Açúcar ganha disputa contra adoçante artificial na preferência nacional - Diabetes, Vida e Comunidade

Açúcar ganha disputa contra adoçante artificial na preferência nacional

07/11/2014 - Jornal Cana


Os adoçantes artificiais podem aumentar os níveis de açúcar no organismo, ao invés de ajudar no controle ou na perda de peso. Essa foi a conclusão dos pesquisadores do Instituto Weizmann de Ciência, de Israel. Com exceção de diabéticos, a pesquisa foi realizada em ratos e em pessoas, que consumiam regularmente sucralose, aspartame ou sacarina. A conclusão dos pesquisadores foi que os adoçantes artificiais não são processados no estômago, vão direto para o intestino e podem causar um desequilíbrio na flora intestinal. Por ainda não haver uma conclusão definitiva, pretendem ampliar o estudo. Nessa disputa por mercado, o açúcar da cana tem conquistado adeptos no mundo todo ao longo de sua história de aproximadamente seis mil anos.

No Brasil, quase 70% da população consome açúcar mais de uma vez por dia, 88% afirmam gostar do produto e apenas 26% das pessoas evitam ingeri-lo. Esse é o resultado de uma pesquisa “O que pensa e como age o brasileiro em relação ao consumo de açúcar”, realizada pelo Instituto Análise para a 4a edição do Encontro de Clientes Copersucar.
A pesquisa do Instituto Análise entrevistou mil pessoas em 70 municípios de 22 estados. Em relação à alimentação e saúde, 82% preferem alimentos normais aos que têm rótulos diet e light; 74% não realizam nenhum tipo de dieta alimentar; 42% entendem que a melhor maneira de manter a forma é a mudança de hábitos e reeducação alimentar.

Segundo a nutricionista, Flávia Cristina de Souza, da Usina Pitangueiras, o açúcar faz bem à saúde porque é uma fonte de cálcio, ferro, potássio, sódio, magnésio e de vitaminas do complexo B. “Esses são nutrientes essenciais para o crescimento saudável e alimentação balanceada da criança e do adolescente”, diz.

Segundo ela, é também a forma mais rápida de fornecer glicose para o corpo, componente essencial para o funcionamento do cérebro, da retina e dos rins. “O açúcar quando ingerido em quantidades moderadas auxilia na proliferação de Bifdobactérias e dos Lactobacillus sp. Essas bactérias compõem a flora intestinal do organismo humano e contribuem para a eliminação de bactérias maléficas como a Escherichia coli e Clostridium”, reforça.

De acordo com ela, as principais diferenças nos tipos de açúcar aparecem na cor, no gosto e na composição nutricional de cada tipo. “A regra básica é quanto mais escuro, melhor”.
Ela adverte que todo excesso é prejudicial à saúde, mas o açúcar é ótimo para fornecer energia e conservar alimentos industrializados. “Não existe uma quantidade ideal de açúcar que deve ser consumido, recomenda-se que não ultrapassem 10% do valor calórico total de uma refeição. O açúcar é como a gasolina do organismo, é de rápida absorção e é convertido em energia assim que chega à corrente sanguínea”, revela.

Carlos Caserta, gerente industrial da Usina Rio Pardo, que acompanha de perto a produção diariamente ressalta seu fator ambiental e econômico. “Por ser origem da cana-de-açúcar, o açúcar tem grande importância em nosso dia a dia, na contribuição da proteção da camada de ozônio, e apresenta-se como fator primordial para economia brasileira, gerando empregos, impostos para cidades, governos e divisas para país, através das exportações”, lembra.


O açúcar brasileiro da cana-de-açúcar alterou a dieta alimentar do mundo europeu. Até o século XVI, o produto que era vendido em boticas como remédio ou parte de heranças reais, passou a ser utilizado em larga escala e caiu no gosto popular. Mas nem todos sabem que o caminho do açúcar até o Brasil foi longo, já que há cerca de seis mil anos os chineses começaram a extrair o açúcar da cana. Porém, foi nas terras nordestinas onde se consagrou.

Um dos herdeiros dos engenhos de açúcar no Nordeste é Gerson Carneiro Leão, produtor de cana e presidente do Sindicape (Sindicato dos Cultivadores de Cana no Estado de PE), que carrega no sangue, as doces lembranças e histórias que seu pai contava. Diz a história que a família de senhores de engenho Souza Leão era tão numerosa que os diversos ramos que se bifurcaram passaram a ser identificados pelos nomes dos seus engenhos, como verdadeiras dinastias do açúcar. O ramo Novo da Conceição foi fundado pelo capitão Manuel Tomás de Souza Leão, senhor do engenho do mesmo nome de Cabo de Santo Agostinho (PE).

“O açúcar representa minha vida, minha família e meus antepassados que vieram de Portugal e se tornaram produtores de açúcar em Pernambuco, ainda nos antigos engenhos na região de Cabo de Santo Agostinho, Mata Sul do Estado. Hoje infelizmente, devido a grande concorrência e a superprodução, o açúcar está com preços baixos e um pouco desvalorizado no mercado, mas não deixa de ser importante para o país com seus mais de 500 anos de história”, lembra.

Segundo ele, o açúcar levou pujança e desenvolvimento aos estados do Nordeste e gerou muitos empregos. “Nos tempos áureos poderia ser comparado com o ciclo do café em São Paulo devido sua importância mercadológica. Vivemos anos de glórias com o açúcar”, reforça.

Renato Cunha, presidente do Sindaçucar de Pernambuco, enfatiza que o açúcar acarreta um consumo mais prazeroso e saudável. “Remete-nos à infância, com a doçaria do Nordeste, nas guloseimas juninas e no prazer das receitas de família. Tentar demonizar o açúcar é perda de tempo, pois inúmeros antropólogos, médicos e pesquisadores sabem de suas qualidades como antídoto para infecções e grande fornecedor de vitamina, prevenindo doenças e até cegueira. É amplamente consumido em diversos países do globo, não fazendo sentido campanhas difamatórias desprovidas de consistência científica”, revela ao lembrar da possível rotulagem negativa ao produto.

 

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