Fábio Gomes da Silva e Luiz Antonio Santini: Em pratos limpos

24/5/2011 - O Dia Online

Em setembro, reunião da Organização das Nações Unidas vai discutir as doenças crônicas não-transmissíveis, como o diabetes, os problemas cardiovasculares e o câncer. Chamaram a atenção da cúpula da ONU os efeitos devastadores desses males, que vão além de impactos para a saúde pública e atingem questões essenciais ao desenvolvimento das nações. No mundo, são a causa de seis em cada 10 mortes — cinco são registradas em países em desenvolvimento. É nítido que investir na recuperação de pessoas adoecidas sem interferir na origem dessas enfermidades é extremamente caro.
 
Dos seis principais fatores de risco dessas doenças, quatro estão intimamente relacionados com a alimentação: hipertensão, glicose elevada, obesidade e colesterol alto. É evidente a influência da má alimentação, que hoje é marcada pelo consumo excessivo de produtos prontos para aquecer, os quais possuem altas concentrações de calorias, açúcar, gorduras e sal.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer, a combinação do peso adequado com a prática de atividades físicas e alimentação saudável é capaz de evitar 19% dos casos de câncer do País. Mas é forte a expansão das guloseimas no cardápio dos brasileiros, que em três décadas aumentaram em 400% o consumo de refrigerantes e biscoitos. Com isso, metade da população adulta já está acima do peso e, se o País não fugir desse caminho, em 12 anos, o Brasil poderá alcançar o percentual dos EUA — dois obesos para cada três americanos.

A intervenção requer a regulação da publicidade que incita o consumo irrestrito de produtos não saudáveis, sobretudo entre as crianças; a interferência no acesso financeiro por meio de políticas fiscais; e o controle nos ambientes onde os produtos estão expostos.

O Inca reconhece que é um avanço o acordo firmado entre o Ministério da Saúde e a indústria de alimentos na redução gradual do sal. Esse é o primeiro passo em prol da melhoria na alimentação dos brasileiros.

O Brasil exporta o exemplo bem-sucedido de intervenção no fumo. Como resultado, a prevalência de tabagismo na população adulta brasileira caiu para 15,1% de 2006 a 2010, o que evidencia o potencial impacto que ações semelhantes exerceriam na alimentação.

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