O diabético e o desemprego - Diabetes, Vida e Comunidade

O diabético e o desemprego

21/04/2004 - Comunidade DiabeteNet.Com.Br


Um dos tópicos mais discutidos de nosso “PONTO DE ENCONTRO” foi relativo a sugestão encaminhada pelo nosso colaborador JOSE NAZARENO em 19/02/2002, na sala SUGESTOES DA COMUNIDADE, com 252 leitores e 20 manifestações , para discussão da possibilidade do DIABETICO ter direito a aposentadoria especial, com a  participação ativa de toda comunidade.


Alguns defendendo a posição do José Nazareno e outros totalmente contrários, houve até alguém mais ferrenho dizia que o diabético, tipo 2, só apresentava complicações por não ter os devidos cuidados que a diabetes exige. E por ai foram as mais diversas opiniões.


Volto a este tópico, pois gostaríamos de que toda comunidade, tanto diabéticos como os ex-diabeticos, refletisse mais sobre aquele caso e complementando com o assunto da moda: “O DESEMPREGO”


Claro que não é um item de fácil solução, pois a maioria dos diabéticos quer fazer parte da sociedade, como um cidadão inteiro, sem diferenciação, já que ele é tão capaz como alguém sem diabetes; sem privilégio e sem ônus apenas por ser portador de diabetes ou ser um transplantado, agora ex-diabetico.       


É sabido que todo individuo portador do diabetes necessita ter certos cuidados especiais, como alimentação em horário pré-determinado, exames laboratoriais mensalmente e claro um acompanhamento permanente de médicos e em alguns casos especiais uma indisposição temporária para o trabalho.


 Neste ponto é que começam a surgir  problemas.


Quando o empregador é um órgão público, do executivo, legislativo ou judiciário, nas esferas  federal, estadual ou municipal, até que o diabético pode ter uma certa tranqüilidade, pois, a legislação trabalhista  o protege. Para obter a vaga não existe discriminação, sendo aprovado em concurso e tendo a conseqüente estabilidade,  em caso de  falta, justificando-a, com a devida comprovação não terá nenhum prejuízo e até em necessidade de afastamento por período  mais longos, também não haverá maiores conseqüências. Basta cumprir a legislação e sua vaga estará garantida.   


Mas quando o empregador é uma empresa não governamental, ai o “BICHO PEGA”, isto é, a coisa começa a ficar difícil. Com a crise do desemprego, em curva ascendente, o problema toma um aspecto totalmente diferente. O empregador paga ao trabalhador, além do salário mensal, um acréscimo   de 120% a 140% como leis sociais, e o que ele precisa para poder pagar este salário e seus encargos ? 


: RETORNO DO DINHEIRO INVESTIDO, ou seja, LUCRO e não podemos discordar desta posição, pois estamos num regime capitalista e o que importa para o investidor é o lucro.


Se nos permitirem vamos fazer uma breve parada neste artigo, para relatar o que a experiência de vida nos mostrou.


Quando recém formado, no inicio da década de 70, uma firma de engenharia de porte médio tinha de vinte a trinta engenheiros, com mais vinte a trinta desenhistas e outros tantos auxiliares. Hoje esta mesma firma conta com um ou dois engenheiros e mais um ou dois técnicos de informática e a sua produção é igual ou superior ao da década de 70, com um custo operacional bem menor.


Na agricultura: o pequeno ou o médio agricultor, na época do plantio ou da colheita, contratava o “turmeiro” fornecedor de mão de obra que contava com cinqüenta a cem homens, que saiam antes do sol nascer para o campo e realizavam o serviço que hoje é executado por uma máquina, do tipo  colhetadeira, que realiza todo os serviços com apenas um operador e um ajudante. E com a vantagem de já executar, em alguns casos, o serviço que era relizado em galpões como seleção, limpeza e ensacamento do produto eliminando assim mais mão de obra contratada;


 


Nos bancos, os mais antigos vão lembrar, agências lotadas com trinta a quarenta caixas em funcionamento e um grande número de funcionários internos, para atender uma clientela bem menor que a de hoje, que  é atendida por quatro ou cinco caixas, dois ou três gerentes e um grande número de  caixas eletrônicos.


E poderíamos, nesta toada, elencar inúmeros casos, sem nos estendermos: os imensos escritórios de contabilidade com trinta ou quarenta mesas e seus milhares de livros, as fábricas de automóveis com cinco a sete mil funcionários.etc. etc, etc.


Mas voltando ao nosso tema, a população crescendo e o número de empregos em razão inversamente proporcional ou seja decrescendo e somando-se a tudo isso a avidez dos governantes de plantão querendo mais verba para manter a máquina governamental e seus apadrinhados, aumentando os impostos e taxas, fazendo que o EMPREGADOR, aquele que vai pagar  toda a conta, seja mais seletista em métodos produtivos e  realize uma seleção rígida do material humano que vai contratar, dispondo de um eficiente serviço de seleção pessoal e até de uma assessoria médica para que contrate os mais capazes e mais saudáveis.


Ai vem a questão : E o diabético  ou ex-diabético como fica ?


 


As esperanças de conseguir emprego,  que para o individuo saudável já são escassas, como fica o portador da diabetes ?


Com a agravante que o diabético tem que usar medicamentos caros, que na maioria dos casos tem que ser comprados, tem necessidades de acompanhamento médico e  em algumas ocasiões não pode comparecer ao serviço, como fica ?


 Quais são as suas chances ?


A situação do diabético ou transplantado que está empregado também é difícil, pois, ele não tem nenhuma garantia  de ser mantido no cargo, com um simples bilhete azul  vem a dispensa, e o pagamento das devidas verbas indenizatórias,  como saldo salário, férias, liberação do fundo de garantia e etc.  e o empregador está livre de uma possível dor de cabeça.


 


Longe de achar que o problema tenha uma solução simplista,  achamos que deveríamos discutir o assunto, entre nós, diabéticos, transplantados e   associações de diabéticos, de transplantados e agregados, como é o nosso caso   e lutarmos para sermos ouvidos e que possamos sensibilizar os  políticos e governantes para o problema e que juntos criemos  uma comissão com as  todas as partes, representante dos empregadores e governo federal, para que se busque, ao analisar todos os ângulos do problema, encontrar soluções alternativas para que o diabético e transplantados tenham qualidade de vida e  possa ganhar a vida com DIGNIDADE.


De nossa parte gostaríamos de dar  uma sugestão: Que o empregador que contrate ou tenha em seu quadro de contratados, diabéticos ou transplantados, tenha algum beneficio fiscal, incentivando assim que ele, empregador, possa dar ao diabético a chance se mostrar quão útil ele é e competir, em razão de sua capacidade intelectual e produtividade, em igualdade de condições. 


Apenas como exemplo elucidativo da sugestão, lembro apenas para exemplificar, longe de querer comparar alhos com bugalhos, cito o caso da conquista das mulheres quando grávidas tem o direito de permanecer no emprego, sem correr o risco de dispensa. A gravidez é passageira e a diabetes infelizmente não o é.


Meu leitor mais atento vai nos questionar: mas o artigo  começou com um tópico que falava em APOSENTADORIA ESPECIAL e dela nada falou.


É simples, diríamos, se  não conseguirmos nem emprego, como vamos falar em nos aposentar ????????????    


 


Heleno


 


P.S.   sou agregado à causa, com uma ressalva, a Ana Luiza, minha esposa, ex-diabetica,  é funcionaria publica municipal concursada e portanto fica isenta dos problemas citados aqui.Ainda bem...

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