Síndrome X - Diabetes, Vida e Comunidade

Síndrome X

31/08/2003 - Diário de Pernambuco

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Cleide Galdino
Da equipe do DIARIO

Ela é silenciosa, não provoca qualquer sintoma aparente por muito tempo, mas quando seus efeitos se manifestam podem ser fatais. Conhecida como Síndrome X, é um dos principais problemas de saúde pública nos Estados Unidos, onde afeta 47 milhões de pessoas. No Brasil, a estimativa é que cerca de 25 milhões estejam com o problema, embora a esmagadora maioria nem desconfie. A síndrome é definida como uma série de fatores de risco que deixam os indivíduos mais predispostos a desenvolverem diabetes e graves doenças cardiovasculares, como infarto, angina, além de derrame cerebral.

Os principais fatores de risco são obesidade, gordura abdominal, hipertensão, níveis elevados de LDL e VLDL (mau colesterol) e intolerância a glicose (estado pré-diabético). "A Síndrome se caracteriza pela combinação de todos esses fatores de risco", explica o professor de cardiologia da Faculdade de Ciências Médicas da UPE, Creso Abreu Falcão. Segundo o cardiologista, que também é coordenador científico do Hope Cardio, o conjunto defatores é conhecido ainda como Síndrome Plurimetabólica e a obesidade é, na maior parte dos casos, o seu carro-chefe.

"Prevenir é a melhor maneira de combater as graves doenças provocadas pela associação desses fatores. É melhor para o paciente, que pode deixar de desenvolver doenças incuráveis, e para o governo, que não vai precisar gastar milhões para tratá-las", diz o médico. O problema é que a prevenção requer mudança de hábito de vida. Isso inclui ter uma dieta saudável, reduzir o consumo de sal, açúcar e gordura, evitar álcool em excesso e fumo, e fazer atividade física regularmente. Essa mudança é encarada como um sacrifício muito grande para quem (pelo menos inicialmente) não está sentindo nada. "Por isso, a maioria das pessoas só procura ajuda quando alguma doença já está instalada e em processo avançado. Parece que precisamos sofrer para ir ao médico", observa. Foi o que aconteceu com o ex-bancário João Mário de Andrade Pinto, 50 anos, que só procurou o médico quando teve um princípio de infarto, há cinco anos. "Eu era fumante, estava acima do peso ideal e comia muito e de tudo", lembra João, que hoje tenta controlar, com remédios, as taxas de triglicerídeo e colesterol, além do peso. "Tomo onze comprimidos por dia", acrescenta. Assim como João, a dona de casa Maria do Socorro Alves, 65, também era uma clássica portadora da Síndrome X até descobrir, há cinco anos, que havia se tornado diabética. "Já tive até neuropatia diabética. Hoje, tenho dieta regulada, mas também preciso tomar remédio para manter a diabetes e a hipertensão sob controle", diz.

Uma das formas para avaliar o risco para a Síndrome Plurimetabólica é o cálculo do Índice de Massa Corpórea (IMC), obtido através da medida do peso da pessoa dividido pela sua altura (em metros) ao quadrado. "Resultados de IMC entre 20 e 25 são considerados normais, de 25 a 30 é sobrepeso e acima de 30 é obesidade", informa o cardiologista Carlos Melo, coordenador do serviço de cardiomiopatias (doenças do músculo do coração) do Hospital UniversitárioOswaldo Cruz. O especialista do HUOC adianta que a obesidade ainda pode ser classificada como moderada (IMC de 30 a 34,9), grave (de 35 a 39,9) e mórbida (IMC acima de 40).

A medida da circunferência da cintura também é considerada pelo cardiologista como uma boa maneira de analisar a possibilidade da pessoa ter a síndrome. "Medidas acima de 102, nos homens, e 88, nas mulheres, já caracterizam fatores de risco", explica Carlos Melo. Para o médico, a simples associação de apenas três fatores é suficiente para disparar o gatilho da alta probabilidade de desenvolver doenças do coração. "Obesidade abdominal, hipertensão e alta taxa de triglicerídeo e/ou colesterol ruim já representa a Síndrome Plurimetabólica, ou Síndrome X", adianta o cardiologista.
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