Falta de estrutura em hospitais prejudica doação de órgãos em MT - Diabetes, Vida e Comunidade

Falta de estrutura em hospitais prejudica doação de órgãos em MT

28/07/2008 - A Noticia Digital


A doação de órgãos é regulamentada por lei desde 1997 no Brasil. Em mais de uma década, muitas pessoas saíram da chamada "Fila da Morte" graças aos transplantes. Campanhas e informações sobre a doação de órgãos permitiram o crescimento do procedimento no território nacional. Em Mato Grosso, a doação de órgãos ainda engatinha. Habilitado pela Central Nacional de Transplantes (CNT) para realizar a reposição de córnea, rim e de ossos, o Estado ainda necessita aperfeiçoar e difundir a cultura da doação em suas unidades hospitalares, já que 602 mato-grossenses aguardam por um rim, conforme dados da Central Estadual de Transplantes.

Segundo informações da Secretaria Estadual de Saúde (SES), dentre os 141 municípios que compõem o Estado, apenas o Hospital Geral Universitário (HGU), localizado em Cuiabá, está credenciado, por exemplo, a fazer transplantes de rim, órgão que necessita de uma estrutura complexa à doação. A inadequação das unidades hospitalares e a falta de profissionais capacitados para realizar transplantes explicam a pequena quantidade de procedimentos cirúrgicos realizados no Estado. O processo de credenciamento de uma unidade médica para transplantes segue normas rígidas da CNT, dentre outras, a estrutura e a qualificação dos médicos que lidarão com a doação de órgãos. E os critérios devem ser rigorosos porque em um transplante o maior vilão é o relógio.

De acordo com dados da SES, nos seis primeiros meses deste ano, o Estado realizou 103 transplantes nas modalidades habilitadas. Dentre esses, quatro transplantes de rins foram realizados no período. Em 2007, nove mato-grossenses deixaram a "Fila da Morte" após a reposição de um rim saudável. No entanto, a matemática da vida poderia contabilizar outros números se uma estrutura de qualidade fosse empregada à doação em Mato Grosso.

Os fatores estruturais constatados nos hospitais do Estado impedem o credenciamento de outras unidades que poderiam realizar transplantes. Para a coordenadora da Central Estadual de Transplantes, Fátima Melo, o Estado deve buscar outras instituições aptas à doação. "A busca de uma nova equipe credenciada ajudará o Estado a diminuir a fila, bem como a capacidade de aumentar a doação", ressaltou.

Outro vilão sutil que prejudica a doação de órgãos é a falta de conhecimento em relação aos procedimentos empregados em um transplante. A falsa idéia de que os órgãos são retirados sem qualquer controle e especificação médica ainda imperam em algumas regiões do país, sobretudo nos Estados com produção incipiente de transplantes como Mato Grosso.

Entenda a Doação

Os procedimentos para a doação de órgãos iniciam pelo cadastramento do doador, que pode ser vivo (como no caso de transplante de rim) ou morto (caso de doação de córnea, por exemplo). No caso de pessoas mortas, são os familiares do paciente que autorizam a doação, por meio de um documento padrão emitido pelo Ministério da Saúde.

Quando um órgão é oriundo de uma pessoa falecida, uma junta médica deve, em primeiro lugar, antes de qualquer ato cirúrgico, constatar por meio de uma série de exames que o paciente não está mais vivo. Exames laboratoriais e neurológicos confirmam se o cérebro do possível doador ainda emite sinais de funcionalidade. Decretada a morte encefálica, os órgãos são examinados. Em seguida, é realizada uma coleta sorológica do doador para comparação dos prováveis receptores dos órgãos. Colhidos os dados, as informações são lançadas no Sistema Nacional de Transplantes (SNT), que automaticamente seleciona os 10 primeiros pacientes da lista de espera para cada órgão. Após a seleção, os pacientes são encaminhados para exames laboratoriais de compatibilidade entre o doador e receptor. O paciente que apresentar a menor rejeição detectada será o escolhido para receber o órgão.

A logística para o transporte de um órgão é de responsabilidade da Central Nacional de Transplantes, que providencia todos os meios de acondicionamento dos órgãos. Cada órgão tem um prazo funcional quando está fora do corpo humano. Esse período é denominado de "Tempo de Isquemia". Por exemplo, o rim tem prazo de 24h a 36h. O coração humano pode ficar fora do corpo humano por até quatro horas.

Dor e doação: uma dura realidade

A Central Nacional de Transplantes detectou em anos de pesquisas que os transplantes realizados no Brasil, em sua grande maioria, são oriundos de pessoas vítimas de acidentes e mortes violentas. Quando o quadro clínico da vítima é irreversível, recai sobre os familiares dos pacientes a difícil escolha de doar os órgãos e salvar ou não aqueles que têm menos um dia de vida contabilizado devido à falta de um órgão saudável.

Em Cuiabá, um fato emblemático ocorrido há quase três meses atesta esta informação. Um jovem de 26 anos morreu assassinado na capital quando chegava em casa no dia 21 de abril. O arquiteto Anderson Simeão Bastos foi atingido por um tiro na cabeça. A vítima foi internada e encaminhada ainda com vida para o Pronto Socorro da capital, onde permaneceu por dois dias. Devido à gravidade dos ferimentos, o organismo de Anderson não resistiu. Uma junta médica constatou a morte cerebral do jovem.

A tia da vítima, Ayrtes Pulcherio Rivera, disse que logo após a morte de Anderson, os pais do jovem optaram pela doação. "Os pais decidiram espontaneamente doar os órgãos do filho, já que ele era saudável. A doação poderia ajudar muita gente", informou. No total, as córneas, os ossos, os rins, o coração, o pulmão e o pâncreas estavam aptos ao transplante.

Uma equipe da CNT de Brasília esteve em Cuiabá para captar o coração, o pulmão e o pâncreas, órgãos em que Mato Grosso não está habilitado a transplantar. No entanto, a falta de logística para o transporte impossibilitou a doação desses órgãos. Somente uma das córneas, os rins e os ossos de Anderson foram doados. Juntos, os órgãos beneficiaram 44 pessoas. Uma criança da cidade de Guarantã do Norte, localizada a 715 quilômetros de Cuiabá, recebeu uma córnea do arquiteto.

Questionada sobre a ineficiência da doação no caso de Anderson, a Central de Transplantes de Mato Grosso informou na época, por meio de uma nota, que toda a estrutura foi montada para captar os órgãos não transplantados no Estado. A Central classificou de técnico o erro ocorrido no caso de Anderson, uma vez que a equipe vinda da Central Nacional para Cuiabá não conseguiu chegar a tempo em Brasília para realizar o transplante.

Casos como os do arquiteto são rotineiros nas unidades hospitalares espalhadas em todo o Brasil. Isso porque o processo de doação de um órgão é complexo e segue uma série de exigências antes de chegar ao receptor.

Não só Anderson, mas outras 148 pessoas morreram de diversas formas violentas na Grande Cuiabá nos seis primeiros meses deste ano, conforme dados repassados pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Outras informações em relação à doação de órgãos podem ser obtidas pelo Disque-Doação: 0800-61-1997.

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