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Denúncia contra DiabeteNet.Com.Br

03/02/2004


A respeito de e-mail enviado por Ana luiza / heleno e manifestação do DiabetNet duvidando de casos de tráfico de órgãos, vai aqui um, embora tenho a certeza de que não vão publicar. Aliás, por isso mesmo será realizada a CPI. Por não haver espaços para denúncias pois o Ministério Público é omisso e corrupto em relação ao tema.


Meu filho foi ASSASSINADO por médicos de transplantes que estão sendo processados por homicídio doloso qualificado por motivo torpe, que ocorreu em Poços de Caldas.


Tenho o prontuário, laudos médicos e, acreditem se quiser: CHEQUES que comprovam o
comércio de órgãos EM LARGA ESCALA nos hospitais brasileiros. Nesta semana fui procurado por um delegado de polícia federal cuja filha foi vítima desta máfia. Estes dados e muitos outros colhidos através destes 4 anos, assim como o caso de Taubaté onde dezenas de pacientes foram ASSASSINADOS e os rins vendidos, serão demonstrados através de provas concretas e não suposições imaginárias, na CPI.


Casos como este poderiam ser resolvidos pela justiça em silencio sem que as doações fossem prejudicadas, porém, a omissão da imprensa e da justiça, não nos dá outra alternativa. E se acham que isso é "GRITAR", esperem pela CPI, porque lá eu vou gritar sim.


Abraços aos amigos revoltados e muito mal informados do DiabeteNet: Ana luiza / heleno


 Paulo Airton Pavesi


DIREITO DE RESPOSTA:


Caro Paulo


 


Inicialmente gostaríamos de nos solidarizar  com  sua dor, sabendo quanto deve ser difícil  a perda de um filho.


Não temos palavras para externar nosso sentimento, pois também somos pais.


O nosso repúdio é ao que foi colocado na mídia, em relação ao tráfico de órgãos, com  pessoas sendo aliciadas para serem doadores, em troca de vantagem pecuniária.


Neste contexto, apareceu um aproveitador para se colocar como arauto em defesa da sociedade, sem nada conhecer de transplantes e nem quais são os procedimentos médicos e como funciona a lista de espera.


Sabemos que não sabemos de tudo que ocorre no mundo , mas procuramos nos informar de tudo que acontece, dentro de nossas possibilidades.


A atual legislação  que regulamenta os transplantes no Brasil procura cercar, de todas as maneiras, a possibilidade de comercialização de órgãos.


No caso de transplantes, nos quais surgiram dúvidas quanto ao procedimento médico, em relação ao doador, até hoje só nos foi dado o conhecimento de dois casos: um deles em Taubaté e o outro infelizmente o de seu filho, na cidade de Poços de Caldas.


Se mais casos aconteceram, não houve divulgação pela mídia ou concordamos com o senhor que  somos mesmo desinformados.


Mesmo que tenha havido mais casos, acreditamos que, levando em conta o grande número de transplantes realizados e vidas salvas, não podemos condenar o procedimento nem toda uma classe de MEDICOS que fazem da medicina um sacerdócio, para que vidas sejam resgatadas.


Se existem maus profissionais, que não honram o seu juramento e desrespeitam a vida, estes  merecem ser punidos com todo o rigor da  lei, inclusive com a cassação de seu diploma e passível de ser execrados por toda sociedade, pois são piores do que criminosos comuns, já que possuem a missão de salvar vidas e não de tirá-las.


Condenar indiscriminadamente toda classe de médicos transplantadores seria determinar a morte de inúmeras vidas que se agarram à oportunidade da operação, para sonhar em ter um pouco de dignidade  na sua vida.


Da mesma forma, não devemos condenar todos os sacerdotes ou pastores porque  um pequeno número deles é acusado de pedofilia, nem condenar todos os engenheiros porque alguns não desempenham sua profissão com zelo e suas obras vão desabar e ceifar vidas humanas.


Assim por diante, em todos os ramos de atividades que têm nas mãos o destino de vidas.


O que temos que fazer é separar o joio do trigo.


Que este joio seja exemplarmente lançado à fogueira.


Sua luta, dentro desta perspectiva, deixa-nos solidários.  


O que combatemos com veemência é que pessoas, sem preparo nem conhecimento do problema e dos envolvimentos vitais que acarreta um transplante, com interesse apenas em ter seus nomes veiculados para que seus eleitores lembrem de sua existência, vêem  a público, sob a luz dos holofotes das televisões, bradar para que todo o sistema nacional de transplante seja examinado numa CPI.


Ora,quanto a CPI, todos nós sabemos que se queremos não resolver alguma coisa que se forme uma .


 Perguntaríamos a todos:


 Algumas destas CPIs  chegaram  a um resultado final, punindo todos os culpados?


Ou ficaram apenas na superficialidade dos casos avaliados, não levando à cadeia ou a execração pública os grandes e verdadeiros criminosos?


Quem não se lembra das CPIs do roubo de cargas, do tráfico de drogas?


A que conclusão chegaram? Será que não há mais roubo de carga ou tráfico de drogas? Quantos envolvidos foram presos ou estão presos ? 


Por motivos profissionais, tivemos  que acompanhar os trabalhos de uma CPI, onde seria ouvido um cidadão acusado de conduta irregular.


Toda a mídia estava preparada, câmeras e microfones a postos, quando o advogado do réu  apresentou uma liminar, impedindo que imagens do depoente fossem gravadas.


Resultado: os membros da CPI desistiram de ouvir o cidadão, porque sem câmeras eles não teriam mídia, resolveram marcar para outro dia o depoimento, enquanto iriam tentar derrubar a liminar em questão.


É esse o método usado pelas inúmeras CPIS da vida...


Claro que deve existir algumas que são sérias e seus membros procuram com zelo responder a responsabilidade a que foram chamados.


Pela nossa experiência com CPI, enfim, não nos ficou boa impressão quanto a resultados. 


Neste panorama todo, o que nos aflige é ver médicos, que não medem esforços, sacrificando a sua vida, seu lazer e a de toda sua família,  para salvar vidas, sendo misturados e confundidos com  a escória que se beneficia do desespero dos pacientes nas filas de espera de órgãos.


O senhor deve ter visto o artigo neste site, em que é contada a SAGA do DR. Marcelo Perosa, em busca de um órgão, para que mais uma vida fosse salva.


O importante é frisar que a peripécia narrada no artigo é reproduzida por muitas e muitas vezes.


Sabemos da dedicação destas equipes, não por ouvir dizer, mas por vivencia  que tivemos, quando recebemos a graça de um transplante.


Vimos o esforço desta equipe, pois a operação, transplante duplo, pâncreas/rim, durou 9 h. e no dia seguinte a equipe estava a postos para mais uma operação do mesmo porte.


Seria justo obrigá-los  a  comparecer  ao “circo” de uma CPI?


Nada traria de útil, mas com certeza, poderia haver a perda de mais uma vida, que  dependeria de um transplante..                


Somos contra esse tipo de CPI, somos a favor que se busque justiça, punição para quem merecer, mas nos fóruns, que é um direito do cidadão ou seja: na JUSTIÇA e dentro do que determina a  LEI.


Estamos prontos para  CERRAR fileiras a seu lado para exigirmos da justiça e punição RIGOROSA  para quem feriu a lei e a Ética Medica, mas sempre tendo em vista que estaríamos lidando com uma exceção e que existe uma honrosa maioria envolvida e que não pode ser colocada no mesmo banco de réus.


É na justiça que devemos buscar nossos direitos e deveres de cidadão, pois pobre da sociedade que não obedece a Lei, não merece ser chamada de PAIS. 


Senhor Paulo, reafirmamos nossa solidariedade e admiração pela sua coragem mas não deixe que alguns maus profissionais enlameiem o trabalho digno e salvador da imensa maioria de transplantadores.


Um afetuoso abraço.


 


 Ana Luiza e Heleno

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