Células tronco: Como votaria Deus no STF?! Entenda aqui - Diabetes, Vida e Comunidade

Células tronco: Como votaria Deus no STF?! Entenda aqui

04/06/2008 - Brasil Portais


Não se sabe muito bem como se iniciaram as religiões no mundo. Relata-se que o medo do desconhecido, unido à necessidade e dar sentido à vida e ao mundo que o cerca, levou o homem a fundar diversos sistemas de crenças e cerimônias (onde o centro era a figura de um Ente supremo) que o ajudam a entender o significado da própria existência.

A palavra deriva do latim religião – que significa religar - e não se sabe ao certo a sua relação com outros vocábulos. Em outras civilizações, não há uma palavra equivalente, mas no mundo latino refere-se a um estilo de comportamento marcado pela RIGIDEZ e PRECISÃO.

Na minha casa, a religião começava já na volta da Maternidade Evangelina Rosa. Minha mãe logo rezava um terço para agradecer a Deus por mais um filho sadio e sem nenhuma deficiência (pelo menos na aparência). Aos dois anos de idade, em casa, todo mundo já sabia rezar um pedaço do Pai Nosso e a Ave-Maria, nem que fosse misturado com a Santa Maria. E era terço todo dia, depois do jantar, até sairmos de casa para estudar fora. Segunda e sábado, havia os mistérios Gozosos; terça e sexta, os Dolorosos; quarta e domingo, os Gloriosos e, nas quintas, os Luminosos.

Aos 6 anos, após a alfabetização, ganhávamos uma Bíblia para ler e explicar o que entendia do Evangelho do Dia. E, aos domingos, tinha a missa das crianças, às 8h, na Igreja da Vila Operária. E minha mãe sempre nos ensinou a seguir os caminhos da vida segundo o que estava escrito na Bíblia. Fazia-nos acreditar piamente nas parábolas bíblicas das multiplicações dos pães, da cura do leproso, do cego, do paralítico, da transformação da água em vinho.... E da existência de um Homem supremo salvador do mundo. Formação católica na minha casa não faltou.

Com o passar dos anos, continuo acreditando e tendo fé no catolicismo, mas a visão de mundo, fé, religião e vida se modificaram. Nas missas dominicais, nas homilias, ouço padres tentando nos explicar que não devemos levar ao pé da letra o que está escrito na Bíblia (formada por contos e histórias que nunca se provou a sua veracidade) e sim nos mostram que devemos levar aqueles ensinamentos para nossa vida diária e para nossa realidade, fazendo o bem ao próximo, amando uns aos outros como Jesus nos amou. E dentro desta realidade, acredito que devemos ser racionais para aceitarmos as boas modificações do mundo e o desenvolvimento da ciência (já que foi o Deus criador de toda a inteligência humana).

Esses fatos e idéias vieram à minha cabeça com a discussão sobre a Lei da Biossegurança em relação às células-tronco discutidas no Congresso Nacional em 2005 e levadas ao STF, onde foi aprovada semana passada.

A CNBB ( Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) se diz contra a pesquisa e os estudos de células-tronco embrionárias, alegando que, ao assumir esta posição, está "em defesa da vida humana, desde a sua fecundação em qualquer circunstância em que esta se encontra".

Segundo os cientistas, não há um consenso sobre o início da vida. Cada pessoa e cada religião têm um entendimento próprio. Há um consenso sobre o fim da vida, que é quando cessa a atividade do sistema nervoso central. Sem sistema nervoso central, não há vida. Um embrião fertilizado in vitro, em clínica especializada, com consentimento familiar, até 14 dias não há nenhuma formação de célula nervosa, ou seja, não há vida. Este embrião não foi fertilizado in vivo, não esteve em um útero. Não é aborto.

O que a ciência busca é uma melhora na qualidade de vida de uma grande quantidade de pacientes que sofrem com suas enfermidade e que hoje não têm uma cura. A ciência busca o tratamento de doenças, como as degenerativas, que causam degeneração de todo o organismo, envolvendo vasos sanguíneos, ossos, visão, cérebro e outras partes e funções vitais do corpo. Exemplo: diabetes, hipertensão, câncer, mal de Alzheimer, reumatismo, esclerose múltipla, artrite, glaucoma, Parkinson.

Aliás, a Campanha da Fraternidade fala sobre a defesa da vida. Em muitos dos Evangelhos que eu li, aprendi que Jesus veio para que todos tenham vida. E tenham vida em abundância. Os milhares de doentes que morrem anualmente ou que se tornam incapacitados em decorrência destas doenças não têm direito à vida? Só posso compreender que o Senhor Deus tenha nos dados tanta sabedoria para evoluirmos e fazermos o bem ao nosso próximo que está na nossa casa, na esquina, na casa ao lado, ao nosso lado.

Wesley Damásio, piauiense, é acadêmico de Medicina na PUC-Sorocaba
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Comentários sobre este conteúdo

  • Teste
    07/07/2012 - 04:27

    Parabens pelo texto, muito interessante fiquei emocionado!
    Sou Ateu e respeito a fé das outras pessoas pois acredito que a fé (o acreditar que pode dar certo) aumenta a possibilidade das coisas darem certo, é um ato saudavel pois não conhecemos como nosso organismo reage positivamente quando a pessoa tem fé e serve como auto estimulo.
    Odeio viver em um país onde a religião interfere diretamente na politica e comemoro quando decisões imparciais são tomadas no Brasil como a do STF provando que ainda há justiça neste pais! Quando surgir uma cura ou um medicamento, faça que nem os Seguidores de Jeová que preferem a morte que uma transfusão de sangue...

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