Quem é feliz vive mais e melhor - Diabetes, Vida e Comunidade

Quem é feliz vive mais e melhor

25/05/2008 - Jornal da Cidade de Bauru


Adilson Camargo

O poeta Vinicius de Moraes tinha razão quando disse “que é melhor ser alegre que ser triste” e que a “alegria é a melhor coisa que existe” no longínquo ano de 1962, quando compôs a música “Samba da Benção” em parceria com Baden Powell. Essa verdade tem sido comprovada por inúmeras pesquisas, ano após ano. Uma delas foi realizada por três pesquisadores do University College, em Londres. Eles descobriram que a felicidade está diretamente ligada ao bom funcionamento do sistema endócrino e cardiovascular.

A felicidade, afirma a pesquisa, ajuda na liberação de substâncias, como a serotonina, que provocam a sensação de bem-estar. A influência disso no organismo é a melhor possível. Ela interfere no metabolismo das pessoas, causando a diminuição dos níveis de colesterol, de glicose e com efeitos positivos sobre o diabetes. O estado emocional é um dos fatores que mexe com esses índices.

De acordo com o cirurgião cardiovascular Antonio Estefano Germano, 53 anos, os Doutores da Alegria estão aí para provar, com o trabalho que realizam, que pacientes alegres têm uma recuperação mais rápida. Por isso, a terapia do riso tem importância fundamental no sucesso do tratamento.

A título de comparação, Germano lembra que uma pessoa que dê 100 gargalhadas em um dia tem o mesmo efeito de remar durante dez minutos. O riso contrai a musculatura do abdome, exercita a musculatura do rosto e tudo isso gasta energia. É por essa razão que a atividade física é tão recomendada pelos médicos. Movimentar o corpo libera serotonina.

O efeito benéfico da felicidade também é confirmado pelo psiquiatra Evandro Luís Pampani Borgo, 27 anos. Ele diz que pacientes com doenças crônicas, como aids e câncer, respondem melhor aos tratamentos quando têm atitudes alegres e pensamentos otimistas. Segundo Borgo, eles sentem menos dor e efeitos colaterais.

Além do aspecto médico, a felicidade interfere também na vida social das pessoas. De acordo com o psiquiatra, gente feliz é mais bem aceita pela sociedade. “Pessoas alegres são mais agradáveis. Elas ficam menos centradas nelas mesmas e se preocupam mais com os outros”, justifica.

Na avaliação dele, a alegria pode ser genética e circunstancial. A carga de otimismo pode nascer com uma pessoa ou ser adquirida no ambiente onde ela vive. No segundo caso, a felicidade pode ser passageira.

Borgo cita estudo feito com americanos que ganharam na loteria. O comportamento deles foi avaliado de perto pelos pesquisadores durante certo tempo. O estudo constatou que, no prazo de um ano após o recebimento do prêmio, os novos ricos exibiam muita alegria e entusiasmo com a vida. Passado esse tempo, eles retomaram o nível de felicidade que tinham antes de ganhar na loteria, ou seja, eles voltaram a ser o que eram. O entusiasmo passou e prevaleceu a personalidade habitual.

Para que o otimismo e a felicidade sejam verdadeiros, eles precisam estar atrelados à ação, segundo o psiquiatra. Não adianta exibir uma aparência de pessoa feliz e otimista se isso não for transportado para o dia-a-dia, em atitudes práticas.

O estudo feito em Londres mostrou que o organismo dos mais felizes libera menos cortisol, substância que atua no desenvolvimento de hipertensão e arteriosclerose. As duas doenças são as responsáveis pela maioria das mortes em todo mundo.
 
O estresse que faz bem

Sempre se afirmou que os mais estressados têm maior chance de sofrer um infarto do miocárdio. De fato, pesquisas médicas mostram que o estresse crônico aumenta os níveis de catecolaminas na circulação sangüínea. Trata-se de uma substância que leva ao estreitamento das artérias. O estresse também ativa as plaquetas que são responsáveis pela coagulação do sangue. Os dois efeitos somados levam a uma condição propícia para o entupimento de uma artéria, o que causa o infarto e o acidente vascular cerebral (AVC).

Mas não é todo estresse que faz mal. Em níveis moderados, ele até faz bem à saúde e provoca mudanças para melhor. De acordo com o cardiologista Antonio Estefano Germano, 53 anos, o estresse deixa a pessoa mais atenta.

“Qualquer sensação nova gera uma carga de adrenalina que aumenta o nível de atenção das pessoas”, diz. Segundo ele, o estresse funciona como um mecanismo de defesa do organismo e ajuda na oxigenação do cérebro.

O grande problema é quando o estresse se acumula. Todo obstáculo que precisa ser superado sempre produz uma carga de estresse. É a expectativa da superação. Se essa carga não é aliviada, pode se tornar algo negativo e levar a pessoa à depressão.

Algumas das maneiras de evitar que isso aconteça é não se esquecer das sempre recomendadas atividades físicas e ter momentos para relaxamento. Ter uma religião também é importante, porque ela traz paz de espírito e consolo, segundo Germano.

O estresse também é um dos grandes responsáveis pelas mudanças, qualquer que seja. “Se tudo fosse igual, não haveria necessidade de mudanças. Elas ocorrem porque alguém se sentiu incomodado. O estresse motiva as mudanças, geralmente para melhor”, argumenta o psiquiatra Evandro Luís Pampani Borgo, 27 anos, que também ressalta a importância dos momentos de reflexão nessas mudanças.

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Comentários sobre este conteúdo

  • alinesilva
    21/02/2010 - 13:33

    com certeza ser feliz e importante eo maior bem que a genta tem

  • Sirlea de Paula
    15/09/2012 - 16:10

    Concordo que a felicidade é importante,mas se não se consegue ser feliz? Alegria nem sempre vem de graça.

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