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05/08/2004 - Comunidade DiabeteNet.Com.Br

Ana Paula

  Na fria tarde de 22 de junho de 76, na cidade de Jacareí, nasce a primeira filha do casal Luiz e Júlia, Ana Paula.
Festa para toda a família!
Era uma criança totalmente ativa, até que toda essa energia foi desaparecendo de pouquinho em pouquinho...
Em janeiro de 80, nasce o segundo filho do casal, Luís Henrique, em São José dos Campos, cidade onde residem.
Ana Paula estava com três anos e meio e foi aí que começavam os problemas: perdeu peso muito rápido, bebia muita água; criança nenhuma nessa idade prefere ficar quieta num canto a pular e correr, sem contar o nervosismo.
Correram de um médico a outro e ninguém descobriu o que era. Foi a avó quem decretou: “Essa menina está com diabetes!”, feito o teste da fitinha, os pais quase caíram para trás: o ponto máximo de glicose na urina!
Encontrado o médico (que fazia o controle apenas por glicose na urina e radiografia das mãos – para acompanhar o crescimento; dizia ele que tinha pena de mandar tirar sangue! ‘Ela é uma menina tão bonita! Não tem que sofrer! “, mal sabia ele o que ela teria que passar!), que cuidou dela por muito tempo, aparentemente, tudo estava correndo muito bem”.
Como usava óculos, por ser míope, até onde se sabe, é obrigação do oftalmo, fazer exame de fundo de olho, o que não fora feito. Procuramos outro médico que fez o exame e assustou-se com a situação do que vira. Encaminhou-nos a um outro endócrino e esse a uma nefrologista, os quais acompanharam a Ana Paula até alguns meses atrás e realmente dão valor à vida humana.
Na adolescência, optou pelo magistério e aqueles problemas começaram a se agravar. Que idade! Que fase! A teimosia era a marca registrada da Ana Paula e isso a levou a perder o ano no CEFAM, juntamente com a visão do olho esquerdo, pois teve descolamento de retina. Os rins ainda estavam se agüentando, ninguém sabe como, porém as doses de insulina foram divididas várias vezes ao dia, remédios para abaixar a pressão arterial e diuréticos, já eram tomados, primeiro com a intenção de proteger os rins, depois porque já não tinha jeito mesmo.
Terminado o magistério, em meio a inúmeras hipoglicemias e freqüentes teimosias, a moça entrou direto na faculdade de Pedagogia, onde se formou.
O endócrino, Dr. Gustavo Irigoitia, dizia a ela, que a nefrologista, Dra Ivete Satelmeyer, estava “cozinhando-a a muito tempo, pois se fosse ele, já a tinha posto na hemodiálise a meses”.
A Ana Paula, que tornou-se o deboche em pessoa, olhava para o médico, ria e dizia que nunca iria precisar disso. E a discussão entre eles pegava fogo! Chegava a ser engraçado vê-los discutindo. Mas não foi NADA engraçado o que veio depois.
Depois da Pedagogia, a Ana batalhou (ralou trabalhando como estagiaria que só...) até conseguir trabalho nas escolas da Prefeitura como professora e finalmente fazer a faculdade de Psicologia, que era o seu sonho.
Mal terminou o segundo semestre e estourou a bomba: HEMODIÁLISE.
“Que raio de tratamento será esse?”, pensava ela.
No dia 5 de agosto de 2002, começou o que ela chamava de atraso de vida e como reclamava!... Mas nunca deixou de trabalhar, sair, fazer dança do ventre, se divertir com os amigos nem de estudar, embora tivesse parado a Psicologia, pois os horários eram incompatíveis, começou a pós em Psicopedagogia.
Estava inscrita na Central de Transplantes, numa equipe de São Paulo, aos quais os médicos que atendiam na Santa Casa, onde fazia hemodiálise, acompanhavam seus pacientes e a cada final de mês mudava um pouco, até que fora chamada.
Susto geral!
Após o dia todo sem comer e sem beber, foi lhe dada a notícia que dentro de no máximo um mês, seria a vez dela.
Tudo bem! Ela volta para São José e espera. Enquanto isso, sua mãe perde a paciência com a localização da filha na fila de espera, que a cada mês ficava cada vez mais longe do primeiro lugar e começa uma longa pesquisa na internet sobre transplante duplo, até encontrar o site DIABET NET.
Pesquisou por todo o site e participou de um chat com o Dr Marcelo Perosa. Nesse mesmo dia, conversou com uma mineira, que havia feito o transplante com ele e o Dr Tércio Genzini, Neide Carla.
Júlia voltou a ter esperanças e repassou a notícia ao marido e filho. Quando foi propor à Ana que fossem a consulta, essa não se sentiu nem um pouco animada (aliás, animação na Ana Paula não se via a muitos anos), pois sabia o que teria que passar (exames, sermão, mais exames, outros médicos, mais exames, mais sermão, espera na lista, chamada-volta pra casa-chamada-volta pra casa...), mas foi; Dia 8 de janeiro, mudou de equipe, conheceu a Dra Irene e voltou para casa.
A mãe ficou entusiasmada, pois realmente via que a fila andava, pois na outra equipe a Ana era 9, na equipe do Dr Marcelo, entrou como 5.
Dia 2 de fevereiro, foi chamada de novo, mas voltou para casa. Sem problemas, afinal de contas, estava mesmo chegando as atribuições de aula, iria dar para a Ana pegar as suas até o fim do ano e, caso fosse chamada, pelo menos estaria garantida até o final de 2004!
Dia 14 de fevereiro foi chamada de novo e entrou em desespero! Chorou sem parar e pela primeira vez fez um pedido contrário a Deus “Que não seja eu, passe pra outra pessoa, já esperei mesmo tanto tempo, espero de novo! Deixa eu pegar as aulas primeiro!”, a atribuição de aula seria na segunda-feira, dia 16... Os pais dela acharam que a Ana tinha ficado doida de vez! E pra convence-la a ir!
Na verdade, a preocupação dela tinha um fundamento: ela era concursada, mas não efetiva e o concurso iria caducar em maio e depois que caducasse, dificilmente ela iria conseguir aulas novamente.
E é exatamente agora que se pergunta: “E daí?”
Daí, que hoje faz cinco meses e seis dias que eu não preciso mais atrasar minha vida, não tenho mais hipoglicemias, como tudo o que sempre tive vontade (vai Dr Marcelo, pode arrancar minhas orelhas! rs) e minha glicose continua normal, deixei de ter aquelas crises de câimbras terríveis e aqueles amortecimentos nos braços (polineuropatia).
Ainda faço sim os controles de glicose por puro desencargo de consciência, tomo os imunossupressores como indicado e alguns remédios para pressão, mas só de saber que estou viva de novo...
Ainda não voltei a trabalhar, nem pra dança do ventre (no momento é quase impossível, convenhamos! rs), mas já fui viajar e meus tios se assustam quando me vêem chegando, passo bastante tempo na net informando-me sobre concursos, logo, estou estudando e fazendo mil planos!
Hoje, é engraçado ver como reagimos. Até um tempo atrás, meu pai ficava aflito quando ouvia o telefone tocar, pois jurava que era o Dr Marcelo ligando para dizer que tinha aparecido um doador pra mim, meu irmão acha estranho que eu coma bolacha recheada junto com ele e que depois beba o quanto de água eu quiser! rsrs E que vá ao banheiro! rsrsrs.
Posso afirmar que minha data de nascimento são duas: 22 de junho e 15 de fevereiro! Oba! Presente duas vezes!
Mas presente mesmo, foi conhecer os médicos MA-RA-VI-LHO-SOS que cuidaram e ainda cuidam de mim até hoje. Tentarei não ser injusta e citar todos: Marcelo Perosa, Tércio Genzini, Irene Noronha, Hugo Abenssur, Bráulio, Marcelo (nefro), Nertan, Fabíola, Aline, Herculano, Ricardo, Luís Guilherme, Adriana, Carina,Camila,Hugo, Eduardo...
Oh céus! Esqueci alguém...
Melhor dividi-los em duas equipes: Às equipes do Dr Marcelo e da Dra Irene o meu MUITO OBRIGADA! Que TODOS vocês possam continuar fazendo esse trabalho que nem em sonho é fácil, devolver a esperança de vida a pessoas como eu e claro, a minha família.
Queremos também agradecer a família da doadora, por essa atitude magnífica, a de ajudar a salvar vidas.
Aos enfermeiros, que na Beneficência Portuguesa, enlouqueceram comigo, enquanto tive que dar fim num vírus e acabar com a minha desidratação, mas acabei fazendo amigos e ri até dizer chega!
A todos, meu muito obrigada
Ana e família


Ana Paula Lima da Silva


(12) 3941 1743

(12) 9792 7559

São José dos Campos - SP
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Comentários sobre este conteúdo

  • geovane bispo
    14/02/2011 - 13:46

    gostei muinto interessante, na superaçaõ de vida da mesma dando a volta porcima depois de ter perdido todas as esperança.

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