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O lado positivo da doença

19/09/2014 - Diário Alantejo

Não nos limita, mas condiciona-nos, obriga-nos a conhecê-la e a saber lidar com ela. A diabetes! Uma doença que reduz ou elimina a produção de insulina no pâncreas e inibe a lubrificação das células pela glicose do sangue. É preciso sabermos viver com a diabetes, tornarmo-nos mais atentos, mais vigilantes, às vezes mais saudáveis, porque mais precavidos e despertos para outras doenças.

O desporto é aqui, mais uma vez, essencial, cria obstáculos e hábitos adversos ao seu crescimento, contraria a obesidade, sugere e promove estilos de vida saudável e uma alimentação adequada.
Venâncio Jonas tem 27 anos, nasceu em Fernandes, uma povoação seis quilómetros a oriente da vila de Mértola. Jonas, como é conhecido no seu povoado, tem uma licenciatura em Fisioterapia, mas o desemprego atingiu-o tempos depois de lhe ter sido diagnosticada a diabetes.

Acabou de chegar da Hungria, onde participou no Diaeuro, o Campeonato Europeu de Futsal para Diabéticos, em que Portugal participou pela segunda vez, uma experiência que o tornou ainda mais feliz: “E mais completo do que me sentia antes, um pouquinho triste por não termos conseguido chegar mais longe, mas foi uma experiência única, e muito motivador, que faz com que se encare a vida de outra forma”.
 
E como terá chegado Jonas a esta equipa da Associação Protetora dos Diabetes de Portugal, que foi à Hungria representar o País lá fora? O jovem explicou: “Portugal estreou-se em 2013 na Croácia, eu vi na Internet notícias dessa participação, contatei com um elemento da equipa que me ajudou, comecei a ir aos treinos de captação, o treinador gostou de mim e acabei por entrar na convocatória final”.

E em boa hora porque a prestação até foi prestigiante, o 4.º lugar entre 16 equipas: “Tínhamos uma ambição maior, toda a gente disse que a nossa equipa deste ano era mais forte, contudo as outras também se apresentaram mais fortes”.

 

Por isso a experiência foi algo de entusiasmante na vida do alentejano Jonas: “Foi motivadora, principalmente no sentido de sermos todos diabéticos, e porque o principal objetivo da prova é mostrar às pessoas que os diabéticos não são uns coitadinhos, como muitas vezes os tratam. Temos esse problema, mas se for controlado, teremos uma vida perfeitamente normal e conseguiremos fazer tudo o que as outras pessoas fazem, inclusive desporto de alta competição.

O Diaeuro é um alerta para que as pessoas percebam que não é só o vizinho que tem, não é só o amigo da escola que tem, mas que nós também podemos ter”. Ou seja, por ser diabético, podia ter sido campeão europeu de futsal: “Costumo dizer que temos que encontrar sempre algo positivo, entre tudo o que de negativo nos acontece e, neste caso, o facto positivo foi a diabetes ter-me levado à Hungria para representar o meu país. Sinto-me muito orgulhoso disso”.

Venâncio Jonas descobriu ocasionalmente que era diabético “quando andava na universidade”: “Fiquei intolerante a muitos alimentos e a consequência da intolerância alimentar era a diabetes. Foi tudo muito rápido”, conta.

 

E resignou-se, confessou: “No início não foi muito chocante porque eu andava há muitos meses doente e estava à espera que me diagnosticassem alguma coisa. Mas um ano e meio depois estive um pouco em baixo, andei deprimido, o choque que não tive inicialmente veio depois, mas a vida é assim e há duas opções, ou aceitar a insulina para me tratar ou então mudar isso e esperar que o tempo me leve. Mas é óbvio que estou disponível para aceitar o tratamento e faço a minha vida normal sem qualquer problema”.

 

Nem mais Jonas! Ele que em miúdo foi treinar ao Benfica: “Na altura não havia centro de estágio, os meus pais recusaram-se a ir viver para Lisboa e eu fiquei por cá. Fui atleta da seleção sub/15 de Beja no Lopes da Silva, aos 15 anos lesionei-me num joelho, mas só fui operado aos 20 anos. Tratei-me, voltei ao futebol, joguei no Rosário e no Almodôvar. Estou a pensar regressar”.

Enquanto isso não sucede, na comunidade onde vive, Jonas tenta ser pedagógico para com as pessoas, usa o seu exemplo e sugere atitudes preventivas da doença, contudo, recorda: “Um ano depois de ter a diabetes disse que queria ser livre e fazer de tudo um pouco, e várias pessoas me diziam, ‘isso é perigoso, tu és diabético, tens uma quebra e isto e mais aquilo…’ nada disso! Com a diabetes controlada e a insulina certa temos uma vida perfeitamente normal, até existem atletas olímpicos que são diabéticos”. E que também sonham em “arranjar um emprego e, no próximo ano, provavelmente, na Roménia, ser campeão da Europa de Futsal”.  Para o final ficaram os seus agradecimentos ao treinador Paulo Gonçalves e à Associação de Jovens Diabéticos de Portugal.

 

Gislayne Ferreira