Nova geração de exames - Diabetes, Vida e Comunidade

Nova geração de exames

17/10/2001 - Agencia Estado


Para as grandes indústrias farmacêuticas que estão investindo em biotecnologia, o pote de ouro no fim do arco-íris são drogas como o Glivec, da Novartis, capaz de bloquear a ação de uma proteína alterada na leucemia mielóide crônica. Ou a herceptina, um anticorpo monoclonal - uma espécie de míssil teleguiado - produzido pela Genentech que tem como alvo a proteína HER-2, alterada em 25% dos casos de câncer de mama. São medicamentos produzidos sob medida para cada doença, que causam poucos efeitos colaterais e atingem o inimigo de forma quase certeira - já há casos de resistência ao Glivec e a herceptina não cura o câncer de mama, mas prolonga a vida.



Mas, por maiores e mais acelerados que sejam os avanços da biotecnologia, as drogas da era pós-genoma não vão chegar ao mercado da noite para o dia. O Glivec, por exemplo, consumiu 20 anos de pesquisas. Os especialistas, porém, apostam, no curto prazo, no impacto de uma nova safra de testes para detecção e diagnóstico de doenças que vão da hipertensão aos vários tipos de câncer, exames capazes de apontar, dentre a gama de drogas hoje disponíveis, qual a mais indicada para este ou aquele caso, com redução nos custos do tratamento e, principalmente, menos sofrimento. Pesquisas para identificação de marcadores genéticos específicos, que possam ser usados no desenvolvimento de novos medicamentos ou para exames de detecção e diagnóstico precoce, estão em andamento em todas as partes do planeta, inclusive no Brasil. E já há quem preveja uma mudança radical das políticas governamentais de saúde e de comportamento da população.



Exemplo finlandês - Ninguém sabe ao certo por que, mas os países nórdicos registram uma alta incidência de diabetes tipo 1, a que se caracteriza por um ataque do sistema imunológico às células do pâncreas produtoras de insulina e geralmente aparece em crianças e jovens.



Por isso, já há algum tempo, as autoridades de saúde da Finlândia criaram o Diabetes Prediction and Prevention (Dipp), que testa os recém-nascidos para a presença de dois anticorpos e de alterações num gene - chamado IDDM1, que fica no cromossomo 6 -, associados à doença. "São feitos exames de sangue de 3 em 3 meses até a criança completar 2 anos e duas vezes por ano até ela alcançar os 15. O teste só é feito com o consentimento dos pais, mas a adesão gira em torno de 95%", conta Paul White, gerente de projetos especiais da PerkinElmer Life Sciences, multinacional de biotecnologia, presente em 129 países, com matriz na Finlândia. As crianças do grupo de risco recebem insulina inalável em caráter "preventivo", não para evitar a diabete, mas para tentar retardar ao máximo o aparecimento da doença. Seis anos a mais sem a doença significam seis anos a menos de desgaste para o organismo e mais seis anos de fôlego para o avanço das pesquisas.



"Fazer essa transição para a prevenção é um grande desafio em termos de comportamento, pois implica em tratar a doença antes de seu aparecimento e essa não é uma atitude usual do ser humano", reconhece. "Essa virada vai ser comandada pelos governos e pelas seguradoras, porque, mais cedo ou mais tarde, eles vão perceber que isso é mais econômico do que tratar a doença", afirma White. De acordo com ele, ambos vão sentir cada vez mais a pressão de uma população que está envelhecendo, aumentando a demanda por serviços de saúde especializados no atendimento a doenças como mal de Alzheimer, de Parkinson, hipertensão, diabetes e câncer. Hoje, segundo estimativas recentes, 90% do orçamento destinado às pesquisas da área de saúde são gastos com apenas 10% da população.



"No futuro próximo, esses exames genéticos para detecção de doenças que podem vir a se manifestar serão tão comuns quanto o teste do pézinho, que são feitos hoje nos recém-nascidos para diagnosticar fenilcetonúria e hipotireoidismo", prevê. White acredita que o avanço das descobertas vai acabar derrubando a tese de que esses testes vão dar origem a discriminação no emprego ou em seguros de saúde. "com o tempo, as pessoas vão se dar conta de que ninguém é geneticamente perfeito", diz.



Estilo de vida - Ser portador desta ou daquela característica genética não significa que a pessoa vá necessariamente ter esta ou aquela doença. Existe ainda o enorme peso dos fatores ambientais, ou seja dos hábitos e do estilo de vida. "A idéia é que se inicie a prevenção o mais cedo possível, por exemplo, limitando o consumo de alimentos gordurosos e sal para crianças com tendência comprovada a ter colesterol alto e hipertensão", diz. Saber com antecedência quais as doenças com chances de ter maior prevalência numa dada população permitiria que governos se preparassem melhor para atender essa demanda futura.



Outro aspecto que costuma passar despercebido quando se analisa perspectivas futuras é o do melhor aproveitamento dos medicamentos já existentes e mesmo de nova avaliação de drogas que, no passado, foram descartadas porque eram eficientes para uma parcela muito pequena de doentes. É a história do analgésico que funciona para João, mas não melhora a vida de Pedro. Hoje, sabe-se que pequenas diferenças genéticas individuais são a causa dessas diferentes respostas a um mesmo produto. "Atualmente, as indústrias farmacêuticas consideram excelente a droga que é eficaz para 25% ou um pouco mais dos pacientes com uma doença, mas isso também deve mudar, porque agora começamos a pensar numa medicina personalizada", antecipa White. No futuro próximo, o doente sairá do consultório médico com a receita do melhor remédio para o seu caso, na dose ideal para seu organismo.



RUTH HELENA BELLINGHINI



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