"Transplante de Ilhotas": Você sabe o que é isso? Uma matéria completa para você ficar por dentro. - Diabetes, Vida e Comunidade

"Transplante de Ilhotas": Você sabe o que é isso? Uma matéria completa para você ficar por dentro.

14/11/2003 - Comunidade DiabeteNet.Com.Br


O primeiro transplante de pâncreas do mundo foi realizado em 1966, no Brasil, e agora, comprovando a capacidade e o pioneirismo de nossos pesquisadores, estamos mais uma vez na ponta das pesquisas e já realizamos o nosso primeiro transplante de ilhotas. Nossos colaboradores, Drs. Marcelo Perosa, Tércio Genzini e Dra. Irene Noronha, fazem parte da equipe multidisciplinar chefiada pelo nosso ilustre Dr. Freddy Goldberg e a Comunidade DiabeteNet.Com.Br preparou matéria especial para que você fique mais interado dessa nova tecnologia que fala sobre "a cura do diabetes".


Transplante de Ilhotas

Preliminares

A glicose, uma forma simples de açúcar, é a fonte principal de energia do corpo humano. Normalmente, é armazenada dentro das células e é libertada quando necessária. A insulina é uma substância química que ajuda a glicose, transportada pelo sangue, a penetrar nas células. Pessoas com diabetes do tipo 1 produzem pouca ou nenhuma quantidade de insulina. Assim, a glicose não entra eficazmente nas células, mas permanece em níveis elevados no sangue. Para manterem-se vivas, e sentirem-se bem, pessoas com diabetes do tipo 1 têm que fazer aplicações de insulina para controlar a glicose no sangue Mas agora uma terapia experimental chamada transplante de Ilhotas promete ajudar essas pessoas, que passarão a produzir sua própria insulina, evitando a amolação e o desconforto das injeções diárias.

Quebra da glicose no estomago

O papel do pâncreas no diabético

O pâncreas é uma glândula do tamanho de uma mão. Localiza-se atrás da parte baixa do estômago e produz duas enzimas principais:

Transplante de Pâncreas
"Suco Pancreático" composto por substâncias químicas especiais chamadas enzimas digestivas que ajudam a digerir o alimento nos intestinos

Hormônios, tais como a insulina, que ajuda a controlar a quantidade de glicose no sangue

São libertadas as enzimas do suco pancreático nos intestinos onde estas trabalham para "quebrar" as proteínas, gorduras, e açúcares dos alimentos, fazendo com que o organismo possa absorvê-los melhor. A maioria dos carboidratos complexos que comemos já está decomposta em açúcares simples, tais como a glicose, que entra no fluxo sanguíneo. A insulina e a glicose, que estava armazenada no fígado e nos músculos para uso posterior, são transportados, então , pelo sangue até as células do corpo.

Como o corpo recebe a glicose

Dentro do pâncreas existem agrupamentos de células chamados "ilhotas de Langerhans". Estes consistem em várias variedades de células hormônio-produtoras. Os dois tipos principais são as células-beta, que produzem insulina e células-alfa, que produzem glucagon. Glucagon é um hormônio responsável pelo aumentodos níveis de glicose no sangue.

O que é o Transplante de Ilhotas ?

Implantação das Ilhotas no Fígado

No transplante de ilhotas, são retradas células-beta, insulino-produtoras, do pâncreas de um doador e transferidas para uma pessoa com diabete. Uma vez transplantadas, as ilhotas do doador começam a produzir e libertar insulina, regulando, assim, o nível de glicose no sangue.

Transplantes de pâncreas (órgão inteiro) foram realizados desde 1966 como um modo de normalizar a glicose em pessoas diabéticas, prevenindo complicações a longo prazo, tais como coração, insuficiência renal, inflamações nos nervos e danos nos olhos. O transplante de ilhotas é uma opção mais atraente porque a cirurgia é menos ofensiva e e pode ser feita sem a necessidade de longos períodos de ininternação. São precisas somente células de ilhotas para corrigir a falta de insulina. Mas também podem ser usados transplantes de pâncreas inteiros em pacientes cuja diabete causou danos aos rins. Nestes casos, ambos os órgãos - rim e pâncreas - são transplantados ao mesmo tempo.

Quais são os benefícios do transplante de ilhotas ?

Um transplante de ilhotas bem sucedido pode melhorar significativamente a qualidade de vida de um diabético. Até mesmo quando um diabético monitora cuidadosamente os níveis de açúcar no sangue, dosando a quantida de insulina através de injeções, ele sempre pode não administrar a quantia correta de insulina para proteger-se contra complicações sérias. Uma vez transplantadas, as ilhotas automaticamente monitoram e regulam o nível de insulina; até mesmo quando mudam as necessidades do corpo (por exemplo, depois de um exercício ou de comer).

Benefícios:

Pode eliminar a necessidade das freqüentes dosagens de glicose no sangue e a necessidade das injeções diárias de insulina;

Pode proporcionar maior flexibilidade no horário das refeições;

Pode ajudar a previnir as complicações a longo prazo causadas pela diabete, inclusive doenças do coração, nos rins, nervos e olhos.

Quais são os riscos do transplante de ilhotas ?

Como em qualquer transplante, a rejeição das células do doador é o maior desafio.

O sistema imunológico serve para proteger o corpo contra "invasores" ( ex.: bactérias e vírus). Até mesmo quando um tecido de doador é transplantado, o sistema imunológico do receptor o reconhece como "estranho", e tenta destruí-lo. Este ataque ao tecido do doador é chamado "rejeição".

Todos os receptores de transplante têm que tomar, para o resto da vida, drogas fortes para suprimir a resposta imune e prevenir-se contra a rejeição. Os efeitos, a longo prazo, destes imunossupressores ainda não são conhecidos, mas suspeita-se que eles possam causar câncer.

Como é um transplante de ilhotas bem sucedido ?

Os cientistas desenvolveram o processo para isolar ilhotas nos anos 70. As primeiras tentativas de transplante tiveram uma taxa de sucesso de apenas 8 por cento, que foi atribuída ao fato das drogas anti-rejeição disponíveis na época interferirem na produção de insulina.

Mas em 1999 uma tentativa, realizada na Universidade de Alberta, em Edmonton, Canadá, trouxe uma nova esperança aos diabéticos. Utilizando novas técnicas para selecionar e preparar ilhotas de doador ( que são extremamente frágeis ) e também com novas drogas anti-rejeição , os cientistas chegaram a uma taxa de sucesso de 100 por cento. Todos os pacientes do experimento ficaram livres da necessidade de insulina por pelo menos um mês. Dez desses 15 pacientes permanecem insulino-independentes até hoje e os outros cinco tiveram uma significativa redução na necessidade de insulina. O processo seguido por estes cientistas é chamado de "Protocolo de Edmonton" e ainda está sendo estudado em tentativas clínicas ao redor do mundo.

Sabe-se que atualmente cerca de 400 pessoas, no mundo inteiro, já receberam transplante de ilhotas, com diferentes graus de sucesso.

Qualquer diabético pode fazer o transplante de ilhotas ?

Tipicamente, os candidatos ao transplante de ilhotas estão entre 18 e 65 anos, tiveram diabete do tipo 1 por mais de 5 anos e estão tendo complicações tais como perdas freqüentes de consciência (devido à falta de insulina) e indícios de problemas futuros nos rins.

O transplante de ilhotas pode ser feita em qualquer hospital ?

Por ser ainda considerado uma terapia experimental, o transplante de ilhotas não está disponível em qualquer centro transplantador.. Atualmente há 17 centros norte-americanos que participam de programas de pesquisas com ilhotas. A Associação de Diabete Americana recomenda que os transplantes de pâncreas, ou o de ilhotas, somente sejam realizados nestes centros, que são melhor equipados para realizar os complexos exames médicos dos quais os pacientes de transplante necessitam.

Quais pesquisas estão sendo realizadas em transplante de ilhotas ?

Há duas áreas principais em foco na pesquisa do transplante de ilhotas: Obter bastante células para fazer o transplante e prevenir a rejeição.

Obter bastante células para o transplante é o desafio principal. São necessárias aproximadamente 1 milhão de células - o que equivale a dois pâncreas de doador. Como a necessidade ultrapassa o número de doadores, os cientistas estão estudando o uso de células de outras fontes, tais como tecido fetal, e animais como porcos. Os cientistas também estão tentando cultivar células humanas em laboratório.

Foram feitos muitos avanços no estudo de drogas imunossupressoras nos últimos 15 anos. Drogas mais novas - como o tacrolimus (FK506) e a rapamicina - causam menos efeitos colaterais e são menos prejudiciais que as drogas mais antigas como a ciclosporina e a predinisona. Os cientistas buscam continuamente desenvolver novas e melhores drogas imunossupressoras.

Os cientistas também estão trabalhando para desenvolver métodos de transplante de ilhotas que irão reduzir, ou eliminar, o risco de rejeição e a necessidade de immunosupressão. Uma das tentativas consiste em envolver as ilhotas com uma camada de um gel especial que impeça que o sistema imunológico do receptor reconheça e destrua as células do doador.

Tentativas clínicas

Uma tentativa clínica é um programa de pesquisa, administrado em pacientes, para avaliar novos tratamentos médicos, drogas ou dispositivos. Várias tentativas clínicas estão sendo realizadas para avaliar o transplante de ilhotas em pacientes com diabete. Elas incluem:

Um estudo geral do transplante de ilhotas que segue o "Protocolo de Edmonton" (patrocinado pelo National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases - NIDDK)

Um estudo para modificar procedimentos existentes de modo a permitir transplantes de ilhotas provenientes de um único pâncreas de doador, habilitando, assim, mais pacientes a serem tratados (patrocinado pelo National Center for Research Resources e Associação de Diabete Juvenil Internacional)

Um estudo para avaliar o transplante de ilhotas como uma terapia para hipoglicemia [baixo açúcar no sangue] (patrocinado pelo National Center for Research Resources)

O National Center for Research Resources, o National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases - NIDDK e a Fundação de Pesquisa de Diabete Juvenil Internacional estão buscando, também, estabelecer seis centros de estudos de ilhotas espalhados pelos Estados Unidos. Estes centros serão responsáveis por localizar órgãos de doadores, preparar as ilhotas para transplante e distribuir as células dentre os hospitais que participam das tentativas clínicas aprovadas.
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