Adoçantes e intolerância à glicose - Diabetes, Vida e Comunidade

Adoçantes e intolerância à glicose

07/01/2015 - A Tribuna


Um artigo publicado no segundo semestre de 2014 na revista Nature gerou grande repercussão no ambiente acadêmico e na mídia. Pesquisadores de Israel concluíram, com base em experimentos com camundongos e ensaios com humanos saudáveis, que os adoçantes artificiais promovem alterações na flora intestinal relacionadas com o aparecimento de intolerância à glicose.

A primeira parte do estudo foi a comparação de formulações comerciais de adoçantes não calóricos (sacarina, sucralose e aspartame), tendo como controle água, glicose ou sacarose, acrescentados na água servida aos camundongos. Após 11 semanas, os três grupos controle apresentaram curvas de tolerância à glicose comparáveis, enquanto os três grupos de camundongos que consumiam os adoçantes desenvolveram nitidamente intolerância à glicose.

Em seguida, os pesquisadores utilizaram somente sacarina nos experimentos, pois esta exerceu o efeito mais pronunciado. Foram realizados testes com solução de sacarina e com sacarina pura, tanto no contexto de uma dieta normal como no de uma dieta rica em gordura, a fim de corroborar os achados no contexto da obesidade. Todas as situações experimentais indicaram o desenvolvimento de intolerância à glicose após a exposição dos animais à sacarina. Ainda, a realização de um tratamento com antibióticos anulou as diferenças na tolerância à glicose, sugerindo que o efeito era mediado por alterações na microbiota intestinal.

Para confirmar esta hipótese, os cientistas fizeram experimentos com transplante fecal, transferindo a microbiota de camundongos que consumiram sacarina para animais inicialmente livres de germes. Seis dias após a transferência, os animais passaram a apresentar o mesmo fenótipo de intolerância à glicose.

Os efeitos também foram estudados em humanos. Durante uma semana, foram seguidos sete voluntários saudáveis, que passaram a consumir a ingestão diária máxima aceitável (IDA) para sacarina (5 mg/kg). Notavelmente, mesmo com este curto período de exposição, quatro dos sete participantes desenvolveram piores respostas glicêmicas 5 a 7 dias após o consumo do adoçante.

Os resultados não são definitivos para gerar impacto sobre recomendações nutricionais, pois ainda requerem pesquisas futuras para elucidar as respostas personalizadas aos adoçantes que ocorrem em humanos, com alterações individualizadas na composição e função da microbiota, possivelmente a partir de estudos com camundongos simulando a maior variedade que caracteriza as dietas humanas. De toda forma, os achados sugerem a necessidade de um debate sobre o uso maciço de adoçantes pela população.

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