Coreia do Sul cria cachorros fluorescentes para pesquisar doenças - Diabetes, Vida e Comunidade

Coreia do Sul cria cachorros fluorescentes para pesquisar doenças

21/08/2011 - R7


Um grupo de cientistas sul-coreanos conseguiu clonar cães geneticamente modificados e com propriedades fluorescentes que podem ajudar a curar doenças humanas e dar um passo à frente no avanço das pesquisas médicas.

Fora do laboratório liderado pelo professor Lee Byeong-chun na Universidade Nacional de Seul, é possível escutar os latidos dos únicos cachorros clonados do mundo, um marco na replicação animal. Entre eles está Snuppy, um galgo que em 2005 se transformou no primeiro cachorro clonado da história, sob a direção do polêmico cientista Hwang Woo-souk, que renunciou ao reconhecer que tinha falsificado dados de pesquisas sobre células-tronco de embriões humanos clonados.

Agora, o laboratório da Universidade de Veterinária, que atraiu todos os olhares da comunidade científica mundial em 2005, mudou o enfoque de suas pesquisas e se concentra na clonagem de cachorros, uma linha de trabalho que se demonstrou válida e longe de qualquer dúvida. A última conquista da equipe de trabalho do professor Lee é a criação de um beagle, nascido em 2009, que revela propriedades fluorescentes ao ingerir um antibiótico que ativa sua pele lumínica, adquirida por manipulação genética.

O cachorro, uma fêmea, se chama Tagon e, sob luz ultravioleta e um filtro especial, mostra uma característica única em sua espécie: reflete um forte sinal verde que, além de atrair a atenção do público, poderia ser de utilidade para estudar curas para as doenças. Segundo explicou Lee à agência de notícias Efe, é possível aplicar um procedimento similar em doenças humanas, de modo que, ao tomar um remédio indutor, se ativem funções genéticas específicas.

O mesmo princípio inspirou a criação de Ruppy, outro beagle, cujo DNA sintetiza uma proteína que faz com que seus tecidos sejam de cor vermelha, que por sua vez fica fluorescente sob a luz ultravioleta. A cor vermelha de Ruppy serve para demonstrar que a inserção genética funcionou "como um marcador", detalha Lee em seu escritório, rodeado por cachorros de pelúcia.

O professor argumenta que a seleção de cachorros como objeto de estudo se deve ao fato de que eles compartilham mais de 269 genes de doenças com os humanos. Por isso, podem servir de modelo de pesquisa para doenças como o Parkinson. No entanto, esses experimentos tropeçam com a grande dificuldade de clonar um cachorro: muito maior e mais cara que o processo necessário para um rato ou uma ovelha, como a pioneira Dolly.

Contudo, o laboratório conseguiu ter seu trabalho reconhecido em reportagens publicadas na revista Time e no jornal The New York Times, que abordaram uma parte lucrativa: a venda de clones de cachorros mortos a seus tristes donos. Tal negócio é realizado por meio da empresa privada RNL Bio, que pode chegar a cobrar mais de R$ 160 mil (US$ 100 mil) por filhote.

Além disso, Lee e sua equipe conseguiram com sucesso clonar espécies em extinção, como o lobo coreano, ou criar uma linha de cachorros com melhor olfato para as alfândegas ou mesmo para detectar tumores.

Begoña Roibas, uma espanhola que chegou ao centro no início de 2010, trabalha na clonagem de vacas transgênicas que produzem uma proteína em seu leite relacionada ao sistema imunológico. A cientista de 28 anos compartilha os laboratórios com mais 20 pesquisadores, todos eles sul-coreanos, e se dedica a inserir códigos genéticos em complexas sequências de DNA que posteriormente são introduzidas nas células para a clonagem.

Na opinião da pesquisadora, a grande vantagem da Coreia do Sul com relação à Espanha é o grande volume de financiamento dedicado a esses custosos projetos, destinados a abrir caminho entre os maiores centros de pesquisa mundial.

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Comentários sobre este conteúdo

  • cristiane
    12/04/2012 - 21:32

    como conseguiram fazer caes fluresentes

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