Pacientes e médicos criticam CPI dos Órgãos - Diabetes, Vida e Comunidade

Pacientes e médicos criticam CPI dos Órgãos

14/12/2003 - O Estado de São Paulo


LUCIANA MIRANDA


A família Duran acredita no sistema de transplante de órgãos do País. Prova disso foi terem autorizado a doação de órgãos de Wanda Rosa Duran, de 72 anos, que teve morte encefálica depois de sofrer um derrame cerebral há três meses. Mas a instalação da CPI do Tráfico de Órgãos pode provocar desconfiança na população e diminuir o número de doações. Os prejudicados serão os pacientes que estão na fila de espera, como alerta a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO). Por isso, especialistas da entidade têm conversado sobre o assunto com deputados federais em Brasília.

"Aqui em casa, todos são pela doação", afirma Anita Rosa Duran, de 51 anos, filha de Wanda. "O que puder ser aproveitado que seja para ajudar outras pessoas." De Wanda, foram retirados os rins, o fígado e as córneas, o que significa que ela ajudou pelo menos cinco pessoas.

Como o Programa Nacional de DST/Aids, o de Transplantes é internacionalmente reconhecido como um bom exemplo. Desde 1997, o sistema foi organizado sob uma coordenação nacional com unidades nos Estados. Na prática, significa que não é qualquer médico que pode retirar órgãos e transplantá-los. Há equipes de captação de órgãos e outras que realizam os transplantes. A distribuição dos órgãos é feita seguindo fila única estadual, com base em critérios de compatibilidade entre doador e receptor e área geográfica em que estão.

Reflexos - Para o presidente da ABTO, José Osmar Medina Pestana, a abertura da CPI não se justifica. "Desde 1997, as equipes fizeram 30 mil transplantes, sendo que existe a possibilidade de irregularidade em 2 ou 3", diz. "E essa possibilidade está sob investigação do Ministério Público, do Conselho Federal de Medicina e da polícia." Medina explica que CPIs são para investigar problemas que ocorrem de forma sistemática, não como exceções.

O presidente da Comissão de Transplantes da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, Luiz Arnaldo Szutan, também teme prejuízos para o sistema de transplantes por causa de casos isolados. "A população não diferencia o crime da captação organizada de órgãos."

O paciente pode ter de esperar mais na fila dos transplantes se o temor dos especialistas se concretizar. "A espera é nervosa, sempre que saio de casa deixo um telefone para me encontrarem", conta Paulo Busse, de 48 anos, que está na fila do rim desde o ano passado.

A espera de Antonio Carlos Finardi, de 47 anos, por um fígado foi abreviada graças ao filho Fábio, de 27. "Ele ofereceu doar parte do órgão para mim." O fígado tem capacidade de se regenerar, por isso o transplante com doador vivo é possível. "Ainda estaria na fila se não fosse a doação do meu filho."

Finardi entrou na fila em dezembro de 2000 e tinha espera prevista de 3 anos e meio. "É angustiante ficar na fila de espera. Acredito que esse tempo poderia ser abreviado, se mais pessoas autorizassem a doação."
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