Gordura que cura o diabetes - Diabetes, Vida e Comunidade

Gordura que cura o diabetes

04/10/2013 - DM.Com


Um estudo científico iniciado em 2003 na Universidade de São Paulo (USP) pode ser a esperança que faltava para mais de 350 milhões de diabéticos no mundo. No Brasil, já são mais de 15 milhões. O diabetes mellitus é uma doença crônica não transmissível (DCNT) e a quinta maior causa de mortes no planeta. Ele mata mais que o câncer de mama, de próstata e a aids juntos. Células-tronco extraídas do tecido adiposo humano (gordura) nas cirurgias abdominais ou de lipoaspiração estão sendo utilizadas para auxiliar na produção de insulina, controlando melhor a glicemia (nível de açúcar no sangue) de pacientes com a doença. Entre as vantagens dessa técnica revolucionária estão a possibilidade de cura definitiva do diabetes de tipo 1, a não rejeição, a rápida cicatrização e a desoneração do tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), afirmam especialistas. 

Entre as muitas formas existentes de diabetes, as mais comuns são os tipos 1 e 2. O diabetes de tipo 1 costuma aparecer na infância ou na adolescência e torna  o paciente dependente de insulina para o resto da vida. É uma doença autoimune, ou seja, ela faz com que as células do pâncreas sejam destruídas pelo próprio sistema imunológico do organismo, deixando de produzir insulina. O diabetes de tipo 2 é a forma mais comum da doença e está relacionada a fatores de risco, a exemplo de maus hábitos alimentares, do excesso de peso, do sedentarismo, do tabagismo, dentre outros. É uma doença que se pode prevenir em boa parte dos casos. Há ainda o diabetes gestacional que acomete mulheres no período pós-parto. 

De acordo com a técnica desenvolvida pela equipe coordenada pelo endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, do Hospital das Clínicas (HC) da USP, em Ribeirão Preto, o tratamento com células-tronco extraídas do tecido adiposo (gordura) e do próprio paciente, transformadas em ilhotas produtoras de insulina e com nenhum risco de rejeição, aumenta a sua qualidade de vida, reduz o custo do tratamento para o SUS (o tratamento convencional com injeção de insulina é demorado e oneroso), e elimina o problema da escassez de doadores para os transplantes de ilhotas. A gordura é, ao lado do cordão umbilical e da medula óssea, um dos maiores reservatórios de células-tronco do organismo na proporção de 250 mil células-tronco para cada grama de gordura extraída em cirurgias estéticas de lipoaspiração, por exemplo.  A técnica consiste em fazer um autotransplante e retirar células-tronco da gordura do próprio paciente. Sessões de quimioterapia endovenosa são realizadas para desativar o sistema imunológico e, em seguida, as células-tronco são reintroduzidas na corrente sanguínea e o sistema imunológico é regenerado, fazendo com que o pâncreas volte a produzir insulina. 

No estudo realizado pela USP, dos 25 pacientes com diabetes de tipo 1 apenas, com idades variando entre 12 e 35 anos e com menos de cinco meses de diagnóstico da doença, mais de 50% deles obtiveram a cura, ou seja, o pâncreas voltou a produzir insulina e ficaram livres das aplicações diárias de injeções. Nos demais voluntários, houve significativa melhora e as três ou quatro doses diárias foram reduzidas consideravelmente. A terapia é rigorosa e pressupõe alimentação equilibrada, atividades físicas regulares, compreensão e aceitação da doença, monitorização da glicose e insulinoterapia (quando houver necessidade). Apesar de não se poder confirmar a cura definitiva da doença, os resultados da pesquisa apontam para uma melhor qualidade de vida dos pacientes, com redução de problemas de visão, insuficiência renal, falência do pâncreas e amputação dos membros superiores e inferiores, muito comuns nestes casos. 

Segundo o endocrinologista Sérgio Alberto Cunha Vencio, a técnica do “reset imunológico” realizado pela equipe paulista é pioneira e tem se mostrado eficaz no tratamento do diabetes de tipo 1, contudo é complexa e arriscada em razão das muitas sessões de quimioterapia. “A retirada das células-tronco é simples, o problema está no uso pesado da quimioterapia, que é sempre muito agressiva. Mas para isso existe a técnica da célula-tronco mesenquimal, que evita a quimioterapia e oferece menos riscos, contudo não se sabe ainda em que quantidade ela deveria ser utilizada. A técnica está em fase experimental”, informou o endocrinologista. “O diabetes de tipo 2 já se tornou uma pandemia mundial. São 350 milhões no mundo segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Em Goiás, 7% a 8% da população têm o diabetes, sendo que 95% dela é do tipo 2 e 5% do tipo 1. No Brasil, especialmente depois do Plano Real, ocorreu um acesso maior à comida para faixas desfavorecidas da população e com isso se verificou também um aumento nos casos de diabetes de tipo 2, associadas aos maus hábitos alimentares. O diabetes está diminuindo nas classes mais altas, e o acesso à informação e a disponibilidade de recursos ajudam a explicar o fenômeno. As classes mais baixas estão consumindo produtos muito calóricos. Todo mundo quer comer fast food e ter refrigerante na mesa todos os dias. Infelizmente o Brasil está caminhando na direção errada quando copia os maus hábitos alimentares dos americanos”, comentou.

Epidemia

 Segundo dados do Ministério da Saúde (MS), no Brasil, o diabetes mellitus já é tratado como doença epidemiológica. Em dados referentes a 2009, 55% dos casos de enfermidades no País tiveram como causa ou estavam relacionadas ao diabetes, tais como doenças dos aparelhos circulatório e respiratório, neoplasias, doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas. Em 2008, 4,49% dos casos de mortalidade estavam associados à doença. Em 2011, houve um aumento de 4,74%. 121.168 internações para o tratamento do diabetes foram realizadas em 2008. Em 2010, elas foram 130.062, e em 2011, 126.657. Adultos com mais de 65 anos de idade respondem por 21,8% dos casos, seguidos pelo grupo etário de 55 a 64 anos (15,2%). Crianças de 0 a 8 anos representam 7,5% do total de pacientes. 5,2% da população masculina brasileira sofre da doença, enquanto as mulheres respondem por 6% dos casos. Na região Centro-Oeste, 4% dos homens e 5,5% das mulheres são diabéticos. Apesar das taxas serem inferiores à média nacional, o diabetes de tipo 2 também é epidemia em Goiás e nos demais Estados da região.

 A estudante e membro da Associação de Diabéticos do Sudeste Goiano (Adisgo), localizada em Catalão, Amanda Pereira Braga da Fonseca, de 17 anos, descobriu o diabetes de tipo 1 há mais de cinco anos. “Sou dependente de insulina. Faço seis aplicações subcutâneas ao dia, antes do café da manhã, do almoço e do jantar, e duas horas depois de cada um deles. Sigo à risca o tratamento, uso os medicamentos, não levo uma vida sedentária, faço caminhadas, vou à academia, como muita salada, frutas e legumes e nunca abuso de açúcares e gorduras. Acho que é por isso que levo uma vida quase normal. Sempre estou medindo a minha glicose com o glicosímetro. Se está alta (hiperglicemia) ou baixa (hipoglicemia), me sinto cansada e fraca. Mas eu sempre busco mantê-la no nível normal, 70 a 99, em jejum, e 70 a 140 após as refeições”, comentou. Ela recebeu o glicosímetro (aparelho utilizado para medir a presença de glicose na corrente sanguínea), fitas para medir o diabetes, seringas, doses de insulina e macetas da Secretaria Municipal de Saúde do município. “Estou satisfeita com o tratamento convencional da doença e não tentaria a técnica da célula-tronco porque já fui diagnosticada há muito tempo e por isso não poderia participar da experiência”, finalizou.  

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Comentários sobre este conteúdo

  • jessica
    09/10/2013 - 13:49

    Boa tarde,
    nao existe ainda nenhum experimento com pessoas q tem diabetes tipo 1 a mais de 5 anos?

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