Mortalidade por diabetes supera a média das mortes por câncer - Diabetes, Vida e Comunidade

Mortalidade por diabetes supera a média das mortes por câncer

13/11/2015 - Investimentos e Noticias


Doença já detectada nas épocas do Egito e da Grécia antigos, o diabetes mellitus continua a ser um perigo nos tempos atuais. O aumento do sedentarismo e da obesidade foram pontos que, segundo a (Organização Mundial de Saúde), nas últimas décadas, potencializaram a doença, baseada na glicemia (nível de açúcar no sangue) alta.

No Dia Mundial do Diabetes, lembrado neste sábado (14), a data foi criada para alertar sobre a importância da prevenção dessa doença crônica (ainda sem cura). De maneira geral, o diabetes atingiu patamares de mortalidade maiores do que os do câncer, segundo alerta o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, Ricardo Cohen. Inclusive, segundo ele, alguns tipos de câncer são consequência do diabetes.

— A mortalidade do diabetes, quando comparada ao câncer, em geral é maior. A comparação é difícil, porque cada câncer é diferente, mas em um número global a mortalidade de diabetes ocorre em função de problema cardiovascular, infarte ou derrame, cujo número de mortes é maior do que o do câncer.

Em levantamento do Ministério da Saúde, as mortes causadas pelo diabetes no Brasil passaram de 24,1 a cada 100 mil habitantes, em 2006, para 28,7 mortes por 100 mil em 2010, ano em que a doença foi diretamente responsável por 54 mil mortes no País. Entre 200 e 2010 o número de mortes subiu 38%.

Já em documento do Inca (Instituto Nacional do Câncer José de Alencar Gomes da Silva), ligado ao Ministério da Saúde, a taxa de mortalidade por câncer teve queda no Brasil, entre 2003 e 2012, de 0,53% entre os homens e 0,37% entre as mulheres. Conforme ressaltou Cohen, diabetes amplia ainda mais sua taxa de mortalidade se for considerado causa indireta de mortes, já que doenças como insuficiência renal (nefropatia diabética), acidente vascular cerebral (AVC), infarto e algumas infecções decorrem de quadros graves de diabéticos. Responsáveis por 50% das mortes no diabetes, disfunções cardiovasculares são a maior causa de óbitos da doença, segundo a IDF (International Diabetes Federation). "Tem muito diabético que deixa de comer um doce quando poderia", diz médico Entre 2000 e 2010, o número de diabéticos no mundo aumentou 54%. Atualmente, ainda de acordo com a IDF, 250 milhões de pessoas têm diabetes no mundo. No Brasil, este número é de 12 milhões, segundo a SBD. Em geral, no mundo, a mortalidade da doença é de 9,5%, com níveis ainda mais altos em países de média e baixa renda. Em 90% dos casos, o diabetes é do tipo 2, que incide, em geral, em pessoas com idade acima dos 40 anos, cujos hábitos de vida criaram condições para o desenvolvimento da doença, como obesidade, colesterol e pressão altos.

Sintomas

O presidente da SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes), Luiz Turatti, ressalta que a grande maioria dos casos diagnosticados não apresentam sintomas por um bom tempo. Trata-se, conforme ele diz, de uma doença silenciosa que só vai começar a causar algum tipo de repercussão quando os níveis de açúcar forem muito elevados. Até 99 mg/dl de açúcar no sangue, o indivíduo não tem a doença. E quando o nível for acima de 125 mg/dl o paciente é diabético.

— É importante reforçar a ideia de que anualmente os pacientes devem fazer o check-up para saberem se estão ou não com diabetes. A dosagem da glicemia em jejum já dá um parâmetro bastante importante, em relação ao risco desse paciente vir a desenvolver o diabetes.

Os sintomas podem demorar a aparecer. Mas costumam chegar na forma de tontura, cansaço, vontade de urinar frequentemente (poliúria), boca seca, fome em excesso, sensação de dormência nas mãos e pés, dores estomacais, difícil cicatrização e visão turva, entre outros. O termo diabetes surgiu do sintoma poliúria. O desejo excessivo de urinar foi comparado a um sifão, peça por onde a água passa, até a torneira. É latino, mas veio de uma palavra grega que significa "passar através". Já o termo mellitus, também no latim, quer dizer "doce igual ao mel".

Prevenção e tratamento

Turatti afirma que, nos últimos anos, os medicamentos, que possibilitam a ação da insulina, e até a introdução de insulina no organismo, muitas vezes de maneira injetável, foram importantes para haver um melhor controle da doença, no caso, da taxa de açúcar no sangue. Mas nem por isso sua gravidade diminuiu.

— A questão da gravidade não muda tanto hoje em relação ao passado. O que a gente tem é mais pacientes diabéticos e consequentemente mais pacientes desenvolvendo complicações de diabetes e morrendo por causa disso.

Para Cohen, vários fatores devem ser analisados no tratamento da doença. Inclusive em relação às questões cardíacas.

— Tratar diabetes é fazer tratamento cardíaco preventivo. Tem que tratar diabetes, o colesterol e o peso do individuo, os três. Deve ser um tratamento multidisciplinar, que baixa os três itens, não só glicose, não só pressão, não só os lipídios [gordura].

Os pilares para a prevenção da doença são baseados na alimentação saudável, sem excesso de açúcar e carboidratos, e exercícios físicos regulares.

A atividade física é importante para estimular a produção de insulina e aumentar a capacidade muscular na absorção de glicose. Além disso, é importante o acompanhamento períodico, pelo menos anual, dos níveis de glicose no sangue.

O nível de insulina, hormônio produzido pelo pâncreas que transporta a glicose para os tecidos, costuma ser normal nesses casos. O problema é que, devido às condições desfavoráveis, como placas de gordura, o organismo criou "resistência à insulina" e não consegue mais utilizá-la.

Sem a atuação da insulina, a quantidade de glicose (açúcar) no sangue aumenta, o que provoca sérios danos, já que o atrito do açúcar com as paredes de veias, artérias, por exemplo, promove feridas e corrosão no interior do organismo. Entupimentos também costumam ocorrer, levando a infartes e derrames.

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Insuficiência renal, arteriosclerose e cegueira também são outras consequências possíveis. O diabetes tipo 1, que afeta 10% dos casos da doença, é uma doença autoimune, quando o indivíduo, desde o nascimento, não tem produção de insulina no organismo.

Em casos em que o IMC (Índice de Massa Corporal) é muito alto ou a medicação não está mais fazendo efeito, uma nova opção pode ser a cirurgia metabólica, que modifica o caminho dos alimentos pelo tubo digestivo, com o objetivo de diminuir a resistência dos tecidos à ação da insulina.

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