Palestra alerta sobre os fatores de risco e as altas taxas de diagnóstico tardio de câncer de estômago, esôfago, fígado - Diabetes, Vida e Comunidade

Palestra alerta sobre os fatores de risco e as altas taxas de diagnóstico tardio de câncer de estômago, esôfago, fígado

24/08/2014 - Segs


Tabagismo, etilismo, infecções por vírus e maus hábitos alimentares estão entre os principais fatores que levam aos tumores do aparelho digestivo que, em cerca de 70% dos casos são descobertos em fase avançada, demandando tratamentos mais agressivos e tóxicos.

Em evento gratuito para o público leigo, especialistas do A.C.Camargo Cancer Center focam em enaltecer os hábitos que possibilitam levar à prevenção e ao diagnóstico precoce da doença. Inscrições, gratuitas, estão disponível pelo encontro@accamargo.org.br
   
Tabagismo, etilismo, infecções virais, doença do refluxo, obesidade, pancreatite crônica, diabetes tipo 2, consumo em excesso de sal e carnes defumadas, assim como bebidas em altíssimas temperaturas são alguns dos principais fatores de risco que podem levar aos tumores de estômago, esôfago, fígado e pâncreas, tipos de câncer que serão os alvos do próximo Encontro dos Especialistas, evento promovido pelo A.C.Camargo Cancer Center com a proposta de difundir, com linguagem voltada para o público leigo, informações que possam resultar em prevenção e diagnóstico precoce do câncer.

O evento acontecerá na próxima terça, 26, às 17h30, no Anfiteatro do A.C.Camargo, em São Paulo. As inscrições, gratuitas, podem ser feitas pelo encontro@accamargo.org.br. O público pode participar também com o envio de perguntas por meio dos perfis do A.C.Camargo no Twitter e Facebook, nos quais haverá cobertura em tempo real. Os temas que prometem ser os principais alvos de interação entre plateia e a equipe do Núcleo de Cirurgia Abdominal são as infecções pelas bactérias H.Pylori e vírus que levam ao desenvolvimento de Hepatites B e C, determinantes fatores de risco para desenvolvimento, respectivamente, de tumores no estômago e fígado. Outros assuntos que se destacam são a relação entre diabetes e câncer de pâncreas e os fatores ambientais que são mais associados ao câncer de esôfago. 

Artigo publicado na revista médica The Lancet Oncology - afirma que as infecções provocadas pelas hepatites B e C, pelo papilomavírus humano (HPV) e pela bactéria estomacal Helicobacter pylori (H.pylori) estão presentes em cerca de dois milhões de novos caos de câncer por ano, representando 18% do total da incidência de câncer mundial.

Quarto tipo de câncer mais comum entre os homens e o sexto entre as mulheres no Brasil, o câncer de estômago acomete mais de 20 mil pessoas por ano no país. Referência em tratamento de câncer, o A.C.Camargo reúne uma das maiores casuísticas do mundo, onde são diagnosticados e tratados cerca de 2 mil novos casos de tumores gastrointestinais por ano e estima-se que entre 60% e 70% dos casos de câncer de estômago são associados à presença da bactéria H.Pylori. O mesmo percentual é atribuído às Hepatites B e C em relação ao hepatocarcinoma, tipo mais comum de câncer no fígado.

De acordo com a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer em Lyon, na França, cerca de 30% dos casos relacionados a infecções ocorrem em pessoas com menos de 50 anos. "É fundamental procurar logo um especialista para que as infecções possam ser tratadas. A existência da bactéria H.Pylori não representa que a pessoa esteja com câncer, no entanto ela traz um risco 4 a 5 vezes maior de desenvolver a doença. Em caso de hepatites B ou C a falta de tratamento pode levar a quadros de cirrose ou câncer de fígado", alerta o cirurgião oncológico e diretor do Núcleo de Cirurgia Abdominal do A.C.Camargo, Felipe José Fernàndez Coimbra.

Dados da Organização Mundial de Saúde apontam que 5% da população mundial é infectada pelo vírus da Hepatite B (75% dos casos estão concentrados na Ásia), sendo que os casos de infecção crônica por este vírus são responsáveis por metade dos casos de hepatocarcinoma (subtipo de câncer de fígado) na população jovem. O vírus da hepatite C, por sua vez, acomete 2% da população mundial, sendo mais comum nas Américas, Europa e Japão. Embora não haja vacina contra a hepatite C, mais de 90% das nações ligadas à OMS, dentre elas o Brasil, têm um programa nacional de vacinação contra o vírus da hepatite B, que precisa ser tomada em três doses para haver uma imunização completa.

Já o papilomavírus humano (HPV) – principal fator causal de câncer de colo do útero e também relacionado com tumores boca, garganta e pênis – é também um dos fatores de risco para a ocorrência de câncer de esôfago. Por sua vez, o câncer de pâncreas apresenta forte associação com a ocorrência de diabetes do tipo 2. No A.C.Camargo onde cerca de 300 pacientes são diagnosticados todos os anos com câncer pancreático, 7 entre 10 destes pacientes apresentam um quadro de diabetes tipo 2 já estabelecido no momento do diagnóstico do tumor, seguindo a prevalência apontada pela Literatura que é de 50% a 80% dos casos de câncer de pâncreas estarem relacionados com o diabetes.

O que todos estes tumores têm em comum são o tabagismo e o etilismo como determinantes fatores que levam ao desenvolvimento da doença. Outro fator comum é que são tipos de câncer que podem ser prevenidos com adoção de hábitos saudáveis, conforme descrito abaixo:

CÂNCER DE ESTÔMAGO
FATORES DE RISCO – Tabagismo, etilismo, infecção pela bactéria H. Pylori e consumo de alimentos conservados em sal ou defumados.

PREVENÇÃO – Não fumar, beber com moderação, lavar e armazenar bem a água e os alimentos, assim como adotar uma dieta equilibrada que inclua frutas, legumes, além de evitar o consumo de alimentos industrializados e realizar atividades físicas.

CÂNCER DE ESÔFAGO
FATORES DE RISCO – Etilismo crônico, tabagismo, infecção pelo vírus HPV, acalasia, assim como o consumo exagerado de bebidas em altas temperaturas como o mate (chimarrão) e de alimentos defumadas ou em conserva. Outros fatores de risco importantes são o refluxo, obesidade e esôfago de Barrett. A ocorrência de história pessoal ou familiar de câncer de boca ou pulmão coloca o paciente em um grupo de risco para o desenvolvimento de tumor no esôfago.

PREVENÇÃO – Não fumar, beber com moderação, evitar o consumo de bebidas em altas temperaturas (hábito este que é comum no Sul do Brasil e em países como a Argentina e Uruguai, onde há a maior prevalência deste tipo de câncer em toda a América do Sul) e adotar uma alimentação equilibrada, rica em frutas e verduras, evitar alimentos industrializados e o sexo, sempre com proteção e realizar atividades físicas.

CÂNCER DE FÍGADO
FATORES DE RISCO – Etilismo crônico, tabagismo, obesidade, excesso de gordura no fígado e infecção pelos vírus das hepatites B e C.

PREVENÇÃO – Não fumar, beber com moderação, adotar o hábito de uma alimentação equilibrada, praticar atividade física e sexo, sempre com proteção. Estar atento a um possível quadro de cirrose, pois ele pode desencadear um tumor de fígado, principalmente do tipo hepatocarcinoma. Tomar a vacina contra o vírus da hepatite B, disponível no calendário nacional de vacinação.

CÂNCER DE PÂNCREAS
FATORES DE RISCO – Embora apenas uma pequena parcela dos pacientes com diabetes venham a desenvolver um dia o câncer de pâncreas, o diabetes do tipo 2 é um dos principais fatores relacionados esta doença, principalmente se é um quadro diabético que se instala sem uma razão específica ou se um determinado paciente com diabetes apresenta um agravamento severo de forma repentina. Também se enquadram no grupo de risco pacientes com história pessoal ou familiar de câncer de pâncreas ou melanoma, doenças hereditárias como a síndrome de Von Hippel Lindau, neoplasia endócrina múltipla ou mutação nos genes BRCA 1 e 2. O tabagismo também é um fator de risco.

PREVENÇÃO – Não fumar, não negligenciar o tratamento do diabetes e estar atento aos fatores que possam enquadrá-lo no chamado grupo de risco.

Observação: Consultar um especialista, periodicamente, é fundamental.

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