Chat com Dr. James Shapiro que fala-nos sobre os avanços em suas pesquisas - Diabetes, Vida e Comunidade

Chat com Dr. James Shapiro que fala-nos sobre os avanços em suas pesquisas

22/09/2003 - Comunidade DiabeteNet.Com.Br


A seguir, parte do chat do qual participou o Dr. James Shapiro e quando tivemos oportunidade de levar algumas das inúmeras perguntas dos membros da nossa comunidade.

Vale destacar que trata-se de uma tradução do original promovido pela Insulin-Free Fundation, entidade que reconhece e apoia iniciativas como a Comunidade DiabeteNet.Com.Br e reconhece nos nossos especialistas os melhores do mundo em rumo à "Cura do diabetes"


chat




Deb Buterfield – estamos honrados em ter o Dr. James Shapiro como nosso convidado no Diabetes Station, hoje à noite! O Dr. Shapiro é o diretor do programa clínico de transplantes de ilhotas da Universidade de Alberta, em Edmonton, e também o diretor clínico de experências clínicas em imunossupresssão da Immune Tolerance Network (ITN ). Sob a liderança do Dr. Shapiro, através do programa clínico de transplantes de ilhotas na Universidade de Alberta, em Edmonton, foi desenvolvido o protocolo de Edmonton, para o transplante de ilhotas. Seguindo esse sucesso, o Dr. Shapiro foi nomeado como pesquisador chefe de experiências do ITN para o protocolo de Edmonton, que provou que poderia ser reproduzido em outros locais do mundo. Bem vindo ao nosso “chat” esta noite, Dr. Shapiro.


DR. JAMES SHAPIRO - Boa noite. Estou muito honrado em estar participando esta noite do chat no Diabetes Station.


João DiabeteNet - Dr. Shapiro, com a falta do pâncreas para o transplante, a terapia genética seria a solução ? Ou esta é uma alternativa controversa devido ao uso dos embriões para a pesquisa?


DR. JAMES SHAPIRO – João DiabeteNet, terapia genética permanesce sendo uma idéia atrativa, mas algumas experiências infelizes com pesquisas avançadas há um ou dois anos atrás, causaram controvérsia. Mas isto não é, certamente, o fim desta oportunidade e já existem muitos resultados promissores em modelos animais pequenos e grandes. As células-tronco de embriões têm um potencial enorme para a geração de células produtoras de insulina. Eu estou certo que isto acontecerá com o tempo; o que eu não posso prever ao certo é quando isto acontecerá. Os resultados que usam ilhotas através de xenotransplante (de porcos para primatas) têm melhorado notavelmente nos últimos tempos. A boa notícia é que estão acontecendo muitas experiências promissoras.


LINDA - por que os transplantes são limitados àqueles pacientes com hipoglicemias severas? E os que sofrem de outras complicações sérias como neuropatia periférica e danos na retina?


DR. JAMES SHAPIRO – Linda, nós transplantamos ocasionalmente pacientes com complicações progressivas. O que está claro é que os pacientes com diabete hiperlábil, que correm risco de morte ou grandes variações do nível de glicose no sangue e que ainda não possuem complicações secundárias, assimilam melhor um enxerto de ilhotas. Em termos de dano nos nervos, nossa preocupação maior está com pacientes que têm gastroparesias. Se eles vomitam muito freqüentemente, podem eliminar as pílulas de imunossupressores.


JO ANNA – Em quanto tempo o FDA irá licenciar o transplante de ilhotas nos Estados Unidos?


DR. JAMES SHAPIRO - Jo Anna, nós estamos explorando atualmente esta oportunidade com o FDA. Eu estou convencido de que irá ser aprovado em um ou dois anos, baseado nos dados de sucesso e nos excelentes resultados obtidos.


ROBERT - Dr. Shapiro, há algum critério para ser candidato para um transplante de ilhotas?


DR. JAMES SHAPIRO - Robert: Há certamente alguns critérios para a consideração de um transplante de ilhotas. Estes critérios variam de entre centros e certamente entre protocolos.

* 1. Diabetes do tipo 1 (idade entre 18-65)
* 2. Hipoglicemias desavisadas
* 3. Diabetes lábil (apesar de todos os esforços para manter a glicemia regular)
* 4. Indícios de complicações progressivas do diabetes, tais como problemas na visão, nos rins, nos nervos ou nos vasos sanguíneos
* 5. Portadores de diabetes por pelo menos cinco anos
* 6. Residente no Canadá
Você será inelegível para a participação se algum ítem seguinte se aplicar:
* 1. Você possui doença cardíaca severa (por exemplo ataque do coração ou evidência recente de artérias obstruídas do coração)
* 2. Abuso de álcool ou de drogas
* 3. Fumar atualmente (deve ser abstinente de fumar por pelo menosseis meses)
* 4. Infecção ativa, incluindo o hepatite C, hepatite B, HIV ou tuberculose
* 5. Algum histórico de câncer, exceto o câncer de pele
* 6. Obesidade
* 7. Teste positivo de gravidez, intenção para gravidez futura, ou falha em seguir os métodos anti-concepcionais
· 8. Transplante precedente


DR. JAMES SHAPIRO - devo acrescentar que estes itens são válidos para quem quiser fazer transplante de ilhotas no Canadá.


DAVER - Dr. Shapiro, me parece que com o sucesso do transplante de ilhotas, acendeu-se uma luz sobre o xenotransplante. A Universidade de Alberta está trabalhando nesse sentido também?


DR. JAMES SHAPIRO - Daver. A Universidade de Alberta está pesquisando o xenotransplante, assim como um grande número de otras instituições. Nosso programa clínico visa pesquisar resultados para melhorar a segurança e eficácia para nossos pacientes. Permanece, portanto, fora do foco principal o xenotransplante.


João DiabeteNet - Dr. Shapiro, por que alguns receptores conseguem se livrar da insulina após um transplante e outros requerem dois ou três infusões?


DR. JAMES SHAPIRO - esta é uma pergunta excelente João DN. Por que alguns necessitam apenas um transplante, e outros necessitam mais? A resposta é bastante complexa. Depende da qualidade do pâncreas do doador, da estabilidade e do tipo de enzima “collagenase” usados para separar as ilhotas do pâncreas, do número e da qualidade das ilhotas depois que foram separados e purificadas, e quantas sobrevivem à cultura antes que sejam injetadas no paciente. Uma vez que estão no paciente, depende então de como organismo do receptor as deixa se estabelecer lá dentro e da qualidade da nova oxigenação que irão receber e da qualidade da nova vascularização formada com sua acomodação no novo organismo. Por outro lado, depende geralmente do peso do paciente (número de ilhotas necessárias em função do peso de corpo), e, particularmente, de quantas unidades de insulina por dia a pessoa necessita (sensibilidade à insulina). Em geral, uma pessoa pequena, que usa pouca insulina por dia tem mais chance de sucesso no primeiro transplante do que uma pessoa maior que tenha mais resistência à insulina. Eu estou certo de que poderemos melhorar neste no ano, ou nos dois seguintes, porque há muitos cientistas internacionais proeminentes que estão utilizando todos seus esforços para resolver estes problemas. Eu digo: - acontecerá!
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Comentários sobre este conteúdo

  • Eliane
    25/03/2009 - 11:46

    Gostaria de receber email a respeito de transplante de ilhotas

  • juliana
    23/06/2010 - 12:22

    UM DIABETICO PODE COMER CARNE OU PEIXE?

  • Giovan
    26/11/2010 - 20:10

    Dr, tenho diabetes à 17 anos e gostaria de saber em quais casos deve-se fazer algum tipo de cirurgia e se qualquer pessoa diabética pode fazer tal procedimento cirúrgico?

  • Lívia
    11/01/2012 - 12:42

    Dr. fiz minha defesa sobre celulas tronco como terapia alternativa para a diabetes mellitus e gostaria de obter maiores conehcimentos e, dessa forma, poder ajudar minha mãe e, se possivel, conseguir marcar uma consulta como o senhor. Como faço p obter seus contatos?? aguardo retorno. Por favor

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