A polêmica com a cirurgia bariátrica: Ela poderia ser indicada para obesidade leve? - Diabetes, Vida e Comunidade

A polêmica com a cirurgia bariátrica: Ela poderia ser indicada para obesidade leve?

16/06/2016 - Saúde Brasileiros


A grande preocupação dos médicos de diversas especialidades que tratam os pacientes diabéticos é encontrar meios de impedir, primeiramente, que a doença se manifeste. Depois, que ela se agrave a ponto de causar complicações e levar à morte. Nessa linha, uma das discussões mais polêmicas é a mudança nas diretrizes para a indicação da cirurgia bariátrica, também chamada de metabólica.

Não é novidade que cirurgia bariátrica é uma das indicações para minimizar os efeitos de doenças associadas à obesidade, como diabetes tipo 2 e hipertensão. Há anos, estudos mostram os benefícios da cirurgia nessas condições. A polêmica estabelecida agora, porém, seria se a indicação da cirurgia poderia ser feita em pessoas que se beneficiariam dela para o tratamento dessas condições -mas que não estão no grau mais alto de obesidade.

No final de maio, um consenso de 45 sociedades internacionais decidiu que a operação pode ter uma indicação mais ampla, recomendando-a como mais uma opção de tratamento para pessoas pessoas com IMC (índice de massa corporal) acima de 35 (de 30 a 39 sinaliza obesidade) e 27,5 para a população asiática, mas também pode ser considerada para IMC acima de 25 (sobrepeso).

Trata-se da primeira diretriz a recomendar a cirurgia como uma das possibilidades iniciais de tratamento para pessoas levemente obesas, mas que não respondem aos tratamentos convencionais. Antes, a cirurgia metabólica era considerada apenas para o grupo com IMC 40, que sinaliza obesidade grave ou com IMC 35 associado a alterações como hipertensão, colesterol ou glicemia elevados. Agora, alguns especialistas acreditam que é hora sim de considerar essa intervenção como uma das primeiras opções.

O IMC (índice de massa corporal) é uma medida usada para avaliar se a pessoa está no peso ideal. É calculado pela divisão do peso pelo quadrado da altura em metros. Em sites como o da Sociedade Brasileira de Endocrinologia é possível preencher os dados e obter os resultados.

Originalmente concebida para perder peso, a cirurgia remove partes do estômago ou redireciona partes do intestino. A redução de peso é um dos caminhos para prevenir a diabetes tipo 2. Ela ocorre quando o organismo se torna resistente à insulina, hormônio fabricado pelo corpo para transformar a glicose do sangue em energia.

“A cirurgia representa uma ruptura radical com abordagens convencionais para diabetes. É uma das maiores mudanças no cuidado com os diabéticos nos tempos modernos”, disse o médico Francesco Rubino, professor do Kings College London, no Reino Unido, e principal autor do relatório que dá suporte à indicação.

“Esta mudança é suportada pela evidência de um papel importante do intestino na regulação metabólica, o que o torna uma adequada alvo de intervenções anti-diabetes “, acrescentou.

Em um dos diversos estudos que forneceram evidências para a recomendação, os especialistas da Cleveland Clinic, nos Estados Unidos, viram que após cinco anos, 88% dos pacientes conseguiam controlar o diabetes sem uso de insulina. Eles concluíram que o resultado foi superior à terapia com medicamentos. Porém, outros dados divulgados durante o congresso mundial de diabetes também mostraram que houve uma reversão dos efeitos esperados – a diminuição do peso e dos índices de glicose no sangue – em 50% dos pacientes.

Especialistas brasileiros indicam necessidade de mais estudos

A medida, entretanto, provocou reações diferenciadas. Em um documento conjunto, a Associação Brasileira de Diabetes, a Associação Brasileira para o Escudo da Obesidade (Abeso) e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia reconhecem que o procedimento cirúrgico pode ser uma alternativa para o tratamento de pacientes portadores de Diabetes mellitus tipo 2 e obesidade grau 1 (IMC entre 30 e 35 kg/m2). No entanto, argumentam que “ a escolha do paciente ideal para esse procedimento ainda é incerta pela inexistência de protocolos de pesquisa validados”.

Para os especialistas brasileiros, os estudos atuais não mostram com clareza qual é o perfil do paciente que obterá maior benefício terapêutico com o procedimento cirúrgico. Além disso, afirmam que o número de pacientes submetidos ao procedimento cirúrgico em estudos clínicos randomizados ainda é muito pequeno, e com tempo de acompanhamento inferior a cinco anos, sem que haja dados consistentes sobre riscos do procedimento (deficiência nutricionais, fraturas, etc) ou sobre desfechos como a doença cardiovascular ou a mortalidade.

Números preocupantes:

422 milhões de pessoas vivem com diabetes no mundo.

O Brasil possui 13,5 milhões de diabéticos.

De modo geral, as sociedades consideram que mais estudos são necessários para atestar a eficácia e a segurança da medida a longo prazo antes de adotá-la. Segundo o endocrinologista Walmir Coutinho, do Rio de Janeiro, a adoção da nova diretrizes no Brasil acrescentou um complicador a mais para identificar os pacientes diabéticos que de fato poderão se beneficiar do procedimento.

“No Brasil, uma das condições que podem permitir essa cirurgia é a estigmatização social, um critério cuja avaliação pode ser muito subjetiva”, disse ele à Saúde!Brasileiros em New Orleans. Coutinho, que é médico do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia do Rio de Janeiro e é professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, acha que houve uma flexibilização muito grande dos critérios e que isso pode levar a erros na indicação.

É preciso ponderar algumas questões

Estudos econômicos mostram também que a cirurgia metabólica é rentável. Mas é necessário também olhar o outro lado, o dos efeitos colaterais. Como toda cirurgia, ela tem risco de conplicações e, especificamente, a longo prazo, pode levar à eficiências nutricionais, o que exige suplementação. Por isso, demanda o acompanhamento por uma equipe multidisciplinar com experiência adequada.

O relatório também identifica lacunas no conhecimento e indica prioridades para a investigação. Em particular, estudos a longo prazo para avaliar os benefícios e riscos cardiovasculares e outras complicações do diabetes em pessoas menos obesas e adolescentes são necessários para entender melhor os resultados dessa cirurgia.

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