13/12/2011 - Para
A coordenação do Programa HiperDia - Hipertensão e Diabetes - da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) realiza até esta quarta-feira, 14, a terceira oficina de capacitação sobre os protocolos de Hipertensão e Diabetes no Estado. Durante o período, médicos e profissionais de enfermagem do 1º, 2º, 4º, 11º, 12º e 13º Centros Regionais de Saúde poderão estar mais por dentro das novas diretrizes clínicas para o cuidado com os pacientes dessas doenças crônicas, de acordo com protocolo recomendado a partir de 2010 pelo Ministério da Saúde (MS).
Durante o ano, a Sespa tem se empenhado em treinar profissionais dos demais Centros Regionais no intuito de torná-los agentes multiplicadores para o manejo adequado na atenção primária e o controle da hipertensão e diabetes que, quando tratadas, têm suas complicações minimizadas. Segundo Marta Bouillet, coordenadora estadual do HiperDia, foi também uma forma encontrada de mostrar o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e das suas atribuições como profissionais na atenção básica e no cuidado com esses pacientes.
Ainda de acordo com Marta, a capacitação dos profissionais ajudará na redução dos índices de internações por complicações relacionadas às duas doenças, visto que o conteúdo programático auxilia na organização e implantação de ações de saúde voltadas para a prevenção, controle e autocuidado relacionados à hipertensão e ao diabetes.
"A abordagem multiprofissional é de fundamental importância no tratamento da hipertensão e na prevenção das complicações crônicas. Assim, como todas as doenças crônicas, a diabetes também exige um processo contínuo de monitoramento e motivação para que o paciente não abandone o tratamento. Sempre que possível, além do médico, devem fazer parte da equipe os seguintes profissionais de saúde: enfermeiro, nutricionista, psicólogo, assistente social, professor de educação física, farmacêutica e os agentes comunitários de saúde, quando se trata da rede pública do SUS", informa a coordenadora estadual do HiperDia.
Durante o início do treinamento, foi mostrado que esse tipo de abordagem é muito mais eficaz para prevenir as doenças cardiovasculares, como o infarto e o acidente vascular cerebral (AVC), além das doenças renais crônicas. Além disso, o Ministério da Saúde repassa recursos para todos os municípios brasileiros comprarem os medicamentos essenciais que devem estar disponíveis nas unidades de saúde da rede básica. Os portadores ficam vinculados à Unidade ou Equipe de Saúde, sobretudo aonde existe a Saúde da Família e são cadastradas em um Sistema Informatizado - o Hiperdia - para facilitar o acompanhamento.
O Sistema de Saúde, leia-se secretarias municipais e estaduais de Saúde, executa ainda ações de promoção da saúde e prevenção de riscos de caráter individual e coletivo em grupos de portadores e na comunidade, o que permite um processo educativo contínuo e eficaz para o controle da doença. As ações incluem ainda disponibilidade de remédios na rede básica, registro dos pacientes em sistema eletrônico e realização de campanhas de prevenção.
A hipertensão e diabetes são doenças que atacam silenciosamente e crescem cada dia mais. Constituem, sobretudo, nos principais fatores de risco para as doenças do aparelho circulatório. Entre as complicações mais frequentes decorrentes encontram-se a insuficiência renal crônica, as amputações de pés e pernas, a cegueira definitiva, os abortos e as mortes perinatais.
Somente na rede pública do Pará estão matriculados no Programa Hiperdia, desde janeiro de 1999, 21.319 diabéticos e 54.290 diabéticos com hipertensão. Na avaliação de um dos problemas encontrados no Sistema, detectou-se que falta interesse dos próprios hipertensos e diabéticos em criarem vínculos com as unidades de saúde, visto que o paciente deve ser o co-responsável por seu agravo e não procurar as unidades básicas e os hospitais somente quando estiver em momentos de crise. Muitas vezes só toma conhecimento da doença após um Acidente Vascular Cerebral, por exemplo. Para uma pessoa se cadastrar no Programa HiperDia, basta procurar a Unidade Municipal de Saúde mais próxima de sua casa e solicitar o acompanhamento.
Até esta quarta-feira, os profissionais participantes da oficina ainda assistirão temas como "Abordagem de crianças e adolescentes com diabetes", "Pé diabético", "Tabagismo como fator de risco", "Fortalecimento da atenção básica, busca ativa e captação de suspeitos com hipertensão e diabetes", "Doença renal crônica", "Mudança de estilo de vida: alimentação saudável e a importância da atividade física" e "Urgência e emergência".
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