Sobre adoçantes, apetite e energia - Diabetes, Vida e Comunidade

Sobre adoçantes, apetite e energia

10/09/2014 - A Tribuna


O alto consumo de açúcares de adição observado atualmente, especialmente de sacarose e frutose, coincide com a epidemia global de obesidade e diabetes tipo 2. Além de contribuir para a ingestão excessiva de energia e consequente ganho de peso, os açúcares estão relacionados com alterações no metabolismo lipídico, acúmulo de adiposidade visceral e ao desenvolvimento de hipertensão, inflamação e doenças coronarianas.

A substituição dos açúcares por adoçantes artificiais parece ser uma alternativa lógica. No entanto, existe um considerável debate na literatura sobre o impacto do consumo de adoçantes na regulação do apetite, ingestão de energia e controle do peso, pois estudos iniciais de curta duração na década de 1980 indicaram que estas substâncias teriam o efeito paradoxal de induzir o aumento do apetite1. Porém, estudos recentes em meio aos avanços científicos das últimas décadas vêm trazendo uma nova compreensão sobre o efeito dos adoçantes na fome, saciedade e compensação energética.

Assim, novas pesquisas com maior tempo de duração indicaram que os adoçantes não aumentam a ingestão de energia, o peso corpóreo, o acúmulo de gordura, a glicemia, a insulinemia ou os lípides plasmáticos, diferente do observado para a sacarose. Em estudo com adultos com excesso de peso, Sørensen et al. (2014) investigaram o efeito de intervenção durante 10 semanas com bebidas e alimentos com adoçantes artificiais ou com sacarose fornecidos aos participantes, sendo o resto da dieta de livre escolha. Os resultados apontaram aumento de peso no grupo que consumiu sacarose e diminuição no que consumiu adoçantes, achado relacionado com menor saciedade referida pelo grupo sacarose.

De fato, há evidências emergentes de que alguns adoçantes possam estimular a liberação de hormônios relacionados à saciedade, como do peptídeo semelhante ao glucagon-1 (GLP-1), embora a ligação entre esses hormônios e a ingestão de energia em indivíduos em ambiente não controlado ainda precise ser esclarecida. Por outro lado, uma preocupação recorrente é a de que o uso de adoçantes possa levar a uma supercompensação do consumo de energia. Isto porque a rotulagem de alimentos como “pobres em calorias” poderia induzir os consumidores a alterar seu comportamento alimentar e aumentar sua ingestão de energia. Neste caso, o problema origina de um uso inapropriado dos adoçantes mais do que de um problema inerente a esses produtos. De qualquer maneira, esta hipótese não encontra respaldo consistente na literatura.

Vistas em conjunto, as evidências sugerem que se os adoçantes forem utilizados como substitutos de açúcares terão o potencial de auxiliar no controle do peso. Mas, observa-se que muitas pessoas não os utilizam em substituição, e sim em adição à dieta. Assim, é importante ressaltar que o efeito dos adoçantes depende de sua integração no contexto geral da alimentação, permitindo alcançar o balanço energético negativo necessário para a melhora de fatores de risco associados com o excesso de peso, como resistência à insulina, hipertensão e dislipidemia e a prevenção dos potenciais efeitos negativos causados pelo consumo excessivo de sacarose e frutose.
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