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Síndrome metabólica em pessoas com diabetes tipo 1?

04/06/2014 - A Tribuna MT

O diabetes tipo 1 (DM1) é causado pela destruição autoimune das células pancreáticas que produzem insulina, levando a uma série de complicações decorrentes da incapacidade de manter a glicemia em níveis adequados. No passado, as complicações microvasculares, incluindo nefropatia, retinopatia e neuropatia, constituíam as principais causas de morbidade e mortalidade nestes pacientes. Porém, atualmente, tem sido observado um importante aumento nas taxas de doenças macrovasculares, associadas a fatores de risco como hipertensão, hipertrigliceridemia e obesidade central, no contexto da síndrome metabólica.


O uso de indicadores antropométricos na predição da síndrome metabólica em indivíduos adultos com DM1 ainda não foi amplamente investigado. Por isso, pesquisadores mexicanos conduziram um estudo com 120 pacientes, publicado em março de 2014 na revista Diabetology and Metabolic Syndrome. O objetivo principal foi comparar e avaliar a utilidade do Índice de Massa Corpórea (IMC), da circunferência da cintura (CC) e da razão cintura/estatura (RCE) na identificação de síndrome metabólica em pacientes com DM1.


A prevalência da síndrome foi de 37%. Estes pacientes apresentavam média de idade significativamente maior e, em concordância com o diagnóstico, possuíam maiores valores séricos de hemoglobina glicada, colesterol total e triglicérides, assim como IMC, CC e RCE significativamente mais elevados. O ponto de corte igual a 0,52 para a RCE (encontrado pela divisão da circunferência da cintura pela estatura, ambas em centímetros) foi capaz de identificar corretamente uma alta proporção de pacientes com síndrome metabólica (68%), assim como o uso da circunferência da cintura isolada (66%).
O ponto de corte do IMC de maior precisão no estudo (24 kgm/2) identificou corretamente 61% dos pacientes com síndrome metabólica. Além disso, pela comparação de métodos por meio da construção de curvas ROC (Receiver Operating Characteristic), o IMC foi o que apresentou a menor área sob a curva, indicando que o seu desempenho foi o mais fraco entre os indicadores antropométricos avaliados.


Em conclusão, os resultados desta pesquisa indicaram que a CC e a RCE são índices úteis para identificar a presença de síndrome metabólica em adultos com DM1. Estudos maiores, incluindo pacientes de diferentes etnias, são necessários para testar a validade de pontos de corte para uso na prática clínica. O que chama a atenção, sobretudo, é a necessidade de investir na prevenção da síndrome metabólica em pessoas com DM1 desde idades mais jovens, por meio da promoção da alimentação saudável e da prática regular de atividade física.