Estudo aponta possibilidade de 'reprogramar' células de doentes - Diabetes, Vida e Comunidade

Estudo aponta possibilidade de 'reprogramar' células de doentes

31/07/2008 - Repórter Diário


Cientistas das Universidades Harvard e Columbia, nos Estados Unidos, conseguiram pela primeira vez transformar células da pele de pacientes com uma doença neurodegenerativa (esclerose lateral amiotrófica) em células do sistema nervoso, iguais às que são destruídas pela doença.

O experimento, a ser publicado nesta sexta-feira (1) na revista "Science", é mais um avanço nas pesquisas com células-tronco de pluripotência induzida (iPS, em inglês), que há dois anos dividem espaço com as células-tronco embrionárias (CTEs) no palco de celebridades da biomedicina.

Ambas têm a capacidade de se transformar em qualquer tecido do organismo, com a vantagem de que as induzidas não requerem o uso de embriões. A transformação, nesse caso, é mediada pela introdução de quatro genes no DNA de uma célula adulta. Os genes funcionam como um software que reformata a célula de volta ao seu estado "original de fábrica" (pluripotente), equivalente ao das células-tronco embrionárias - que precisam ser colhidas diretamente da "fábrica", ou seja, de um embrião, o que causa objeções éticas à pesquisa.

O estudo abre a possibilidade de produzir células-tronco geneticamente customizadas e em grande quantidade de qualquer paciente, para uso em pesquisas in vitro ou no tratamento de doenças.

O primeiro trabalho com células iPS (de camundongo) foi publicado há dois anos por uma equipe da Universidade de Kyoto, no Japão. Em novembro de 2007, saíram os primeiros resultados com células humanas, retiradas de pessoas jovens e sadias. Agora, os cientistas foram um passo além: mostraram que é possível reprogramar as células de pessoas idosas e doentes, que poderão se beneficiar diretamente da técnica no futuro.

A esclerose lateral amiotrófica (ELA), famosa por acometer o físico britânico Stephen Hawking, é uma doença neurodegenerativa incurável, caracterizada pela perda de neurônios motores, o que causa paralisia progressiva de músculos e órgãos e acaba por levar à morte. Uma solução seria repor os neurônios destruídos com neurônios produzidos em laboratório, por meio da transformação de células iPS. Como as células seriam do próprio paciente, não haveria risco de rejeição.

Essa possibilidade existe, mas ainda está longe de ser colocada em prática, dizem os cientistas. Os pesquisadores trabalharam com células da pele de duas mulheres, de 82 e 89 anos, ambas portadoras de uma forma hereditária de ELA, causada pela mutação de um único gene. A equipe tinha dúvidas se as células de pessoas tão idosas manteriam a capacidade de ser reprogramadas ao estágio embrionário por causa do desgaste natural que os tecidos sofrem com a idade. Mas tudo funcionou surpreendentemente bem.

"Isso mostra o poder dessa técnica", disse a pesquisadora Lygia Pereira, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), que trabalha com células-tronco embrionárias e quer iniciar pesquisas também com as iPS. "A velocidade com que essa área está avançando é espantosa."

Os pesquisadores produziram três linhagens confirmadas de células iPS da paciente de 82 anos, que foram então usadas para produzir neurônios e outras células do tecido nervoso. As células, porém, não foram transplantadas para a paciente. Segundo os cientistas, há muitas questões de segurança que precisam ser resolvidas antes que isso possa ser feito.

ONCOGENE

As células induzidas não carregam a bagagem polêmica das embrionárias, mas têm seus próprios problemas. O principal é que um dos quatro genes necessários para fazer a reprogramação celular é um oncogene, que pode desencadear tumores - como já ocorreu em experimentos com camundongos. E mesmo que esse gene seja eliminado, não há garantia de que os neurônios produzidos em laboratório poderão ser incorporados de maneira funcional ao sistema nervoso dos pacientes.

Outro problema: a introdução dos genes é feita por retrovírus, que inserem o "software" aleatoriamente no genoma e podem afetar outros genes importantes da célula.

A principal expectativa dos cientistas, por enquanto, é que as células iPS sejam usadas como modelos de pesquisa in vitro, para entender os mecanismos biológicos da doença e testar a eficácia de drogas experimentais. Por exemplo, drogas que sejam capazes de bloquear a degeneração dos neurônios.

"Mesmo que essas células nunca sejam usadas em terapia, elas são um material precioso para pesquisa", aponta a geneticista Mayana Zatz, do Centro de Estudos do Genoma Humano da USP, que quer desenvolver um projeto semelhante com pacientes de ELA no País. "Vamos poder estudar muitas coisas in vitro que não podemos estudar diretamente nos pacientes."

CLONAGEM

Apesar dos avanços obtidos com as células iPS, elas não substituem as pesquisas com CTEs, dizem os cientistas. "É essencial que continuemos a trabalhar com as células-tronco embrionárias", afirma Kevin Eggan, do Instituto de Células-Tronco de Harvard, que coordenou o estudo. Ele ressalta que só é possível trabalhar com as células iPS graças ao conhecimento que se obtém das células embrionárias.

Talvez seja possível dispensar o uso da "clonagem terapêutica" para produção de embriões - algo que os cientistas ainda não conseguiram fazer com células humanas. (AE)
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  • Patrícia Barroncas
    28/06/2012 - 16:17

    preciso urgentimente da ajuda de voces ,pois moro longe e a medicina aqui e muito atrasada, segundo o medico eu tenho miastenia gravis mais ainda nao foi comprovada através de exames e sinto que estou perdendo a sencibilidade do lado esquerdo e tambem tenho uns choques no meu corpo e na minha cabeça quero me candidatar como cobaia para celulas troncos ,pois tenho medo de deixar de andar e essa doeça veio depois de um mes de casada e o meu maior sonho é ser mãe me ajudem por favor. patrícia

  • Patrícia Barroncas
    28/06/2012 - 16:29

    preciso urgentimente da ajuda de voces ,pois moro longe e a medicina aqui e muito atrasada, segundo o medico eu tenho miastenia gravis mais ainda nao foi comprovada através de exames e sinto que estou perdendo a sencibilidade do lado esquerdo e tambem tenho uns choques no meu corpo e na minha cabeça quero me candidatar como cobaia para celulas troncos ,pois tenho medo de deixar de andar e essa doeça veio depois de um mes de casada e o meu maior sonho é ser mãe me ajudem por favor. patrícia

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