"Fast food" sob ataque dos médicos - Diabetes, Vida e Comunidade

"Fast food" sob ataque dos médicos

26/09/2002 - Jornal do Brasil

Foto Entrevista

Cynthia Garda

Da Sucursal de Brasília

BRASÍLIA - A epidemia de obesidade atinge 13% das mulheres e 6% dos homens no país. Um terço da população (60 milhões de brasileiros) está com peso acima do normal. A doença traz a reboque epidemias mais graves, como a diabetes tipo 2, e estima-se que cause 80 mil mortes por ano. O tema foi discutido no 25º Congresso Brasileiro de Metabologia, encerrado ontem em Brasília.

O médico Walmir Coutinho, vice-presidente da Federação Latino-Americana de Obesidade, falou ao Jornal do Brasil sobre as ações coletivas contra redes de fast food movidas por grupos de obesos nos Estados Unidos. Lá, a doença responde pela maior fatia de gastos com a saúde.

- Como o senhor avalia processos contra redes de fast food?

- Podem ser o caminho. Vamos aprender muito com as lições do tabaco. Quando se imaginaria, há 20 anos, comprar um maço de cigarros com a foto de um paciente com câncer terminal?

- Deixamos crescer uma lógica de consumo que, em último caso, nos mata. Mas movimenta uma indústria milionária também. Não é um embate difícil?

- Muito complicado. Mas há poucas décadas também parecia impossível que os governos enfrentassem as poderosas indústrias do tabaco. E o Brasil tem sido reconhecido mundialmente pelas medidas populacionais de combate ao problema.

- E por onde avançar?

- A rotulagem nutricional, por exemplo, foi um grande avanço. Mas uma pesquisa do governo mostra que o brasileiro quer um rótulo mais claro. Querem que a gente diga se você deve ou não comer aquilo. E tem os maus tratamentos. Há excelentes profissionais mas, com muita freqüência, ainda se vêem tratamentos absurdos. Já identifiquei mais de 200 substâncias prescritas para emagrecer, de vitaminas a inibidores de apetite. Só sete delas têm eficácia comprovada. Além de haver hormônios de tiróide, condenados para esses fins a mais de 20 anos.

- O problema está se agravando entre crianças?

- A obesidade infantil nos EUA nos últimos 20 anos cresceu 66%. No Brasil, 240%. Em 2000, encaminhei ao Ministério da Saúde proposta para que alimentos prejudiciais viessem com tarja vermelha: "O Ministério da Saúde adverte: se consumido em excesso, este alimento pode ser prejudicial à saúde".

- As escolas brasileiras abordam a questão?

- Temos os Ministérios da Saúde e da Educação desenvolvendo ações na escola que atingem 40 milhões de crianças. É claro que tem que ser expandido. O Rio de Janeiro talvez tenha o programa mais avançado do mundo para uma cidade, atingindo a merenda das 1.024 escolas da rede municip al. E foi assinada uma lei proibindo a venda de guloseimas nessa rede. Estamos lutando para estender isso para as particulares.

- Nas favelas cariocas, a obesidade é mais grave que a subnutrição?

- Sim. O primeiro estudo foi da Escola Paulista de Medicina. No Rio também já se estudou uma favela com os mesmos resultados. Nos últimos 20 anos, quase dobrou o percentual de domicílios com refrigerador, televisão, telefone e automóvel no país. Tudo diminui a atividade física.

- A urbanização influi?

- Sim. No Rio temos hoje duas cidades. Quem mora em Ipanema, Copacabana, onde a urbanização é vertical, ainda caminha, vai às compras à pé, tomam ônibus. Na Barra da Tijuca, a Miami do Rio, todo mundo sai de casa num carro.

- Usar a escada ao invés do elevador ajuda mesmo?

- Muito. Em uma estação de metrô na Suécia, mostraram com uma câmara que mais de 90% das pessoas optavam pela escada rolante. Com uma simples placa - "subir escada faz bem para o seu coração" - o número de usuários da escada comum subiu drasticamente. Em um estudo da Universidade de Standford (EUA), reduziram muito o peso de crianças apenas restringindo o tempo em frente à TV a uma hora diária. Trocar um automóvel modelo básico por outro com vidro elétrico, câmbio automático e direção hidráulica pode representar uma poupança de cem calorias por dia. Em um ano, isso pode significar quatro quilos a mais, se a pessoa não diminuir a comida.
A Comunidade DiabeteNet.Com.Br tem como finalidade informar e interagir com os seus usuários. Antes de qualquer decisão ou atitude, é indispensavel a discussão sobre os pontos aqui abordados juntamente com médicos de sua confiança.

Dê sua opinião sobre este conteúdo

Comentários sobre este conteúdo

Seja o primeiro a comentar este conteúdo!

Cadastre seu comentário!


Surgyplast


Entrevistas
  • Pesquisa
  • Associe-se
  • Fórum

Acompanhe nosso arquivo de conteúdo:

» « Novembro - 2017
D S T Q Q S S
   1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930  

© Copyright 1997-2017 - e.Mix

As informações apresentadas a você pelo DiabeteNet contém informações gerais.
Nenhuma informação deve ser interpretada como tratamento, diagnósticos, conselhos médicos e não deve substituir a orientação do seu Médico.