um abraço para todos os diabéticos, transplantados e quem quer que leia meu depoimento.

Quem quiser entrar em contato comigo, os meus telefones são:
(31) 3689-4055 ou (031)9141-7823.
Email: horaciocesarluz@ig.com.br

A Comunidade DiabeteNet.Com.Br tem como finalidade informar e interagir com os seus usuários. Antes de qualquer decisão ou atitude, é indispensavel a discussão sobre os pontos aqui abordados juntamente com médicos de sua confiança.

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Comentários sobre este conteúdo

  • Diames
    10/06/2011 - 19:07

    A nove anos atrás, me submeti a um tx duplo de rim e pâncreas. Foi o melhor tempo de minha vida. Infelizmente, após cinco anos e meio vio a rejeição do pâncreas e, dois anos depois, por conta de uma infecção, perdi por completo o meu transplante. E foi o Dr. José Maria quem fez o meu transplante. atualmente faço hemodiálise. Viajo três vezes por semana para realizar as seções. Estou feliz em saber que o Dr. José Maria voltou. Mesmo que não seja ele a realizar o meu possível transplante, espero em Deus, que eu seja vitoriosa mais uma vez.

  • fabiana pinto vieira
    01/11/2011 - 21:17

    Sou transplantada a 10 anos de rim e pancreas, e quem fez meu transplante foi o Dr Jose Maria Figueiró que na minha opiniao é meu segundo pai. Fiquei diabética aos 9 anos e aos 26 consegui o transplante. Fiz hemodialise por dois meses e esperei por esses dois preciosos orgaos por 2 meses tambem. Sou uma vitoriosa e tudo o que passei foi um milagre de Deus. Hoje após esses 10 anos estou muito bem e feliz vivendo uma vida normal. Parabés e sucesso a todos os transplantados.

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