Novos dispositivos monitoram saúde de pacientes em casa - Diabetes, Vida e Comunidade

Novos dispositivos monitoram saúde de pacientes em casa

01/12/2010 - Yahoo


Milhares de pacientes em estado grave estão utilizando monitores computadorizados para se tratarem sem sair de casa.

Isto se deve principalmente ao envelhecimento da população americana, que ameaça sobrecarregar médicos e hospitais.

Rachel Hofstad, 94, de Rochester, Minnesota, é professora aposentada e sofre de uma doença pulmonar crônica.

Ela é um dos 200 pacientes que participam do teste de um sistema de monitoramento domiciliar conduzido por médicos da clínica Mayo.

O dispositivo é do tamanho de uma cafeteira.

"De manhã, na primeira hora,uma luz se acende e um alarme soa", conta Rachel.

Ela toca na tela para efetuar olog in, desliza o antebraço sobre um aparelho medidor de pressão e aperta um botão.

Instantaneamente, são exibidos na tela sua pressão e seus batimentos cardíacos.

Em seguida, ela desliza o dedo para dentro de um sensor que mede a oxigenação do sangue e depois verifica o peso em uma balança acoplada à máquina.

"A máquina diz que estou bem", relata ela.

O aparelho também faz perguntas, como "Você está tossindo mais que o habitual?".

Se a resposta for sim, uma enfermeira será chamada para auxiliá-la.

Os pesquisadores dizem que dispositivos como este podem motivar os pacientes idosos com doenças crônicas, como cardíacas ou pulmonares, diabetes avançada ou depressão a seguir os conselhos dos médicos e enfermeiros e participar dos tratamentos.

Grandes multinacionais, como GE, Phillips, Intel, Honeywell e Bosch têm se empenhado no desenvolvimento da chamada "tele-saúde." No mês passado, a AT&T informou que vai oferecer um monitor de diabetes acessível por telefone para parte de seus 1,2 milhões de empregados, aposentados e dependentes.

Embora o objetivo do monitoramento em casa seja evitar dispendiosas visitas a hospitais, os estudos até agora apresentaram resultados variados.

As versões anteriores desta tecnologia não trouxeram economia nos gastos com saúde.

Na semana passada, pesquisadores da Universidade de Yale publicaram na revista científica "New England Journal of Medicine" os resultados decepcionantes de um estudo com pacientes cardíacos de alto risco que tinham dispositivos para monitoramento em suas casas.

Ainda assim, o Dr. Douglas L. Wood, cardiologista e especialista em política de saúde da clínica Mayo, espera que o monitoramento remoto se desenvolva rapidamente.

"É incrível ver a rapidez com que os idosos estão se adaptando à tecnologia", diz ele.

Os defensores do tratamento em casa, como o Dr. Steven H. Landers, diretor da unidade de tratamento domiciliar da Cleveland Clinic, diz que este tipo de tratamento em geral é menos dispendioso e produz melhores resultados do que exames ocasionais e internações recorrentes.

Em um artigo publicado no "New England Journal" no mês passado, Landers lista as forças que impulsionam os tratamentos domiciliares: envelhecimento da população, "epidemias" de doenças crônicas, avanços tecnológicos, políticas de proteção ao consumidor e rápida escalada dos custos com saúde.

Ele ainda acrescenta que ''os planos de saúde que não se adaptarem ao tratamento domiciliar acabarão se tornando ultrapassados".

Um ensaio publicado no mês passado no "New England Journal" pelo Dr. Sarwat I. Chaudhry, professor adjunto da Faculdade de Medicina de Yale, mostrou que um estudo de seis meses não encontrou diferenças significativas no estado de saúde entre os pacientes que foram monitorados em casa e um grupo controle que recebeu o tratamento habitual.

Mas o Dr. Gregory J. Hanson, geriatra da clínica Mayo responsável pelo teste do qual Hofstad participa, explica que há muitos tipos de sistemas e dispositivos de monitoramento, e eles podem variar em eficácia.

Os relatórios diários dos pacientes em casa são ''uma forma diferente de prática," diz ele.

A idade média dos pacientes que participam do teste da clínica Mayo é de 80 anos, e a maioria já frequentou hospitais.".

Nós estamos aprendendo a interagir com os pacientes e trabalhar em conjunto e de forma coordenada com os planos de saúde", explica Hanson.

Eric Dishman, diretor de estratégia de saúde digital da Intel, que possui um sistema diferente, observa que no sistema de monitoramento do estudo de Yale os pacientes precisam passar por telefone seus resultados diários, porém muitos não o fazem.

Uma série de outros sistemas de monitoramento transmite automaticamente as informações dos pacientes.

Alguns fornecem feedbacks personalizados, que ajudam o paciente a continuar o tratamento.

Dishman espera que os projetos pilotos de grande escala, adaptados às novas diretrizes de saúde, ''sejam as melhores opções" em monitoramento domiciliar.

Os planos de assistência médica da Intel e da GE estão investindo US$ 125 milhões cada num projeto para desenvolver novos sistemas de tele-saúde.

''Descobrimos que nossos pacientes em atendimento domiciliar se sentem à vontade para contar fatos às unidades de tele-saúde que eles hesitam em dizer aos enfermeiros", explica Bridget Gallagher, vice-presidente sênior do Jewish Home Lifecare, em Nova York.

"Às vezes, eles não contam à enfermeira ou aos membros da família sobre uma queda, pois temem que eles digam que não podem ser tratados em casa", conta ela.

Num dos maiores programas, mais de 48 mil veteranos participam do monitoramento domiciliar.

O Departmento de Assuntos dos Veteranos informa que houve uma redução de 19% no número de internações, segundo um estudo de 2007, com 17.025 pacientes que usavam monitores em casa.

O departamento planeja ter 92 mil pacientes em monitoramento residencial até 2012, diz o Dr. Adam Darkins, consultor chefe da coordenação de cuidados com os veteranos.

A Alere Inc., uma empresa de gestão de saúde baseada em Waltham, Massachusetts, possui 90 mil pacientes que usam seus aparelhos de monitoramento doméstico, incluindo 45 mil que tomam medicamentos vasoconstritores, diz o Dr.

Norman Gordon, diretor de inovação da empresa.

Um deles é Michael L. Johnson, 72, tenente coronel reformado que comandou as unidades médicas do exército americano no Vietnã e que sofre de insuficiência cardíaca congestiva.

Ele faz os exames de sangue em casa, em vez de ir a um laboratório, e envia os resultados por e-mail para a Alere, que os encaminha ao médico.

Os sistemas nacionais de saúde da Europa e do Japão estão à frente dos Estados Unidos no monitoramento domiciliar, dizem especialistas do setor.

Mas a diferença pode diminuir, pois há uma crescente pressão para a diminuição dos gastos com saúde no país.

O governo Obama planeja fazer cortes nos generosos pagamentos às empresas de seguros para os quase 11 milhões de usuários dos planos de saúde Medicare Advantage.

Os defensores dizem que a tele-saúde, se cuidadosamente focada, pode ajudar a reduzir os custos com os 5% de pacientes nos Estados Unido responsáveis pela maior parte dos gastos.

A OptumHealth, uma divisão do grupo UnitedHealth, já acompanha mais de 12 mil pacientes cardíacos da Medicare em casa, e mais 7 mil de planos privados de saúde.

Eles se pesam duas vezes por dia e respondem a um questionário sobre seu estado de saúde através do computador O plano de saúde Humana pretende recrutar 2 mil idosos portadores de insuficiência cardíaca congestiva no próximo ano, para um estudo com um dispositivo de monitoramento da Intel, do mesmo tipo utilizado no estudo da clínica Mayo.

O grupo Aetna realizou um teste com o dispositivo Intel e 330 pacientes cardíacos do Medicare.

Os resultados serão publicados em um informativo que circula entre os médicos, diz o Dr. Randall Krakauer, diretor nacional de saúde do Aetna.

As apostas são altas: 68 mil usuários Medicare do Aetna sofrem de pressão alta.

Um médico que se diz cauteloso em relação à tele-saúde é o Dr. Daniel Einhorn, diretor do instituto Scripps Whittier Diabetes Institute, em La Jolla, Califórnia, e presidente da Associação Americana de Endocrinologistas Clínicos.

Embora a WellDoc, empresa que fabrica os dispositivos para a AT&T, tenha dito que seu sistema de monitoramento reduziu significativamente o A1C, um indicador de glicose no sangue, em um teste aleatório com pacientes portadores de diabetes do tipo 2, Einhorn prefere esperar para ler o relatório final que será publicado.

Segundo Einhorn, o tratamento de diabetes depende de vários detalhes: "Nós precisamos saber se existem padrões de níveis de glicose, a idade do paciente, as medicações e outros problemas médicos".

A Dra. Suzanne Clough, especialista em diabetes e uma das fundadoras da WellDoc, concorda que ''um médico precisa saber muito sobre o indivíduo.

Uma mensagem telefônica não pode substituir o médico, mas pode fornecer informações adicionais, conhecimento e dados contextualizados", afirma.

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