Entrevista com Dr. Adriano Miziara Gonzalez, responsável pela equipe de transplantes de pâncreas/rim do Hosp. São Paulo - Diabetes, Vida e Comunidade

Entrevista com Dr. Adriano Miziara Gonzalez, responsável pela equipe de transplantes de pâncreas/rim do Hosp. São Paulo

30/10/2003 - Comunidade DiabeteNet.Com.Br


Entrevista com o Dr. Adriano Miziara Gonzalez, responsável pelo setor de transplantes de pâncreas/rim do Hospital São Paulo, que nos fala sobre seu trabalho neste hospital famoso por ser o maior centro transplantador de rim do mundo - Hospital do Rim e Hipertensão.

DiabeteNet: Qual o envolvimento do HSP com transplante pâncreas?
Dr. Adriano: O Hospital São Paulo é um hospital público, mantido pelo governo federal, vinculado à Escola Paulista de Medicina – EPM - e que é muito envolvido com a área de transplantes, principalmente através do seu maior expoente que é o Hospital do Rim e Hipertensão, atualmente o maior serviço de transplante de rim do mundo, não deixando de ser, entretanto, um grande centro de referência em transplantes de pâncreas e outros tipos de transplantes.

DiabeteNet: Quando se iniciou o interesse do HSP em transplante de Pâncreas?
Dr. Adriano: Apesar do interesse do Hospital São Paulo em transplante de pâncreas já vir de longa data, nosso programa iniciou-se efetivamente há três anos.

DiabeteNet: Devido às dificuldades para conseguirem-se órgãos, qual o tempo médio de espera no HSP para um transplante duplo?
Dr. Adriano: Este é uma informação que varia bastante de paciente para paciente, mas o que posso assegurar é a seriedade do processo de seleção para a escolha do paciente receptor quando surge um órgão para transplante.

DiabeteNet: Este item é IMPORTANTÍSSIMO e gostaríamos que o senhor explicasse para o nosso público sobre a “Fila Única” da Secretaria da Saúde.
Dr. Adriano: Existe, por parte de algumas famílias ou pacientes, a queixa de achar que “está sendo passado na frente”.
Quanto a este receio, eu posso assegurar que não tem fundamento. Eu pertenço à Secretaria da Saúde - como representante do transplante de Fígado e de Pâncreas da EPM – e posso assegurar que se trata de um processo altamente discutido e muito sério e eu, particularmente, nunca vi sequer um fato em que tivéssemos que nos reunir para discutir. A FILA ÚNICA é muito séria e a ordem é eticamente respeitada.


DiabeteNet: O HSP lida com verbas federais bastante limitadas e é necessário otimizar os procedimentos para que estes proporcionem o máximo de benefícios ao maior número de pacientes, com o mínimo de gastos possíveis. Baseado nesta realidade, está sendo realizando o transplante de pâncreas isolado, visto que este é encarado pela maioria dos órgãos de saúde do governo - e até mesmo pelos planos de saúde - como um procedimento não tão necessário?
Dr. Adriano: Nós somos uma universidade e como toda entidade acadêmica, somos muito criteriosos na indicação para o transplante. Para ter-se uma idéia, nós fizemos 60 transplantes de pâncreas/rim e nenhum transplante de pâncreas isolado. Porque? O transplante simultâneo de pâncreas/rim já não tem mais a sua indicação discutida, ou seja, não há mais dúvidas quanto ao seu benefício e os nossos resultados são ótimos, similares aos melhores centros transplantadores do mundo.
Quanto ao transplante de pâncreas isolado, nós concordamos que existe indicação, entretanto não somos tão liberais quanto a maioria dos centros transplantadores. Isto não quer dizer que não iremos fazer. Nós iremos, só que com indicações bem mais restritas do que as de outros centros, ou seja, iremos continuar obedecendo aos nossos critérios acadêmicos rigorossíssimos.


DiabeteNet: A princípio, qual paciente será escolhido para o transplante de pâncreas isolado?
Dr. Adriano: Para o TPI existem dois grupos: um em que o paciente já fez o transplante de rim, e neste caso entra uma questão filosófica, pois é necessário saber se o paciente quer fazer um novo transplante e o outro é o grupo de diabéticos antes das complicações secundárias estarem completamente estabelecidas e com isso iremos tentar evitar que estas complicações venham a acontecer. Como já falei, somos altamente criteriosos e, apesar do Hospital São Paulo ser uma referência no tratamento em diabetes, o Dr. João Roberto de Sá, endocrinologista coordenador do grupo de transplante de pâncreas do HSP, ainda não conseguiu selecionar pacientes adequados para este tipo de transplante visto a complexidade que envolve esta seleção, ou seja, é preciso levar em conta custos importantes tais como o alto risco da cirurgia e os riscos da imunossupressão. Em resumo: nós vamos fazer o TPI, mas não com a mesma facilidade de seleção que acontece em outros centros.

DiabeteNet: O medicamento imunossupressor “Tacrolimus” é um medicamento nefrotoxico, ou seja, ele pode causar danos aos rins. Por que ele vem sendo utilizado em lugar a Ciclosporina nos transplantes duplos?
Dr. Adriano: Bem, eu também sou responsável pelo transplante de fígado e neste tipo de transplante não existe uma comprovação clara dos benefícios do Tacrolimus em relação à Ciclosporina, mas em relação ao transplante de pâncreas/rim, estes benefícios se mostraram claros logo nos nossos primeiros transplantes. Nos nossos primeiros quinze transplantes utilizamos Ciclosporina e o índice de rejeição foi grande, fato que se reverteu totalmente quando passamos a usar Tacrolimus.

DiabeteNet: Existe algum estudo para abolir-se o uso de corticóides, já que o SUS está fornecendo Sirulimus para alguns tipos de transplantes?
Dr. Adriano: Como já falei, somos bastante criteriosos em qualquer procedimento que façamos e atualmente existe uma gama bastante grande de protocolos imunossupressores. Isto quer dizer que nenhum deles é o “ideal”, senão somente haveria aquele. Nosso protocolo utiliza corticóides e estamos obtendo bastante sucesso, portanto, não estamos pensando em retirar este medicamento do nosso protocolo imunossupressor, a não ser que outro protocolo se comprove superior.

DiabeteNet: O tipo de derivação que vai ser utilizada para desprezar o “suco pancreático” do novo pâncreas é um fator que pode determinar o sucesso ou não do transplante, visto que na derivação vesical é mais fácil determinar a rejeição e controlá-la a tempo e na derivação entérica o paciente sofre menos complicações pós-operatórias tais como infecções urinárias. Qual o tipo utilizado pelo HSP?
Dr. Adriano: Esta é uma pergunta interessante, pois eu tenho sido bastante requisitado para falar sobre este assunto em palestras e eu sou um “defensor” da derivação entérica, apesar de que no centro aonde eu fiz minha especialização em transplante de pâncreas – Universidade de Miame - , ter utilizado mais a derivação vesical. Nós do HSP começamos a fazer a derivação entérica com bastante sucesso e esta escolha deveu-se a um índice de complicações bem menor no paciente, com menos infecções urinárias, menor tempo de internação na fase pós-operatória e menos retornos ao hospital devido a complicações e estes fatores foram decisivos para nossa escolha. Entretanto, fica difícil definir qual o melhor método. No nosso caso o melhor para o paciente foi a derivação entérica, mas isto não quer dizer que este seja definitivamente o melhor método.

DiabeteNet: A irrigação portal do pâncreas transplantado está ganhando bastante espaço, principalmente para pacientes que já sofreram transplante anterior. Como o senhor vê esta nova técnica?
Dr. Adriano: Temos tido bastante sucesso alocando o novo órgão na cava, ao invés de utilizar esta nova técnica. Este sucesso foi tanto que nos últimos dez transplantes utilizamos a cava como local de alocação do pâncreas. Pretendo apresentar estes meus resultados brevemente.

DiabeteNet: O senhor tem mais alguma coisa a acrescentar?
Dr. Adriano: O que eu tenho a dizer é que nós estamos muito felizes com os resultados do nosso programa de transplantes de pâncreas/rim e que o transplante de pâncreas isolado precisa ser muito bem estudado, diferentemente do pâncreas/rim que já é um procedimento bem estabelecido. Os benefícios do pâncreas isolado precisam ser muito bem estabelecidos para que não ocorra um prejuízo do nosso maior bem, que é o paciente.

Encerramos esta entrevista gentilmente concedida ao site DiabeteNet.Com.Br pelo Dr. Alexandre e convidamos às pessoas que tiveram qualquer dúvida sobre os transplantes de pâncreas/rim a escreverem para o nosso faleconosco@diabetenet.com.br, ou procurem também o Dr. Alexandre Miziara Gonzalez, rua Gal. Mena Barreto, 803, fone: (11) 3887-3449
A Comunidade DiabeteNet.Com.Br tem como finalidade informar e interagir com os seus usuários. Antes de qualquer decisão ou atitude, é indispensavel a discussão sobre os pontos aqui abordados juntamente com médicos de sua confiança.

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Comentários sobre este conteúdo

  • renata
    14/10/2012 - 13:33

    adorei o esclarecimento q vcs publicarao sou diabetica desde os 4anos de idade hoje tenho 29anos

  • Marcia
    12/07/2014 - 04:33

    Quem quiser saber sobre transplante de pâncreas e pâncreas e rim e como se inscrever na lista deve ligar para o telefone 11 3541-1269 ou 11 3541-1698 e conversar com o enfermeiro Márcio.

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