Hipertensão atinge 30% da população adulta brasileira - Diabetes, Vida e Comunidade

Hipertensão atinge 30% da população adulta brasileira

26/04/2009 - CGN


Uma carreata realizada na manhã de ontem em Cascavel teve como objetivo alertar a sociedade sobre os cuidados com hipertensão e lembrar o Dia Nacional de Combate à Hipertensão (comemorado hoje) e abertura da Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe. A carreata iniciou na Praça do Migrante, seguiu pela Avenida Brasil e se encerrou no Centro de Convenções e Eventos de Cascavel, onde está sendo realizado o 1º Moto Fest, encontro de motociclistas.
De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), a doença que atinge 30% da população adulta brasileira, chegando a mais de 50% na terceira idade e está presente em 5% das crianças e adolescentes no Brasil, é responsável por 40% dos infartos, 80% dos acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e 25% dos casos de insuficiência renal terminal. As graves conseqüências da pressão alta podem ser evitadas, desde que os hipertensos conheçam sua condição e mantenham-se em tratamento.
Para Fernando Nobre, presidente da SBH, a pressão alta é um dos mais graves fatores de risco para as doenças cardiovasculares. O tratamento é extremamente necessário, pois se trata de uma doença silenciosa, que não apresenta sintomas perceptíveis, a não ser quando acontecem complicações como o AVC ou infarto, duas das maiores causas de morte da população brasileira.
Antonio Carlos Palandri Chagas, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, ressalta que o tratamento da pressão alta exige uma dedicação extrema dos indivíduos em manter o medicamento e muita força de vontade na nova disciplina do cotidiano de vida, pois envolve mudanças de comportamento e novos hábitos alimentares.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT), inclusive a hipertensão, são responsáveis por 59% dos óbitos no mundo, chegando a 75% das mortes nos países das Américas e Caribe. No caso do Brasil, 62,8% do total de mortes por causas conhecidas, em 2004, estavam relacionadas à DNT.
 
Hiperdia
 
O Hiperdia, Sistema de Cadastramento e Acompanhamento de Hipertensos e Diabéticos captados no Plano Nacional de Reorganização da Atenção à hipertensão arterial e ao Diabetes Mellitus, foi lançado em 2002 pelo governo federal e consiste em gerar em todas as unidades ambulatoriais do Sistema Único de Saúde (SUS) informações para os gerentes locais, gestores das secretarias municipais, estaduais e Ministério da Saúde.
Além do cadastro, o sistema permite o acompanhamento, a garantia do recebimento dos medicamentos prescritos, ao mesmo tempo que, a médio prazo, poderá ser definido o perfil epidemiológico desta população, e o conseqüente desencadeamento de estratégias de saúde pública que levarão à modificação do quadro atual, a melhoria da qualidade de vida dessas pessoas e a redução do custo social.
Em Cascavel as 32 Unidades Básicas de Saúde (UBS) promovem atividades com grupos do Hiperdia. O responsável pela atenção ao adulto e ao idoso da Divisão de Atenção Básica da Secretaria de Saúde (Sesau), Eder Luiz dos Santos, comenta que 20 mil pessoas estão cadastradas no sistema, destas 17 mil são hipertensas. “Nos dados do Hiperdia não constam os pacientes que fazem tratamento particular. Há também os casos que ainda não foram diagnosticados”, diz Eder. “As pessoas devem ficar atentas a pressão e aferi-la sempre”, acrescenta.
Entre os sintomas da hipertensão estão, dor de cabeça forte, tontura, cansaço, enjôos, falta de ar e sangramentos nasais. As causas estão relacionadas com a hereditariedade, a obesidade, o sedentarismo, o alcoolismo, o estresse e outros fatores. A doença não mata, o que mata são suas complicações, entre elas o Acidente Vascular Cerebral (AVC), enfarto agudo do miocárdio e insuficiência renal crônica. Eder diz ainda, que há uma tendência de crescimento gradativo do problema da hipertensão devido às questões alimentares e o sedentarismo. “As pessoas devem ir mais vezes as Unidades de Saúde para aferir a pressão e participar dos grupos de hipertensos. Um dos focos da saúde é a prevenção”, orienta.
O Hiperdia é um programa do governo federal desenvolvido em parceria com os governos estaduais e municipais.
Os participantes da carreata assistiram, no Centro de Convenções, a um espetáculo de teatro encenado pelos ACS (Agendes Comunitários da Saúde, da UBS do Santa Cruz). O espetáculo destacou a importância da prevenção e os cuidados com a saúde. Acadêmicos de educação física também participaram com atividades de alongamento e orientação.
 
Gestantes hipertensas
 
Na UBS do Posto Central são atendidas gestantes de risco, entre elas as hipertensas. De acordo com a enfermeira e coordenadora do Posto de Saúde Central, Mercedes Bernart, o número de gestantes atendidas tem variação mensal, mas a média fica em torno de dez. O grande problema é que muitas gestantes deveriam fazer o acompanhamento mensal no Posto Central, mas não comparecem. “Muitas tomam o remédio e fazem o acompanhamento. E algumas alegam que não têm dinheiro para vir até aqui ou vão ao posto do bairro e se está tudo bem não vem mais”, observa. “O ideal seria que comparecessem todos os meses”, complementa.
Mercedes diz ainda que há 10 anos havia mais hipertensas gestantes atendidas na unidade. “Hoje este número foi reduzido, graças ao trabalho de prevenção”. Não existem estatísticas sobre quantos atendimentos a gestantes hipertensas são realizados durante o ano no Posto Central, estes dados serão possíveis assim que o sistema for informatizado.
Elenir Gabiati, 27 anos de idade, moradora do Bairro XIV de Novembro, está grávida pela quarta vez. Há cerca de cinco anos faz tratamento para hipertensão e agora com a gravidez tem ido ao Posto de Saúde Central fazer o acompanhamento. Toma remédio para controlar a pressão e a orientação médica foi a de evitar o sal, a gordura e massas. Na sexta-feira quando foi consultar sua pressão estava em 15 X 8. “Não queria mais filhos, mas na troca da pílula engravidei”, conta ela, que considera importante o acompanhamento específico de gestantes hipertensas.
A ginecologista e obstetra Anelise Maria Klass Sepulcri, do Posto Central, diz que o aumento no número de jovens com hipertensão crônica tem chamado à atenção.
A enfermeira Cristiane Nonato comenta que durante a gravidez a hipertensão pode provocar eclampsia, pré-eclampsia e diabetes. “Entre os fatores que podem desencadear a hipertensão na gravidez estão a pré-disposição genética, a ação hormonal (durante a gravidez há um bombardeio de hormônio muito grande) e também fatores emocionais”, observa. Cristiane trabalha mais com pacientes hipertensos idosos, mas tem percebido um aumento no número de jovens.
O secretário de Saúde de Cascavel, Ildemar Canto, destaca que 60% dos casos de hipertensão têm causa, como a obesidade, alterações renais e cardiovasculares, e de 30% a 40% são idiopáticas (não se descobre a causa, que pode ser genética).
 
Diagnóstico
 
Enedir Evanilda Teixeira dos Santos, de 69 anos, moradora do Bairro Periolo, cinco filhos e sete netos, faz tratamento para hipertensão há aproximadamente 5 anos. Ao sentir ânsia de vômito e tontura foi ao Posto de Saúde e a pressão estava alta. Encaminhada a um clínico geral a doença foi diagnosticada e passou a fazer tratamento. Quando a pressão baixou Enedir pensou que podia parar de tomar o medicamento e durante um mês não fez uso do mesmo. “Quando fui ao cardiologista ele me disse que eu não podia parar de tomar remédio”, lembra. Os medicamentos ela pega na Unidade Básica de Saúde do bairro. O marido teve derrame em razão da hipertensão e ficou com sequelas.
Ela conta que antes de descobrir que era hipertensa não tinha o hábito de cuidar da alimentação e gostava de comer carne gordurosa. Hoje, além de se medicar corretamente, faz exercícios duas vezes por semana. Com os exercícios diz que se sente mais disposta e gostaria que as aulas fossem três vezes por semana. “Faço ginástica há 3 anos, só que às vezes falta professor”, lamenta Enedir.
As aulas de ginástica são ministradas por estagiários, supervisionados por professores da Secretaria de Esportes de Cascavel. Todos os anos os alunos que concluem a faculdade têm o contrato de estágio encerrado e até a substituição dos mesmos podem faltar professores para ministrar as aulas.
 
Dez mandamentos para prevenir e controlar a hipertensão
Verifique a pressão pelo menos uma vez por ano;
Pratique atividades físicas todos os dias;
Mantenha o peso ideal, evite a obesidade;
Adote alimentação saudável: pouco sal, sem frituras e mais frutas, verduras e legumes;
Reduza o consumo de álcool. Se possível, não beba;
Abandone o cigarro;
Nunca pare o tratamento, é para a vida toda;
Siga as orientações do seu médico ou profissional da saúde;
Evite o estresse. Tenha tempo para a família, os amigos e o lazer;
Ame e seja amado.
 
O que é hipertensão?
É quando a pressão que o sangue faz na parede das artérias para se movimentar é muito forte, ficando o valor igual ou maior que 140/90 mmHg ou 14 por 9.
 
Quem tem mais risco de ficar hipertenso
Quem consome mais bebida alcoólica
Quem tem hipertenso na família
Quem está com excesso de peso
Quem usa muito sal na alimentação
Quem é diabético
Quem não tem uma alimentação saudável
Pessoas da raça negra
 
Como tratar a hipertensão
Evite ficar parado. Caminhe mais, suba escadas em vez de usar o elevador;
Diminua ou abandone o consumo de bebidas alcoólicas;
Tente levar os problemas do dia a dia de maneira mais tranquila;
Mantenha o peso saudável;
Procure o profissional de saúde e peça orientação quanto a sua alimentação;
Compareça as consultas regularmente;
Não abandone o tratamento;
Tome a medicação conforme a orientação médica;
Tenha uma alimentação saudável;
Diminua o sal da comida.
 
Por que é importante saber se você é hipertenso
Porque a hipertensão arterial ou pressão alta, quando não é tratada, é o principal fator de risco para derrames, doenças do coração, paralisação dos rins, lesões nas artérias, podendo também causar alterações na visão.
 
Complicações
O aumento contínuo da pressão arterial faz com que ocorram danos nas artérias de diversas partes do organismo vivo. A Hipertensão Arterial é um fator de risco para Aterosclerose. Como qualquer artéria do corpo pode ser obstruída pela aterosclerose, praticamente todos os órgãos podem sofrer alterações decorrentes da hipertensão, sendo freqüentes: no coração – o Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), a miocardiopatia e a insuficiência cardíaca; no cérebro – o Acidente Vascular Cerebral (AVC); nos rins – insuficiência renal; nos olhos – diminuição da visão e problemas na retina.
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Comentários sobre este conteúdo

  • Pedro Nunes Araújo
    30/09/2011 - 12:13

    Parabéns; conteúdo bastante elucidátivo, aos portadores de hipertensão e diabetes. Se faz necessário maior divulgação junto ao meios de comunicação, tendo em vista o fato de a grande maioria da nossa população não ter acesso à "internet", de forma a ter maiores esclarecimentos.
    Em relação ao atendimento, posso afirma, por ser portador de Diabetes Melitus, a precariedade, quando não, o descaso por parte do SUS em todo o país, aos portadores de tais doenças. Não se justifica a espera de 7 (meses) para que se obtenha uma consulta junto à estas especiliadades para que se inicie acompanhamento e tratamento - sou exemplo tipíco e comprovado ao que acontece.Considerando-se o fato de viver em uma grande Capital - São Paulo. Me pergunto; o que há ser em cidades distantes de grandes centros ?
    Faz-se necessário que o Ministério da Saúde atente ao fato que milhões de brasileiros portadores de Hipertensão Arterial e Diabetes Melitus, se tratados de maneira adequada, podem serem produtivos ao País, contribuindo à sua grandeza, não onerando o tão deficitário sistema de saúde.

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