Seu filho está acima do peso? - Diabetes, Vida e Comunidade

Seu filho está acima do peso?

23/07/2015 - Revista Crescer


Comer um biscoitinho recheado enquanto o almoço não fica pronto, acabar com aquele pote de sorvete no meio da semana ou atacar a despensa antes do jantar. Alguma dessas atitudes acontece na sua casa? Se a resposta foi positiva, eis um indício de que algo está errado na alimentação do seu filho. Em poucas palavras: quando o exagero começa a fazer parte da rotina, é hora de ligar o alerta vermelho e recalcular a rota.

Já foi o tempo em que ser gordinho era sinônimo de saúde. A obesidade infantil é classificada como doença e, em curto prazo, pode gerar problemas bem mais graves, como diabetes e hipertensão. Só para se ter uma ideia do tamanho do problema, o Ministério da Saúde estima que uma em cada três crianças apresente sobrepeso. Tal cenário está diretamente ligado aos hábitos familiares. Confira mais informações sobre o assunto e como deixar sua família toda de bem com a balança:

OS VILÕES DA BALANÇA

Oferecer sanduíches no lugar de um prato de comida e liberar o consumo de salgadinhos ou doces diariamente – e tudo isso está ligado ao comportamento dos pais. Permitir é abrir as portas para os quilos indesejados (e todos os prejuízos que estão associados a eles).

Segundo uma pesquisa realizada pela consultoria Millward Brown, com 2 mil mães residentes no Brasil, 90% das crianças entre 1 e 10 anos beliscam algo calórico nos intervalos entre as refeições, 46% não tomam café da manhã (apenas beliscam um biscoito recheado ou similar), 20% pulam o almoço e 23% dispensam o jantar. Isso vai na contramão do ideal, que seria manter as principais refeições e fazer lanches saudáveis entre elas, sempre incluindo frutas, legumes, verduras, cereais, grãos e proteínas, e evitando doces e carboidratos no cotidiano.

OS PAIS DEVEM FICAR ATENTOS AO EXCESSO DE PESO DOS FILHOS

Muitas vezes, a balança dispara e nem sempre a família percebe que a criança está com quilos extras. Uma análise de estudos, publicada na revista científica Pediatrics, sugere que mais de metade dos pais subestima o peso dos filhos que estão obesos ou com sobrepeso – principalmente os de crianças de 2 a 5 anos. Se você notar que seu filho está acima do que é considerado saudável, procure um especialista em nutrição – esse profissional poderá elaborar a dieta mais indicada para cada caso. Geralmente, mesmo estando no peso ideal, a família inteira entra na dança da reeducação alimentar – afinal, não é viável convencer uma criança a comer direito se você devora um hambúrguer gorduroso na frente dela.

A FAMÍLIA INTEIRA DEVE FAZER REEDUCAÇÃO ALIMENTAR

Com uma nova rotina de alimentação, as quantidades podem variar, mas os alimentos devem ser os mesmos para todos. E nada de reclamações na frente das crianças: tratar o cardápio como punição só piora as coisas. Os pais devem dar o exemplo à mesa – se ela presenciar erros, como exagerar nas quantidades ou caprichar nas frituras, as chances de mudança vão por água abaixo. Quando bater a vontade de tomar um copo de refrigerante, portanto, nunca o faça na frente de quem está de dieta.

ATENÇÃO COM A DESPENSA DE CASA

As boas práticas devem começar pelas compras. Deixe as guloseimas nas gôndolas do supermercado! No lugar delas, leve frutas, legumes, arroz, feijão e carnes (brancas ou vermelhas).

Também é interessante convidar a criança a participar do preparo das refeições ou dos lanches. Dessa forma, ela conhece os alimentos e tem mais vontade de experimentá-los. Aproveite esse momento para falar sobre as vantagens de cada um. Caso ela não aprecie determinado sabor, não desista de primeira. Os pequenos devem ser expostos ao mesmo item pelo menos dez vezes – e com preparações diferentes – para formarem uma opinião sobre ele.

FAMÍLIA REUNIDA À MESA

Nesse processo de adaptação, reunir a família em volta da mesa durante as refeições faz toda a diferença. Desligue a TV, o tablet e o videogame. Só assim a criançada pode se concentrar naquilo que realmente importa: a comida e os benefícios que ela proporciona. Aproveite para sugerir que todos mastiguem bem os alimentos, o que facilita a digestão.

TROCAS SAUDÁVEIS

É claro que doces e frituras, os favoritos das crianças, são uma pedra no sapato de quem precisa perder peso. E proibir o consumo só piora o problema. Mas há estratégias para retirá-los do cardápio ou, pelo menos, reduzir suas quantidades. Você só vai precisar usar seu poder de negociação em prol da saúde.

O ideal é cortar esse tipo de alimento aos poucos. Por exemplo: se a ingestão de guloseimas e alimentos fritos costuma acontecer mais de uma vez por dia, reduza para duas vezes por semana. Caso a intensidade seja menor, deixe as balas e os chocolates apenas para sábado e domingo. Quando tudo é combinado com clareza e seriedade, as chances de dar certo aumentam.

Além disso, é possível deixar as refeições mais saudáveis sem interferir no sabor. O leite integral, por exemplo, pode ser substituído pelo desnatado, desde que a carne faça parte da dieta regularmente.

Isso porque ela fornece uma gordura semelhante à da nata do leite que, portanto, pode ser retirada da alimentação sem que haja nenhum prejuízo ao organismo. Falando em proteína, ela é fundamental para o desenvolvimento das crianças. No entanto, seu modo de preparo é o que vai determinar o nível de saúde do cardápio.

O perigo está na frigideira: as frituras podem aumentar em até três vezes a quantidade de calorias de uma refeição. Dê preferência a assados, grelhados ou cozidos.

Para substituir o açúcar, use a sucralose, uma opção de adoçante indicada para crianças. As versões light de produtos como biscoitos e manteigas também são bem-vindas, mas sem dar o direito de aumentar na quantidade (não esqueça de ler na embalagem se o adoçante usado é o permitido). Sucos de caixinha e refrigerantes devem ser riscados da lista de compras, porque tais bebidas engordam e têm pouco valor nutricional.

COMO LIDAR COM AS FESTAS DE ANIVERSÁRIO

As festas dos amigos podem ser um bom termômetro para os pais verificarem se a estratégia da reeducação alimentar deu certo. Ressalte a seu filho que ele não precisa se empanturrar de brigadeiro e refrigerante para ficar satisfeito. Sugira quantidades, mostre que dois ou três salgadinhos são suficientes e o incentive a brincar com os amigos (gastar energias é sempre muito bom!). Outra dica é oferecer uma fruta ou um lanche saudável antes de sair de casa. A fome diminui e a saúde agradece.

MEXER O CORPO É PRECISO

Os alimentos gordurosos ou açucarados não são os únicos vilões da alimentação. O sedentarismo é outro algoz do corpo quando o assunto é diabetes e obesidade. Um estudo conduzido pela Universidade da Virgínia (EUA) mostra que assistir à TV de uma a duas horas por dia aumenta em até 47% o risco de obesidade na infância. Quanto maior o tempo em frente ao aparelho, mais o exercício físico fica em segundo plano. Essa máxima também vale para outras telas (tablets, celulares e videogames).

É por isso que o estímulo à prática de atividades deve começar cedo. Em caso de crianças acima do peso, vale aliar o acompanhamento nutricional a consultas com profissionais da área de educação física, que poderão indicar a ginástica mais adequada para cada faixa etária. Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), é necessário mexer o esqueleto pelo menos cinco vezes por semana, durante 30 minutos cada.

Para quem tem dificuldade de aderir aos exercícios, um bom começo é jogar games com sensores de movimento, que ajudam no desenvolvimento da noção de espaço e de consciência corporal. Brincadeiras, como pega-pega e as cantigas de roda, também devem ser estimuladas. Outras práticas que atraem o interesse infantil são skate, patins e bicicleta. O melhor de tudo é que podem ser praticados ao ar livre.

É importante que a criança passe por todo esse processo sabendo exatamente por que precisa emagrecer. Converse com ela sobre obesidade e exponha os riscos da doença. Ela precisa saber quais são os problemas e como as mudanças dos hábitos alimentares são importantes para a melhoria da saúde. Deixe bem claro que os quilos a mais vão muito além da estética.

FIQUE AO LADO DO SEU FILHO

Tudo deve ser feito de forma tranquila, cuidando para que ele não se sinta mal. O aspecto psicológico tem papel preponderante na perda de peso. Por isso, nunca dê apelidos relacionados à balança e evite criticar a criança a todo momento. Assumir o papel de fiscal do prato também é prejudicial, uma vez que tal atitude pode constranger seu filho e ainda incentivá-lo a assaltar a geladeira durante a madrugada.

É importante valorizá-lo em outras características para mostrar que não é apenas a forma física que importa. Assim, trabalha-se a autoestima, o que influencia diretamente a mudança de hábitos.

Esse tipo de postura deve começar dentro de casa e se estender para os demais ambientes de convívio, como a escola. Converse bastante com a criança e deixe uma porta aberta para que ela possa falar sobre situações que a afligem, como eventuais agressões de bullying.

Procure a equipe pedagógica para conversar sobre o tema, sugerir palestras e disseminar o respeito entre os alunos. Afinal, com o apoio de todos, vai ser muito mais fácil seu filho conseguir perder o peso necessário e levar a vida saudável que vocês tanto desejam.

Fontes: Mariana Porto Zambon, pediatra responsável pelo ambulatório de obesidade infantil da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Renata Bressan, nutricionista do Departamento de Nutrição da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso); Vagner Costa, professor de Educação Física especialista em fisiologia do exercício de reabilitação, de Guarulhos (SP); e Liliane Oppermann, nutróloga de São Paulo.

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