Cientista sul-coreano pede perdão, mas acha que houve complô - Diabetes, Vida e Comunidade

Cientista sul-coreano pede perdão, mas acha que houve complô

12/01/2006 - UOL


Por Cecilia Heesok Paek Seul, 12 jan (EFE).- O questionado cientista sul-coreano Hwang Woo-suk pediu perdão pela manipulação dos dados sobre a primeira extração de células-tronco de embriões humanos clonados, mas alegou que pode ter havido uma conspiração contra ele.

Em seu primeiro discurso público desde que a Universidade Nacional de Seul concluiu na terça-feira que suas conquistas eram uma fraude, Hwang assumiu toda a responsabilidade no escândalo como diretor da equipe de cientistas que fez as experiências.

"Peço sinceras desculpas à nação por ter utilizado dados errados nos estudos", afirmou o professor no Centro de Imprensa de Seul, diante de uma multidão formada por jornalistas, repórteres gráficos, seguidores e pacientes com doenças terminais.

O cientista de 52 anos se apresentou com um semblante abatido, acompanhado por seu advogado e cerca de 20 pesquisadores.

Hwang reconheceu que foram manipulados dados do estudo apresentado em 2005 na revista Science, segundo o qual sua equipe tinha alcançado 11 células-tronco de embriões humanos clonados procedentes de pacientes, a partir de 185 óvulos.

Também admitiu o uso, nas experiências, de óvulos doados por membros de sua equipe, aos quais tinha pagado uma "pequena quantia" em troca.

No entanto, alegou que a manipulação de dados não aconteceu de forma proposital, negou que tivesse ordenado tais fatos e inclusive manteve que conseguiram extrair células-tronco a partir de embriões humanos clonados.

Hwang afirmou que num prazo de seis meses sua equipe poderia demonstrar a veracidade de suas descobertas publicadas na Science, porque reiterou que possui a tecnologia para realizar essa tarefa.

Caso a Universidade Nacional de Seul se negue a dar uma segunda oportunidade, Hwang assinalou que está disposto a trabalhar com outro laboratório.

O comitê investigador da Universidade de Seul chegou na terça-feira à conclusão de que não existia nenhuma célula-tronco de embriões humanos clonados do paciente nos estudos de 2004, nem nos de 2005.

Tal determinação representa um golpe mortal para a vertiginosa carreira de Hwang e um sério revés para os doentes que tinham depositado suas esperanças nas possibilidades dessas células-tronco para regenerar tecidos e tratar doenças como o Parkinson, o diabetes ou o Alzheimer.

O professor expressou ceticismo sobre essa investigação por assinalar com tanta certeza que entre a centena de embriões humanos não se tivesse conseguido extrair nenhuma célula-tronco.

Além disso, negou que os estudos de 2004 fossem o resultado de uma mutação por partenogênese, experimento que cria a impressão de gerar uma célula-tronco autêntica, segundo estabeleceu o comitê investigador.

Hwang também pediu que se realizasse outra investigação a fundo sobre a manipulação de dados, já que sustenta que pode ter sido vítima de um engano.

O cientista afirma que pesquisadores da clínica MizMedi de Seul podem ter conspirado contra ele trocando as células-tronco de seus estudos por outras cultivadas in vitro.

Pesquisadores de MizMedi afirmaram "em várias ocasiões" que tinham confirmado a autenticidade das células-tronco nos estudos de 2004 e 2005, assinalou Hwang, enquanto admitiu que não verificou estes resultados, em parte porque naquele momento sua equipe não tinha a capacidade de fazer análise de DNA.

Em dezembro, o cientista já tinha pedido a intervenção da Promotoria para esclarecer todos estes fatos.

Hwang encerrou a entrevista coletiva manifestando seu desejo de que a polêmica acabe o mais rapidamente possível e que os pesquisadores da Universidade de Seul possam seguir com suas experiências.

Horas antes de falar publicamente, a Promotoria da Coréia do Sul inspecionou 26 instalações relacionadas com o caso, incluindo a casa do cientista, o hospital Mizmedi e o laboratório da Universidade de Seul onde foram feitos os estudos.

Quando começou este escândalo, a Promotoria tinha proibido a saída do país de 11 colaboradores de Hwang, mas ainda era preciso examinar os locais onde ocorreu este "crime" científico.

Na operação, que contou com a participação de 60 agentes, também foram verificados 19 sites para comprovar o conteúdo do e-mail dos envolvidos no caso, antes que pudessem ser apagados, segundo temia a Promotoria.
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