Obesidade e os brasileiros - Diabetes, Vida e Comunidade

Obesidade e os brasileiros

17/10/2001 - Agencia Estado


Enquanto luta para acabar com a fome e combater a desnutrição no sertão do Nordeste e na periferia das capitais, o Brasil convive com outro problema alimentar geralmente associado a países desenvolvidos: a obesidade.



Estimativa do Ministério da Saúde mostra que 6% dos homens e 12% das mulheres com mais de 18 anos sofrem da doença, apontada como fator de risco para problemas cardíacos, diabetes e câncer de mama.



Além disso, um terço da população tem peso acima do saudável. Na tentativa de corrigir os maus hábitos alimentares da população, o governo estuda restringir a publicidade de alimentos para o público infantil na TV.



Uma das hipóteses analisadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária é seguir o procedimento já adotado nas propagandas de cigarro, com a veiculação de mensagem do Ministério da Saúde após o anúncios, alertando para a limitação nutricional das guloseimas.



“A criança na fase pré-escolar não tem leitura crítica nem maturidade para filtrar o que vê”, disse a diretora do Departamento de Política de Alimentação e Nutrição do ministério, Denise Coitinho.



Outra hipótese seria a proibição de anúncios de alimentos durante a programação infantil. O governo quer também regulamentar o funcionamento das cantinas escolares, limitando o tipo de alimento vendido aos alunos.



“Em Florianópolis foi proibida a venda de refrigerante nas escolas”, contou a diretora.



Representantes de entidades médicas cobraram nesta quinta-feira do presidente Fernando Henrique Cardoso a definição de estratégia nacional para enfrentar a doença, com a capacitação de profissionais da área de saúde.



A iniciativa ganhou o apoio do cartunista Maurício de Sousa, criador da Turma da Mônica, que vai produzir um desenho animado e inserir orientações alimentares nas histórias em quadrinhos de seus personagens.



“A obesidade pode ser considerada uma epidemia no País pela sua velocidade de expansão”, disse Denise. Ela participou de seminário promovido pelas entidades médicas no Senado.



“Se não fizermos nada neste momento, em dez anos vamos chegar ao patamar dos Estados Unidos, que têm 24% da população obesa.”



Desde os anos 80, o número de brasileiros que sofrem com a obesidade supera o de desnutridos. Normalmente associado à fartura, o excesso de peso não se relaciona diretamente com a classe social. Pelo contrário.



A exemplo do que ocorre nos Estados Unidos, o Brasil já apresenta situações em que o total de obesos é maior entre a população mais pobre. É o caso das mulheres adultas na Região Sudeste, onde há mais obesas na base da pirâmide social do que no topo.



“A obesidade não é uma doença só de rico. É de pobre também”, afirmou o presidente eleito da Fundação Interamericana do Coração, Sérgio Timerman, um dos responsáveis pelo seminário.



Ele apontou a dieta irregular, com a prevalência de alimentos ricos em gordura, como responsável pelo problema. “A taxa de obesidade só é muito baixa em países como a Tanzânia e a Etiópia. É preciso ser bastante pobre para ficar desnutrido”, disse o presidente da Associação Brasileira para Estudo da Obesidade, Márcio Mancini.



“Os produtos industrializados, como os biscoitos, têm alto teor de gordura”, complementou a nutricionista do Departamento de Endocrinologia do Hospital das Clínicas de São Paulo, Ana Maria Lottenberg.



Demétrio Weber


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