Portugal - Diabéticos tipo 2 perdem quase 4 vezes mais peso com dieta proteinada do que com uma dieta hipocalórica - Diabetes, Vida e Comunidade

Portugal - Diabéticos tipo 2 perdem quase 4 vezes mais peso com dieta proteinada do que com uma dieta hipocalórica

13/03/2012 - Médicos de Portugal


Resultados é preliminares do Estudo DiaproKal, um ensaio clínico aberto, multicêntrico, que avalia a segurança e a tolerabilidade de uma dieta proteinada (DiaproKal) em comparação com uma dieta hipocalórica, em pacientes obesos e diabéticos. Os dados foram apresentados esta quinta-feira pela PronoKal ®, empresa líder no tratamento para a perda de peso através de uma dieta proteinada, no âmbito do 10.º Congresso português da Diabetes.

 

 

 

Os números de obesidade e excesso depeso nos países europeus, estabelecem que mais de 50% da população está obesa ou com excesso de peso[1]. Em Portugal, de acordo com os dados da sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade, mais de 14,2% dos portugueses - 1,5 milhões de pessoas - são obesos e perto de 40% estão em sério risco de o ser[2]. Quanto à diabetes, o Relatório Anual de 2010 do Observatório Nacional da Diabetes indica que em perto de um milhão de portugueses, 12,3% da população, sofre da doença[3].

 

Atualmente, a diabetes mellitus tipo 2 é paralela e muito próxima da obesidade. Mais de 80% das pessoas com diabetes tipo 2 têm excesso de peso ou são obesos. Por isso, dentro da comunidade médica são cada vez mais os que defendem uma abordagem combinada de ambas as doenças.

 

"O objectivo da PronoKal® foi perceber até que ponto a dieta proteinada poderia resultar para este tipo de doentes. Daí termos desenvolvido o estudo DiaproKal, que representa uma nova abordagem do paciente com diabetes tipo 2, através da perda de peso e da modificação do estilo de vida, cujos resultados estão a ser muito encorajadores", diz o Dr. Ignacio Sajoux,consultor médico da PronoKal ®.

 

 

 

Principais resultados

 

O estudo DiaproKal inclui 90 pacientes obesos com diabetes tipo 2 de curta evolução, recrutados e distribuídos em dois grupos. Um grupo, composto por 45 pacientes, segue a dieta proteinada (DiaproKal) e o outro, com 45 pacientes, segue uma dieta hipocalórica equilibrada (ingestão calórica 10% abaixo da taxa metabólica basal, calculada segundo a fórmula FAO/OMS/ONU).

 

Em relação à perda de peso, os resultados preliminares mostram que, em 2 meses, numa amostra de 44 pacientes (23 com dieta proteinada e 21 com hipocalórica), o grupo com DiaproKal reduziu, em média, 12,02% do seu peso, enquanto aqueles que seguem a dieta hipocalórica só reduziram 3,47%. Em valores absolutos, a perda é de 11,02 kg para os que seguem DiaproKal, quase quatro vezes mais do que os tratados com dieta hipocalórica, que têm uma perda de apenas 2,92 kg.

 

Quanto ao Perímetro da Cintura, outro dos principais indicadores de risco para a saúde, destaca-se que os pacientes tratados com DiaproKal apresentam umaredução média de 9,97 cm, mais do dobro dos que seguem uma dieta hipocalórica, nos quais a redução foi, de 4,94 cm em média. Essa redução permitiu, que, em apenas 2 meses, 40% dos pacientes tratados com Diaprokal apresentassem um PC fora do alto risco cardiovascular (102 cm para homens e 88cm para as mulheres), em comparação aos 17,65% dos pacientes tratados com a dieta hipocalórica.

 

No que se refere à evolução da hemoglobina glicosilada (HbA1c), marcador de diabetes, o estudo mostra que a média diminui, significativamente, desde a visita inicial até 2 meses depois de ter iniciado o tratamento, apenas no grupo tratado com dieta proteinada. Especificamente, após dois meses, o grupo tratado com DiaproKal conta com 85% dos pacientes a baixo de 7% (nível de segurança), enquanto que no grupo com dieta hipocalórica apenas 60% têm esse valor normalizado.

 

"Descobrimos que, dentro do último grupo (dieta hipocalórica), a HbA1c manteve-se estável desde o início do tratamento, dos quais 62,5% de pacientestinha valores normais de HbA1c e, ao fim de dois meses, ao invés de aumentar, o índice continuava em 60% " adiantou o Dr. Albert Goday, coordenador do Estudo DiaproKal e chefe de secção do Serviço de Endocrinología e Nutrição do Hospital del Mar de Barcelona.

 

Finalmente, no que diz respeito ao índice de massa corporal dos pacientes incluídos no estudo, o grupo com DiaproKal alcançou um valor médio de 28,94 kg/m2, que se situa a abaixo do valor considerado como obesidade (30 kg/m2). No entanto, os pacientes com dieta hipocalórica continuaram a acima desse valor (31,76 kg/m2).

 

O estudo DiaproKal analisou também o perfil de segurança e tolerabilidade da dieta proteinada no tratamento da diabetes, nomeadamente a evolução da glicémia e da cetonemia capilar, uma complicação conhecida da diabetes de tipo 2. Ao fim de dois meses, os doentes que fizeram dieta proteinada apresentaram valores controlados de glicemia, não se tendo observado nenhum caso de glicemia venosa superior a 150 mg/dl ou inferior a 70 mg/dl. No que se refere a parâmetros de segurança como a cetonia, ao longo do tratamento que correspondem à cetose próprios do seguimento de uma dieta cetogénica.

 

Também a evolução dos doentes com microalbuminúria no início do tratamento tseguiu uma tendência decrescente.

 

Em suma, este primeiro conjunto de resultados mostra que os pacientes do grupo DiaproKal estão a mostrar melhorias muito mais significativa, tanto ao nível do peso como do controlo metabólico e do perfil glicémico, do que os do grupo que segue a dieta hipocalórica. Os doentes tratados com DiaproKal não manifestaram efeitos adversos graves, apenas se registaram alguns efeitos secundários leves e transitórios, como náuseas e prisão de ventre, o que mostra que a segurança do tratamento é semelhante à da dieta hipocalórica usual.

 

 

 

O Estudo

 

O estudo DiaproKal é um ensaio clínico aberto, controlado, aleatório (1:1), prospectivo (4 meses de seguimento), multicêntrico, com 90 pacientes incluídos no protocolo.

 

Coordenado pelo Dr. Albert Goday do Serviço de Endocrinologia e Nutrição do Hospital del Mar de Barcelona, o estudo conta com a participação de 7 dos principais hospitais espanhóis:

 

• Hospital del Mar (Barcelona)

• Hospital de Basurto (Biscaia)

• Hospital Arquitecto Marcide-Novoa Santos (Corunha)

• Hospital Clínico Universitario de Santiago de Compostela (Corunha)

• Hospital Universitario Virgen del Rocío (Sevilha)

• Hospital Universitari Son Espases (Palma de Maiorca)

• Hospital General Sagasta (Saragoça)

 

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