“Se dedicamos nosso tempo em criticar nosso semelhantes, não teremos tempo para ama-lo” - Anonimo
Entrevistas
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O transplante de ilhotas pancreáticas já é uma realidade no Brasil e grande parte do sucesso deste tipo de transplante deve-se à equipe da Unidade de Ilhotas Pancreáticas Humanas (UIPH), do Instituto de Química (IQ), da Universidade de São Paulo - USP, sob a coordenação da Profa. Dra. Mari Cleide Sogayar.
O processamento do pâncreas, que permite a obtenção, purificação e encapsulamento das ilhotas pancreáticas, conta com uma equipe de profissionais especializados, dentre os quais a Profa. Dra. Anna Carla Goldberg, os Drs. Carlos Mayora Aita e Letícia Labriola, os doutorandos Elizabeth Maria de Oliveira, Karin Krogh, e Fernando Lojudice da Silva, todos bolsistas da FAPESP, e a técnica Irenice de Cairo Silva.
Para que todos possam conhecer melhor este trabalho tão importante e tão pouco divulgado, fomos ao Instituto de Química (IQ) da USP, onde fomos gentilmente recebidos pela Dra. Mari Cleide Sogayar e pelo Dr. Carlos Mayora Aita, que falaram sobre o trabalho desenvolvido pela UIPH.
Parte I – Entrevista com a Dra. Mari Cleide Sogayar
DN: Como começou este trabalho?
Dra. Mari Cleide Sogayar: Tudo começou quando, há cerca de 8-9 anos, o Dr. Freddy veio nos procurar para colaborar neste projeto de "Isolamento, purificação, criopreservação e encapsulamento de ilhotas pancreáticas humanas para transplante em pacientes diabéticos". Durante cerca de 3 anos (1994-1997) um grande esforço foi feito no sentido de padronizar o procedimento, utilizando pâncreas canino, mas, a partir de 1997, decidiu-se utilizar pâncreas humanos de doadores cadáveres.
DN: Com o início do estudo de pâncreas humanos de doadores cadáver, não foi necessário aumentar a equipe?
Dra. Mari Cleide Sogayar: Desde o início foi montada uma equipe multidisciplinar, formada por médicos clínicos e cirurgiões e de pesquisadores da área básica, equipe esta que ficou sob a coordenação geral do Dr. Freddy Eliaschewitz. Dentro desta equipe, os cirurgiões se encarregaram da captação e retirada do pâncreas dos doadores, enquanto a equipe da UIPH se encarregou do processamento do pâncreas para o isolamento, a purificação, a criopreservação e o encapsulamento de ilhotas pancreáticas humanas. Foi necessário formar pessoal qualificado para enfrentar este desafio.
DN: Foi necessária alguma modificação nos laboratórios já existentes no IQ para este projeto?
Dra. Mari Cleide Sogayar: Sim, graças ao apoio financeiro irrestrito da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e logístico do Depto. de Bioquímica, do Instituto de Química (IQ) da Universidade de São Paulo, aos poucos fomos montando a Unidade de Ilhotas Pancreáticas Humanas do IQ-USP (a primeira do Brasil) que conta, hoje, com um laboratório padrão GMP (Good Manufacturer’s Practice), que possui padrão internacional de qualidade, tendo sido instalado especialmente para este projeto.
DN: Desde o início dos trabalhos, quantos pâncreas humanos foram processados para aprimoramento da técnica?
Dra. Mari Cleide Sogayar: Até o primeiro transplante de ilhotas no Brasil, realizado no final do ano de 2002, já havíamos processado cerca de 100 órgãos, o que permitiu adquirir bastante experiência e conhecimento no assunto.
DN: Que outros projetos estão sendo desenvolvidos na UIPH?
Dra. Mari Cleide Sogayar: Continuamos trabalhando no aperfeiçoamento das técnicas de separação, purificação e preservação das ilhotas, mas, nosso próximo desafio, é o de encapsular estas ilhotas para evitar a rejeição pelo organismo do receptor sem o uso de imunossupressores.
DN: Por que encapsular ilhotas?
Dra. Mari Cleide Sogayar: A imunossupressão causa vários incômodos ao paciente e nosso grande desafio é como fazer o transplante de ilhotas sem o uso de imunossupressores. Seria necessário produzir microcápsulas de material poroso que permitissem a entrada de nutrientes e a troca de gases e a saída da insulina secretada pelas células beta e, ainda, que impeçam a entrada de células e anticorpos, mas que permitam o afluxo de sangue. Um biomaterial com estas características poderia permitir o encapsulamento das ilhotas de Langerhans, com manutenção de sua capacidade de sobrevivência e renovação. Este tipo de material ainda não está disponível, mas poderia permitir realizar o tratamento do diabetes por implante de ilhotas, sem a necessidade de se utilizar medicamentos imunosupressores.
DN: E quais as dificuldades?
Dra. Mari Cleide Sogayar: São várias as dificuldades que temos que resolver, dentre elas:
- Definir um material que seja poroso o suficiente para permitir a entrada de glicose e oxigênio, essenciais à sobrevivência da ilhota, mas que não permita o acesso de anticorpos e células do sistema imunológico às ilhotas;
- Esta cápsula não deverá ser "enxergada' pelo sistema imunológico e, além disso, deverá ser duradoura;
- Temos que aumentar o número de ilhotas que continuam produzindo insulina mesmo depois do trauma causado pelo processo de isolamento e purificação;
DN: Já foi encontrado algum material para o imuno-isolamento/encapsulamento de ilhotas?
Dra. Mari Cleide Sogayar: Um material ideal, com TODAS as características enumeradas, ainda não foi encontrado. Atualmente, estamos investindo esforços no encapsulamento destas ilhotas em alginato e em outros materiais, visando "mimetizar" o ambiente pancreático para facilitar a sobrevivência e a durabilidade do implante de ilhotas encapsuladas.
DN: E quanto à escassez de pâncreas?
Dra. Mari Cleide Sogayar: Como se trata de uma pesquisa, estando, portanto, em fase experimental, só temos acesso ao pâncreas depois que todos os centros transplantadores do país recusarem o pâncreas. Mesmo assim, a maioria das ilhotas isoladas na UIPH é de alta qualidade. Ainda gostaríamos de melhorar o rendimento, que é equivalente àquele obtido em outros centros mundiais, mas que ainda obriga a utilizar 2 a 4 pâncreas para cada receptor. Levando em conta a escassez de órgãos e o rendimento inferior a 100% no isolamento das ilhotas, estamos tentando resolver o problema de massa de ilhotas para o transplante através de pesquisas que buscam substâncias/condições que facilitem a reprodução das ilhotas em cultura, no laboratório. Estamos bastante esperançosos com os resultados.
DN: Vocês contam com que tipo de apoio financeiro?
Dra. Mari Cleide Sogayar: Apesar de promissor, este projeto tem um custo bastante elevado, o qual tem sido bancado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), tanto na forma de bolsas como na forma de Auxílios à Pesquisas. Esta fundação foi de primordial importância para nosso projeto, apoiando a montagem da infraestrutura necessária para o isolamento, purificação, encapsulamento e caracterização das ilhotas. Muitas vezes nos deparamos com alguma dificuldade técnica e ficamos sabendo que, em algum centro mais desenvolvido, um colega já a superou. Temos que ser rápidos e viajar, permanecendo algum tempo com este grupo de forma a trazer a solução para continuidade e melhora do nosso projeto. Mesmo assim, temos que restringir bastante os gastos com pesquisa pois as verbas são escassas. O certo é que se houvesse mais verbas, já teríamos avançado bem mais rumo à cura definitiva do diabetes.
Alem da FAPESP, outras agências financiadoras de pesquisa (FINEP, CNPq), a Pró-Reitoria da USP, o Instituto de Química e, agora que iniciamos o procedimento em pacientes diabéticos, o Hospital Albert Einstein também tem nos apoiado.
DN: Quem estiver interessado na continuidade deste projeto, pode fazer algum tipo de doação?
Dra. Mari Cleide Sogayar: Sim, basta depositar em nome da Universidade de São Paulo-NUCEL (Núcleo de Terapia Celular e Molecular), em qualquer agência do Banco do Brasil.
Agência: 1897 – X
CC: 5.670-7
Encerramos a primeira parte da nossa entrevista mostrando o trabalho desenvolvido no Institudo de Química da USP pela equipe da Unidade de Ilhotas Pancreáticas Humanas (UIPH), com a coordenadora do grupo, Dra.Mari Cleide Sogayar.
Na segunda parte estaremos publicando entrevista com o Dr. Carlos Mayora Aita, um dos responsáveis pelo processo de separação, purificação e tratamento das ilhotas no laboratório da UIPH.
Sinceros parabens à dra Mary Cleide Sogayar e dr Carlos Mayora Aita, bem como à toda equipe.
Sou portadora de diabetes Melitus( tipo2) e sei o que isso representa para quem o é. À 2 meses fiz uma colicistectomia, onde foi retirada minha vesícula já gangrenosa, com 21 cálculos. Talvez eu não chegue à me beneficiar com essa maravilha que vcs estão implantando pois tenho 64 anos, mas na certa meus filhos e netos chegarão, se tiverem essa herança... Obrigada, que Deus os abençoe. e ilumine cada vez mais essa ciência.
dorothy 17/1/2010 - 13:00
Sinceros parabens à Dra Mary Cleide Sogayar ,ao dr Carlos Mayora Aita bem como à toda equipe médica. Sou portadora de diabetes melitus(tipo 2) e sei o qque isso representa para quem o é. à 2 meses fui submetida à uma colicistectomia de emergencia onde foram retirados 21 cálculos da minha vesicula que estava gangrenosa. Talvez eu não venha a me beneficiar dessa maravilha que vcs estão implantando, mas com certeza meus descendentes , caso venham à ter diabetes vão usufruir. tenho 64 anos e sou dibética à 24 anos.
Deus os abençoe por essa escolha na medicina, e ilumine cada vez mais essa ciência.
anajara 2/3/2010 - 16:48
Parabéns!A toda equipe da Dr.Mary.Fico feliz de ter pessoas preocupadas e decididas a contribuir para soluções,mesmos que parciais do diabetes.Tenho um sobrinho com a D.tipo 1,é complicadissimo...está sempre em descontrole,o tratamento é realizado por uma Dr. que nos orienta bem e graças a Deus que minha irmã tem dom para cuidar bem do Maheus,precisa-se encontrar a cura.E vejo que está bem proxima.
anajara 2/3/2010 - 16:56
Parabéns!A toda equipe da Dr.Mary.Fico feliz de ter pessoas preocupadas e decididas a contribuir para soluções,mesmos que parciais do diabetes.Tenho um sobrinho com a D.tipo 1,é complicadissimo...está sempre em descontrole,o tratamento é realizado por uma Dr. que nos orienta bem e graças a Deus que minha irmã tem dom para cuidar bem do Maheus,precisa-se encontrar a cura.E vejo que está bem proxima.