Entrevista com Dr. Salvador Gullo - Diabetes, Vida e Comunidade

Entrevista com Dr. Salvador Gullo

06/05/2003 - DiabeteNet.Com.Br


Entrevistamos o Dr.Salvador Gullo Neto, médico ( Cirurgião do Aparelho Digestivo / Cirurgião responsável pelo programa de Transplante Pancreático ) do Hospital São Lucas da PUC-RS, que nos fala sobre o programa de transplantes de pancrêas, que vem sendo realizado neste hospital.



DiabeteNet.Com.Br: Quando e como se iniciou o programa de transplantes de pancrêas no Hospital São Lucas da PUC-RS ?

Nosso programa iniciou em forma de projeto em meados do ano de 2000 por iniciativa de um colega, o Dr.David Saitovitch que é nefrologista com larga experiência em transplante renal. Num projeto conjunto, iniciamos a organizar os protocolos e diretrizes de funcionamento. Passamos por um período de treinamento específico e em meados de junho de 2002 realizamos o nosso primeiro transplante simultâneo de Pâncreas-rim.

DiabeteNet.Com.Br: Quais são os critérios adotados pelo sr. e sua equipe que determinam se um paciente tem ou não indicação para o transplante de pancrêas ?

Utilizamos como critérios os internacionalmente aceitos. Para os pacientes com insuficiência renal crônica e insulino-dependentes, indicamos o transplante duplo. Nos pacientes diabéticos tipo 1 já transplantados de rim com sucesso (mínimo de 3 meses) indicamos o transplante de pâncreas pós-rim. Nos pacientes diabéticos tipo 1 com complicações metabólicas no manejo de sua doença, ou nos pacientes que tem complicações crônicas do DM, indicamos o Tx isolado de pâncreas.

DiabeteNet.Com.Br: Como o sr. avalia a importância do periodo em que esteve fazendo um estágio em SP, com os Drs.Marcelo Perosa e Tércio Genzini, reconhecidamente dois grandes cirurgiões de tx de pancrêas ?

No período que estive em São Paulo aprendi a base de todo o meu conhecimento. Com o passar do tempo, os refinamentos vem as custas de estudo e atualização. No entanto, a experiência bem sucedida dos Drs. Marcelo Perosa e Tércio Genzini certamente foi um grande impulso para o nosso programa.

DiabeteNet.Com.Br: No tocante a doadores, este é um dos problemas enfrentados por vocês que dificultam a realização de mais transplantes ?

Felizmente no estado do Rio Grande do Sul temos um número razoável de doadores por ano (+/- 120) e uma lista de espera para pâncreas ainda muito reduzida. Como o Tx de Pâncreas ainda é pouco divulgado em nosso estado, o número de doadores que temos é suficiente para realizarmos os Txs em condições muito boas, utilizando apenas doadores em condições quase ideais. O tempo de espera em lista no nosso estado está em torno de 2-3 meses para o Tx duplo. Certamente com a maior divulgação de nosso programa, a lista de espera vai aumentar e o tempo de espera pelo órgão aumentará proporcionalmente. Nesta situação talvez se crie a necessidade de utilizarmos pâncreas considerados “não ideais”.

DiabeteNet.Com.Br: O acompanhamento psicológico de um paciente, no pré e pós transplante é algo que o sr. considera importante ? Porquê ?

O acompanhamento psicológico é considerado por nós essencial. O candidato a transplante é um paciente com uma história de muito sofrimento ao longo de sua vida. A espera pelo transplante também é muito estressante. O próprio transplante é rodeado por muitas dificuldades físicas (cirurgia, UTI) e psicológicas (fantasia quanto ao órgão/doador). Por estes motivos consideramos o acompanhamento psicológico muito importante desde o período de avaliação pré-operatória, até as fases mais tardias pós-Tx.

DiabeteNet.Com.Br: Os novos imunossupressores constituem um fator de grande importância no protocolo utilizado pelo sr. nos tx de pancrêas ?

Com certeza. Um dos alicerces da transplantação pancreática moderna, além das melhorias das técnicas cirúrgicas, são os novos esquemas de imunossupressão. Atualmente os índices de rejeição ao transplante de pâncreas são muito reduzidos graças a introdução destas novas drogas no tratamento de nossos pacientes.

DiabeteNet.Com.Br: O transplante de pancrêas pode ser considerado a cura definitiva para o diabetes, ou trata-se de uma excelente opção de tratamento para o diabético, que já possui complicações ou um diabetes de dificíl controle ?

No atual momento, acredito que o transplante de pâncreas é a melhor opção de tratamento para os diabéticos tipo 1 com complicações crônicas e metabólicas. Como o paciente vai precisar de imunossupressores pelo resto da vida, não utilizaria o termo cura.

DiabeteNet.Com.Br: Qual sua opinião a respeito do protocolo que adota a retirada dos corticóides ?

A idéia é maravilhosa. Se tivermos um protocolo que retire o corticóide precocemente e mantenha a atual eficácia do regime anti rejeição, certamente será o nosso protocolo de escolha. O tratamento com corticóide também é responsável por complicações a longo prazo e se for possível eliminá-lo precocemente protegeríamos nossos pacientes destas complicações.
No momento atual estamos aguardando resultados mais sólidos para adotá-los rotineiramente.


DiabeteNet.Com.Br: O que o sr.diria á um diabético que se enquadra nos critérios exigidos para o transplante e quer fazê-lo ?

Diria que o transplante de pâncreas é a melhor alternativa para os pacientes com complicações secundárias ao DM. Sua eficácia e segurança proporciona, à maioria dos pacientes, uma melhora na qualidade de vida e na sobrevida dos mesmos.
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