Universidade confirma fraude de sul-coreano em caso de clonagem - Diabetes, Vida e Comunidade

Universidade confirma fraude de sul-coreano em caso de clonagem

10/01/2006 - UOL


Por Cecilia Heesok Paek Seul, 10 jan (EFE).- A Universidade Nacional de Seul confirmou hoje que o "herói" da ciência Hwang Woo-suk falsificou seus estudos sobre células-tronco de embriões humanos clonados, que tinham gerado esperança em casos de doenças consideradas até agora incuráveis.

"Do topo da ciência mundial à lama do descrédito." Esta foi a tônica dos comentários feitos pela imprensa da Coréia do Sul sobre a situação do cientista, que até semanas atrás liderava a vanguarda pesquisadora do país.

"A manipulação realizada pela equipe de Hwang é uma fraude para a comunidade científica e o povo sul-coreano", afirmou Chung Myung-hee, chefe da Comissão de Pesquisa, que defendeu a necessidade de punir as pessoas envolvidas no caso.

O ditame da Comissão acadêmica não deixou lugar para dúvidas e confirmou todas as suspeitas: a equipe do professor Hwang usou dados falsos para publicar seus estudos na revista americana Science em 2004 e em 2005, em artigos que revolucionaram o mundo científico.

Em fevereiro de 2004, a equipe de Hwang afirmou que tinha produzido células-tronco de embriões humanos clonados.

Esta era a primeira vez que parecia haver provas verazes sobre a clonagem de embriões humanos com fins terapêuticos, o que abriu a possibilidade de tratar doenças incuráveis através do transplante de células-tronco.

Pouco mais de um ano depois, em maio de 2005, Hwang Woo-suk e sua equipe revelaram ao mundo que tinham extraído as primeiras células-tronco de embriões clonados de pacientes com doenças.

Estes resultados, novamente publicados na Science, acenderam uma luz de esperança por causa da possibilidade de obter essas células-tronco a partir de pacientes doentes, que, ao ser idênticas geneticamente às dos doadores, podiam ser usadas para transplantes e a cura de doenças como o alzheimer, o mal de parkinson e o diabetes.

Em agosto de 2005, a equipe de Hwang comunicava seu novo êxito no campo da clonagem: desta vez, era a obtenção do primeiro cachorro clone, "Snuppy", um filhote de galgo afegão, cujo processo de "criação" foi divulgado na revista Nature.

De todas estas façanhas científicas, a Comissão de Pesquisa ressaltou hoje que só "Snuppy" não é uma fraude. Segundo o painel de especialistas, os dados apresentados por Hwang e sua equipe sobre a obtenção de células-tronco era o resultado de uma mutação por partenogênese, processo que oferece resultados muito similares às células-tronco procuradas.

Em suas investigações de 2004 publicadas pela Science, Hwang defendia que havia clonado um embrião humano e que tinha extraído células-tronco dele. "Chegamos à conclusão de que as análises de DNA e as fotografias utilizadas no estudo de 2004 continham dados manipulados", afirmou o chefe da comissão investigadora.

Embora Chung tenha indicado que a Comissão não pôde determinar se Hwang deu ordens diretas para a falsificação dos dados, os especialistas puderam comprovar que os pesquisadores não fizeram esforço algum para especificar se as células-tronco eram genuínas ou produzidas a partir de uma mutação por partenogênese.

Além disso, embora a "tecnologia de ponta" que Hwang dizia ter exista até certo nível, ela não é única, pois é similar às de outros laboratórios mundiais.

Chung também afirmou que a equipe de Hwang usou 2.061 óvulos procedentes de 129 mulheres, entregues por quatro hospitais, e não 242 óvulos para o experimento de 2004 e 185 para o de 2005, como tinha assegurado em seus artigos da Science.

A comissão também revelou que a doação de óvulos por duas mulheres da equipe de Hwang para os experimentos foi realizada com o consentimento do cientista.

Em novembro, Hwang teve de pedir desculpas por ter utilizado óvulos doados por duas jovens colaboradoras de sua equipe, mas disse na época que não tinha conhecimento disto. Outro dado comprovado pela comissão foi o pagamento em dinheiro a mulheres doadoras pela entrega de seus óvulos.

A Promotoria de Seul já informou que deve abrir uma investigação sobre este caso e sobre o uso dado aos orçamentos oficiais utilizados pela equipe de Hwang.

O Ministério de Ciência e Tecnologia sul-coreano explicou hoje que nos últimos sete anos o Governo apoiou a equipe de Hwang e deu a ela US$ 11,3 milhões, a maior ajuda entregue a uma única equipe de pesquisa no país.

As mesmas fontes acrescentaram que a equipe de Hwang utilizou até agora US$ 8,4 milhões, mas o destino do dinheiro não está claro.

Há a suspeita de que Hwang tenha tentado em dezembro entregar US$ 50 mil a vários de seus colaboradores sul-coreanos que estavam nos EUA para impedir que divulgassem a verdade sobre este caso de fraude científica.
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