“É possível conviver com a doença de maneira tranquila”, diz diabético - Diabetes, Vida e Comunidade

“É possível conviver com a doença de maneira tranquila”, diz diabético

26/04/2016 - O Nortão


Na incansável rotina do trabalho e vida social, tirar um tempo para se medicar e conferir o nível glicêmico - indicador da velocidade com que o açúcar presente em um alimento alcança a corrente sanguínea –, acabou se tornando um hábito na vida do corretor de imóveis Getúlio Holmes, de 56 anos.

Desde os 36 ele convive com a doença chamada diabetes, que modificou totalmente a sua vida.

Desde o ano passado, os medicamentos orais pararam de surtir o efeito necessário em seu organismo. A solução foi começar a fazer o uso diário da insulina. O remédio é injetado em ser corpo por meio de uma seringa aparentemente inofensiva.

Com tamanha experiência, Getúlio afirma que a questão é se acostumar, vivendo de maneira “bem tranquila”.

“Nesse período de quase 20 anos, paulatinamente, fui aprendendo a conviver com a doença. É um aprendizado. É possível você sobreviver ou conviver com a doença de uma maneira bem tranquila. Não tem muito problema, basta que você saiba que ela existe e que é possível conviver com ela”, afirmou.

Sobre a descoberta, Getúlio diz ter ficado surpreso, já que só veio saber da doença no processo de ingresso a um novo emprego.

“Foi meio por acaso. Descobri ao fazer um exame pré-adimissional, quando fui entrar em uma empresa aqui em Cuiabá. A minha taxa de glicose estava extremamente alterada. Acabei descobrindo com 36 anos. A princípio era controlada com medicação oral e alimentação balanceada. Mas de um ano para cá, meu pâncreas parou totalmente e agora preciso tomar insulina”, disse.

“O primeiro impacto é assustador, pois você não conhece nada. Então imagina que terá que mudar sua vida completamente. Até entender a mecânica da doença, vai muito tempo. Eu demorei uns dez anos para entender”, completou.

O corretor de imóveis conta que mesmo com o avanço da doença, não se priva totalmente dos prazeres causados por aqueles deliciosos alimentos, como o chocolate e macarrão, considerados um dos vilões.

“Hoje, consigo passar por isso sem maiores traumas. Por exemplo, ontem a noite eu comi chocolate. Não é preciso se privar totalmente das coisas. É necessário controlar sua alimentação. Eu posso comer chocolate, mas desde que ele não tenha açúcar. Não me privo totalmente da carne, das proteínas, do macarrão, que é uma coisa que eu adoro. Mas não posso comer macarrão todos os dias”, declarou Getúlio.

Sobre controlar a alimentação, uma pesquisa do Ministério da Saúde aponta algo preocupante. Um em cada cinco brasileiros consome doces em excesso e 19% bebem refrigerantes cinco vezes ou mais na semana.

Em Cuiabá, 13,9% dos adultos mantêm alimentação rica em açúcar e 21,2% costumam ter na mesa os refrigerantes.

De acordo com o Ministério, os hábitos preocupam diante do avanço de doenças crônicas no país, em especial o diabetes.

A doença, de acordo com a pesquisa Vigitel 2015 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), atinge atualmente 7,4% da população adulta, acima dos 5,5% registrados em 2006.

O estudo monitora fatores de risco para doenças crônicas, atualmente responsáveis por 72% dos óbitos no país. Foram entrevistados por telefone 54 mil adultos (18 anos ou mais) que vivem nas capitais brasileiras.

O diabetes é mais frequente nas mulheres (7,8%) que nos homens (6,9%) e se torna mais comum com o avanço da idade.

Em alguns casos, os diabéticos precisam tomar doses de insulina

O diabetes, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, é o conjunto de doenças que resulta em altos níveis de açúcar no sangue, ou alta taxa de glicose.

A doença se apresenta em dois tipos. O tipo 1, que é a condição crônica em que o pâncreas produz pouca ou nenhuma insulina; e o tipo 2, condição crônica que afeta o modo como o corpo processa o açúcar no sangue (glicose).

Para maiores esclarecimentos sobre a doença, o MidiaNews conversou com a médica Ana Gisela Aruda Santos, endocrinologista.

A médica destaca a necessidade do acompanhamento médico, da alimentação saudável e a prática regular de exercícios físicos.

Confira a entrevista com a especialista Ana Gisela:

MidiaNews - O consumo excessivo de açúcar pela população é um risco à saúde?

Ana Gisela - Uma pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostra que os brasileiros estão consumindo três vezes o limite considerado máximo, que é, em média, 50 gramas de açúcar por dia.

É importante alertar que nós consumimos açúcar não só nos doces, mas em muitos produtos industrializados. É o chamado açúcar oculto, que a gente não percebe. São os molhos, catchups e tantos outros produtos, como pães e refrigerantes.

Entre as consequências para a saúde está o desenvolvimento da doença conhecida com diabetes, que tem crescido muito na população brasileira nos últimos anos. Não temos dados específicos da nossa região. Mas no Brasil, existe uma prevalência de em média 10%.

MidiaNews - Mas o que é o diabetes?

Ana Gisela - O diabetes é uma doença crônica. Em que ocorre uma hiperglicemia crônica, isso significa altos níveis de açúcar no sangue, por tempo prolongado.

Com o tempo, isso acaba lesando muitos órgão e tecidos. Como os olhos, podendo levar a cegueira; os vasos sanguíneos, levando a doenças do coração; os rins; os nervos periféricos; e um serie de outras situações.

O diabetes é uma deficiência na produção da insulina pelo pâncreas ou uma má utilização da insulina pelo organismo.

Drª Ana Giesla: "o paciente diabético é mais predisposto a um monte de coisas"

MidiaNews - Como uma pessoa pode acabar desenvolvendo o diabetes? Quais são os fatores?

Ana Gisela - Basicamente, nós temos dois tipos de diabetes. Do tipo 1 e do tipo 2.

O diabetes de tipo 2 envolve 90% da população com a doença. Está relacionado aos casos familiares. Pode surgir em qualquer idade, mas, normalmente, atinge a população após os 40 anos de idade. Tem muita relação com a obesidade e sedentarismo.

Já o diabetes tipo 1 envolve apenas 10% dos casos. Pode ocorrer em qualquer idade, mas atinge mais criança e adultos jovens. O mecanismo da doença é diferente, já que neste tipo da diabetes, ocorre uma destruição das células do pâncreas, por um mecanismo de alta imunidade.

Consideramos o tipo 1 mais grave, pois, normalmente, ela é descoberta no indíviduo muito novo. Então, o paciente passa muitos anos com a glicose alta. A tendência é que tenha mais complicações.

O paciente diabético é mais predisposto a um monte de coisas. O que mais mata o paciente diabético são as doenças cardiovasculares. Além de serem pacientes muito predispostos a infecções por ter uma imunidade mais baixa. É uma doença crônica, que não tem cura, além de estar aumentando e que levanta a necessidade de prevenção.

O fato de ter pais com diabetes aumenta o risco, mas a pessoa pode evitar e tomar medidas para se prevenir. Manter hábitos de uma vida saudável, com alimentação balanceada e atividades físicas e manter o peso, já que o principal motivo para o individuo ficar diabético é a obesidade.

MidiaNews - Quais são os alimentos considerados vilões nos casos de diabetes?

Ana Gisela - Em geral são os alimentos que contem açúcar: doces, o refrigerante, o sorvete (alimento que tem tanto o açúcar quanto a gordura), pães, bolos confeitados e chocolate.

MidiaNews - Qual é a prevenção?

"A princípio, o teste do dedo não serve para ter um diagnostico"

Ana Gisela – Hábitos de vida saudável. Alimentação balanceada, ingestão moderada de carboidratos, hábitos de comer frutas e verduras e prática de atividade física regular, realizando exercícios, pelo menos, 30 minutos, cinco vezes por semana.

MidiaNews – Quais são os sintomas da doença?

Ana Gisela – O risco de mortalidade é maior nos diabéticos. É um paciente considerado de alto risco.

Os sinais de alerta são: muita sede, urinar demais, perda de peso sem explicação, cansaço físico, fraqueza nas pernas e embasamento das vistas.

Tendo estes sintomas, o paciente pode procurar um clínico geral, para fazer o exame de glicemia.

A princípio, o teste do dedo não serve para ter um diagnostico, apenas para ter uma ideia do nível de glicemia.

MidiaNews - E como é o tratamento dos diabéticos?

Ana Gisela - Nos diabéticos tipo 2, o paciente pode começar a fazer um esquema de dieta e atividade física. Na maioria dos casos ele vai precisar de medicamentos orais e ao logo do tempo pode vir a precisar de insulina.

No paciente com o tipo 1, é necessário o uso da insulina para sobreviver. Pois o organismo, praticamente, não produz insulina e os medicamentos não adiantam.

MidiaNews - Normalmente, estes medicamentos causam algum efeito colateral?

Ana Gisela - Sim, mas depende do medicamento e do organismo de cada paciente.

Mas a medicação liberada aos diabéticos são seguras, com controle de segurança pela Anvisa (Agência Nacional de Segurança Sanitária).

MidiaNews - Existe uma faixa etária ou gênero mais propenso a desenvolver a doença?

Ana Gisela - Não. Em geral, tanto os homens quanto as mulheres correm os mesmos riscos. A faixa etária em que a doença mais aparece é após os 40 anos de idade. Mas pode acontecer em qualquer idade.

Com o aumento dos casos de obesidade, temos visto muitas pessoas sendo diagnosticadas com a doença cada vez mais cedo.

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