Depoimentos

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Sou uma EX-DIABÉTICA!

24/05/2004 - Comunidade DiabeteNet.Com.Br

     Há sete meses fiz transplante duplo ( rim e pâncreas ) e ainda não deixei de me sentir empolgada com a vida nova que recebi.
     Acredito que fui agraciada com uma outra oportunidade de viver e estou fazendo o possível para FAZER VALER A PENA o sacrifício de todos os envolvidos: a dedicada equipe do Dr Tércio Genzine, a abnegada família do doador, ao amor e companheirismo de meu marido, aos amigos da diabetenet que tanto me apoiaram e incentivaram.. 
     Antes do transplante minha vida era de puro desespero. Caia na rua com hipo, chorava de noite de dor pela neuropatia.Eu já tinha quase perdido uma vista (estava em 10%)  e a outra estava indo pelo mesmo caminho, apesar dos nove anos de laser e das duas vítreos a que fui submetida.
     Convivia com o medo de uma cegueira que se aproximava a passos largos e com a possibilidade de futuras amputações.
     Hoje, após o transplante, eu me sinto como uma criança que a mãe tirou de um cruel castigo e ainda de quebra mandou ao circo: estou vivendo!
     Uma das minhas maiores emoções foi ter, um dia, visto escrito em uma ficha de atendimento médico: ex-diabética.
     Imaginem vocês alguém que sempre ouviu dos médicos que a diabetes não tem cura, de repente lê em sua ficha: ex-diabética!.
     Há alguns dias fui solicitada a responder uma pesquisa sobre a vida após o transplante e respondi que com certeza eu me sentia uma pessoa melhor, em todos os sentidos, após a cirurgia.
     Fisicamente é evidente que estou: meu oftalmo diz que a retinopatia ESTACIONOU e quanto à minha glicemia, ela nunca ultrapassa os 100 (mesmo quando como doce!!!) e a função renal voltou à normalidade.
     Quanto à parte emocional, percebi que se Deus me deu a chance de viver mais, tenho é que fazer tudo para viver BEM.
     Sinto-me grata por tudo, e o meu doador anônimo está sempre em minhas orações e na minha eterna gratidão.
     Avisei minha família que a partir de agora faço dois aniversários: o dia em que nasci e o dia em que fui transplantada, pois é esta segunda vida que estou aproveitando agora.
     Sei dos cuidados e dos riscos da minha nova condição e obedeço todas as poucas restrições que minha situação de transplantada obriga, mas o que é isto em relação à agonia anterior?
     Esta próxima semana, volto a trabalhar ( e só não voltei antes porque não tinha como agendar o médico da Previdência para me liberar ). 
     Minha vida tem hoje o acréscimo da esperança em  ver meus netos crescerem e poder participar da vida deles.
                                               Ana Luiza Zotti Loyola Heleno