“Isso nunca tinha acontecido antes” - Diabetes, Vida e Comunidade

“Isso nunca tinha acontecido antes”

22/08/2010 - Tribuna do Norte


O título deste Artigo reproduz a famosa desculpa dada pelo homem ao falhar em atingir a ereção peniana ao tentar o intercurso sexual. Muitos já a pronunciaram pelo menos uma vez na vida, pelo que o tema deste Artigo é de interesse não só para os indivíduos que adentram em idade como para suas companheiras!

Comece-se pela definição.  Disfunção erétil (DE) é a denominação dada à dificuldade em ter ou manter uma ereção adequada para atividade sexual satisfatória.   É mais comum do que se pensa: chega a atingir, numa ou noutra ocasião, metade da população masculina, e importa saber que falhar ocasionalmente não significa ser impotente.   Por vezes trata-se apenas de um episódio de desânimo, não computável como verdadeira impotência, e trata-se de problema bem encontradiço, calculando-se que afete mais de dez milhões de homens brasileiros. 

A DE tanto pode ser provocada por elementos psicológicos como por orgânicos ou pela combinação de ambos. Aparentemente a imensa maioria dos homens jovens que apresentam súbita redução da capacidade de ereção deve sua condição a causas psicológicas.  Até a quarta década de vida julga-se que nove em cada dez casos ocorrem por tais fatores.  Após a sexta, metade já ocorreria por motivos orgânicos (físicos).  Ademais, os fatores psicológicos também estão presentes e são complicadores adicionais mesmo quando a causa básica da impotência é orgânica. 

As causações psicológicas compreendem: conflitos sexuais íntimos; depressão; ansiedade em geral; síndrome do “burn-out” (a conhecida “estafa”); excesso de trabalho; preocupação com o próprio desempenho sexual; brigas com o cônjuge.  

As orgânicas compreendem, entre outras mais: diabete melito; distúrbios neurológicos primários; cirurgia ou traumatismo pélvicos; efeitos colaterais de medicamentos; insuficiências gonadal, renal, hepática, cardíaca e tireoidiana; hipertensão arterial severa; AVC; infarto do miocárdio; doenças debilitantes crônicas (incluindo tuberculose pulmonar, câncer, AIDS); aterosclerose intensa. 

O uso de tóxicos merece consideração à parte, e provoca, inicialmente, diminuição do desejo, seguindo-se incapacidade erecional.   Cada um age de sua forma peculiar. O álcool tanto provoca neuropatia periférica quanto depressão do Sistema Nervoso Central.  A cocaína lesa diretamente a musculatura lisa que existe nos corpos cavernosos do pênis.  A maconha pode alterar os níveis de testosterona.  O tabagismo causa vasoconstricção, lesa a parede arterial e diminui o colesterol benéfico, o que predispõe à arteriosclerose e à aterosclerose.

Hoje já há muitas possibilidades de tratamento.  É fundamental tomar precauções, quais: ter hábitos de vida saudáveis, exercitando-se regularmente e usando comidas equilibradas; evitar o fumo, o álcool e as drogas ilícitas; ter uma companhia interessante e interessada na vida sexual do casal.  Quanto à tão propalada abordagem terapêutica hormonal, na verdade só metade dos casos têm sido comprovados como ocasionados por níveis anormais de hormônios sexuais, e estes, realmente, têm solução simplíssima: basta repor a testosterona (quando não houver outras afecções, como as prostáticas, que o impeçam!).  Para os casos com componente psíquico, a terapia sexual e o aconselhamento e psicológico reduzem o nível de ansiedade.  Dispositivos de vácuo, nos quais se insere o pênis num cilindro de plástico e se induz vácuo, obtendo ereção, têm sido muito vendido mas têm apresentado resultados instáveis.  Colocação de prótese peniana pode ser uma solução mas fica para casos extremos.  Há também o recurso a fitoterápicos quais marapuama, ginseng, catuaba, maca, ioimbina, entre outros.  Novos medicamentos de síntese química têm-se revelado mui úteis, dentre os quais os três a seguir agem diretamente no pênis inibindo a enzima fosfodiesterase e elicitando vasodilatação com ereção.  São  sildenafiI, vardenafil, tadalafila. Têm alguns pequenos efeitos colaterais e convém serem indicados para cada caso, bem como são contra-indicados nos homens que usam nitratos para tratamento da hipertensão arterial.   Pode-se adicionar a apomorfina, que age no Sistema Nervoso Central, do qual é enviado estímulo para que o pênis fique ereto, e a fentolamina, que impede que o excesso de adrenalina da ansiedade bloqueie a ereção. 

A mensagem básica que deve ficar, então, é: pode-se erguer a cabeça e ter boas sessões de sexo, independentemente da causa do problema!   O que vale é olhar a questão de frente, deixar a vergonha de lado e buscar orientação qualificada!

Que essa revisão tenha sido proveitosa e até a semana vindoura!
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Comentários sobre este conteúdo

  • Gustavo
    15/07/2012 - 20:49

    Eu deixei de usar cocaina, ocorreu comigo dificuldade de manter a ereção, com o tempo ja que suspendi totalmente e definitivamente o uso de cocaina, minha ereção voltara ao normal, ou terei de buscar tratamento?

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