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Saiba tudo sobre o Diabetes

30/05/2014 - Diário do SudoEste

Certamente, em algum momento de sua vida, você já deve ter conversado ou irá conversar com alguma pessoa que tenha diabetes. Mas você sabe o que é de fato esta doença? Sabe como ela é adquirida? O diabetes é uma doença por definição crônica – ou seja, que dura a vida toda –, decorrente da falta de ação de um hormônio chamado insulina, produzido pelo pâncreas, que é um órgão.


Ela é dividida em alguns tipos, sendo os mais comuns o tipo 1, o tipo 2, além de situações especiais como o diabetes gestacional. De acordo com o médico endocrinologista e endocrinopediatra de Pato Branco, Marcos Schmidt, o diabetes tipo 2 é o que mais acomete as pessoas. "Em torno de 92% dos diabéticos tem o tipo 2, o qual tem maior incidência em pessoas a partir dos 45 anos", afirmou o especialista, que disse também que este tipo é aquele em que o paciente tem uma pré-disposição genética acentuada, por fatores ambientais como obesidade e sedentarismo.


Já o diabetes tipo 1, conforme Schmidt, tem como faixa etária mais intensa entre 10 a 21 anos de idade. "Esta doença é multifatorial, que não está clara a sua origem e acomete pessoas basicamente mais jovens", complementou.


Quanto às situações especiais, como o diabetes gestacional, o médico disse que, como o próprio nome diz, é uma doença que ocorre especificamente durante a gravidez. "É diferente de mulheres diabéticas que engravidam. No diabetes gestacional, terminada a gestação, por definição a doença também termina", explicou.


Diagnóstico
Mas como é feito o diagnóstico da pessoa com diabetes? Há alguns sintomas que podem ser observados? Conforme Schmidt, o ideal é que todos façam exames periódicos. Contudo, se a pessoa não tem por costume fazer os exames, deve ficar atenta a alguns sintomas, como a perda de peso, em obeso, muito intensa. "Por exemplo, aquele paciente que vem tentando fazer dieta e, de repente, tem um excelente sucesso e comemora, ele pode estar abrindo um quadro de diabetes. Isso é bastante comum. Inclusive há médicos e nutricionistas que eventualmente incentivam, parabenizam esse grande obeso que está perdendo muito peso. O grande obeso não perde muito peso rápido, da noite para o dia", alertou.


Além disso, segundo o médico, há outros sintomas que servem de alerta, "como a fadiga, o cansaço, a dor difusa (dor variada), infecção urinária ou vaginal de repetição, turvação visual, boca seca, perda da potência sexual, perda de massa muscular. Tudo isso se deve ficar com o pé atrás e buscar orientação médica", acrescentou.


Tendo alguns desses sintomas e consultando um especialista, o paciente deverá fazer alguns exames como o de glicemia de jejum. "O diagnóstico deve ser feito pela glicemia venosa, em jejum. E não aleatoriamente, em qualquer hora do dia, para que o resultado seja preciso. Tendo o resultado, com níveis de glicose superiores a 100, você tem que obrigatoriamente investigar. Lembrando que um único exame não é marcador único. Valores pequenos, pequenas elevações que do valor dito de referência do laboratório, requerem um estudo mais específico e um teste chamado curva glicêmica, em que a pessoa é submetida a um teste, dando uma solução de açúcar e medido não só em jejum, mas após a ingestão de açúcar. Aí se tem um diagnóstico definitivo de diabetes.", explicou.


Tratamento
Conforme o profissional, constatado que a pessoa tem diabetes é necessário que ela tome alguns cuidados. "A base da pirâmide do tratamento é a orientação alimentar, que é a que menos é observada pelo paciente. O paciente diabético não se importa muito em consultar, em fazer exames, mas mudar hábitos alimentares a grande maioria das pessoas realmente não faz", disse.


O segundo passo no tratamento, segundo Schmidt, é quanto à medicação. "Nos casos de pacientes que são tipo 2, em regra, de início, devem tomar medicações orais, realizar exercícios físicos e mais dieta. Já o paciente tipo 1, obrigatoriamente deve utilizar a insulina, que é injetável e tomada duas a três vezes ao dia, acompanhados de testes, aqueles feitos por um aparelhinho, que os chamamos de glicemia capilar, em torno de dois a três testes por dia. Quanto ao diabetes gestacional, pode ser que nem o tipo 1 ou tipo 2, vai depender do grau de intensidade", explicou.


Aplicação
Com relação à insulina, o médico explica que ela é sempre aplicada no subcutâneo, ou seja, debaixo da pele. "É importante destacar que o paciente jamais deve reaproveitar agulhas e variar sempre o local de aplicação da insulina, a fim de evitar doenças que decorrem do uso na mesma região", afirmou.

Ele explica que existe uma tendência dos pacientes a aplicarem no mesmo lugar. "Isso, com o tempo, faz com que essa insulina seja menos absorvida e cause lesões. Por isso deve ser feito um rodízio. A orientação é que se faça tal qual o relógio, como se o umbigo fosse o centro do relógio, aplicando em pontos diferentes a cada dia. Depois do umbigo, migrando para o braço e pernas", orientou.
Schmidt ainda disse que sempre é orientado o próprio paciente para que aplique a insulina, exceto pacientes muito idosos e crianças. "Mas em regra é o paciente mesmo que se aplica, após orientação", lembrou.


Cuidados
Quanto aos cuidados que o paciente deve tomar, o endocrinologista ressalta que o cuidado principal é a aderência à dieta, o que não é feito. "Segundo lugar, 40% dos pacientes não toma medicação regularmente e abandonam o tratamento. Terceiro, a necessidade de ter o aparelho para medir a glicemia capilar, perto de si e com as fitas na validade. Muitas pessoas têm em casa o aparelho, mas sem a fita. Outros têm o aparelho, mas com a fita vencida. Então a dica é que, quando adquirirem o aparelho, cuidar com o prazo de validade das fitas, que estão medindo o diabetes, para evitar interpretações erradas", orientou.

Outro cuidado que o médico considera muito importante é quanto aos pés. "Os pacientes diabéticos, de longa data, geralmente perdem a sensibilidade dos pés. Então calçados mal confeccionados geram lesões, as quais não são percebidas e acabam dando úlceras no pé. Lembrando que 60% das internações em pacientes diabéticos são decorrentes dessas feridas no pé. Então, em termos hospitalares, a doença chamada pé diabético decorre de úlceras na região plantar, decorrentes exatamente da falta de percepção no pé e isso dá doença infecciosa, que é a principal causa de amputação em pacientes em geral", enfatizou.


Além disso, o médico afirma que após os cinco anos que a pessoa tenha diabetes ela deve fazer exames constantes. "Existe a necessidade de fazer o controle oftalmológico, através do exame chamado retinografia ou anjografiafluoreecienica; a avaliação renal é sempre periódica; a avaliação neurológica, para verificar lesão dos nervos; e a avaliação vascular, bem como a cardíaca, porque no paciente diabético, em regra, com o decorrer da doença, as principais complicações são vasculares. Essas complicações compreendem as microvasculares, que é a retina e renal, e as macrovasculares, que seria o AVC, o chamado derrame, e o infarto. Então esse paciente diabético tem que estar sempre em íntimo contato com o cardiologista, com o seu clínico, monitorando sempre", completou.


Outro ponto que o médico destaca é que o paciente diabético geralmente vê o diabetes como a doença do açúcar. "Na realidade é uma doença múltipla, em que um componente é o excesso de açúcar. Então o controle dos lipídeos do sangue e da pressão arterial são tão ou mais importantes quanto o próprio controle da glicose. Então não basta você manter o açúcar no sangue regularmente baixo. Tem que controlar a pressão arterial, controlar o peso, controlar os lipídeos e a glicose. Não só a glicose", observou.


Ele explica que a dieta de um diabético é basicamente igual a de um não diabético que se cuida. "Via de regra, as regras gerais de baixo consumo de sódio para prevenção da hipertensão arterial; o controle de alimentos não gordurosos, principalmente de gordura animal, para baixar o nível de colesterol; a disciplina de fracionar refeições ao dia (lê-se ter café da manhã, lanche, almoço, lanche da tarde, jantar e ceia), para evitar oscilações da glicemia. Além da necessidade do consumo de alimentos mais ricos em fibras e de menos índice glicêmico (menor taxa de açúcar por unidade)", acrescentou.


Prevenção
Quanto à prevenção, Schmidt disse que ela é parcial. "Se geneticamente você é predisposto ao diabetes, você terá a doença. Poderá retardá-la em um tempo maior, mas você vai ter. Quanto ao diabetes tipo 1, naturalmente não existe essa possibilidade de prevenir, uma vez que ela é uma doença imunológica acidental. Porém, existe um diabetes que nós não falamos no início, que hoje está subindo muito, que é o diabetes tipo 2 em crianças. Basicamente é o diabetes da criança obesa, que pode ser evitada se cuidar com a alimentação e fazer exercícios. Na fase adulta, o controle do peso – não necessariamente do consumo do açúcar – e atividade física são as medidas. As pessoas entendem que o não comer doce ajudaria no diabetes. Na verdade, o que faz a doença evoluir não é o consumo de açúcar, e sim o peso total da pessoa", concluiu.